Programas de voluntariado corporativo
Já se perguntou o que motiva cada colaborador da sua equipe? Um dos temas e desafios mais recorrentes da alta liderança das organizações na atualidade é entender o que motiva cada colaborador, indo além de recompensas financeiras e benefícios imediatos, o foco agora é compreender o que gera conexão e propósito.
Por Luana Pablos e Tamires Auad

Nesse contexto, as ações de responsabilidade social corporativa, têm ganhado muito espaço dentro das organizações que valorizam a coerência entre propósito e prática em sua cultura organizacional. Entre elas, os programas de voluntariado corporativo se destacam como uma poderosa ação de engajamento interno, pois unem valores organizacionais a práticas concretas, proporcionando aos colaboradores uma experiência real de construção coletiva.
Iniciativas que trazem isso, são capazes de gerar conexão e propósito pois, ao atuarem em prol de causas sociais e ambientais, colaboradores se unem por um objetivo em comum, fortalecem vínculos e desenvolvem competências essenciais como escuta ativa, empatia e trabalho em equipe. Esse movimento impacta diretamente a cultura organizacional, que se torna mais colaborativa, diversa voltada para o bem comum.
Quando incorporado ao planejamento cultural e na comunicação interna da empresa, ele também deixa de ser uma ação pontual para se tornar um instrumento de fortalecimento da identidade organizacional. Compartilhar histórias de impacto, envolver lideranças e reconhecer quem participa das iniciativas são formas de transformar o voluntariado em uma narrativa viva, que mobiliza e reforça a coerência entre discurso e prática.
Ao integrar engajamento, comunicação e cultura, o voluntariado corporativo se consolida como um elo estratégico entre o indivíduo e a empresa. Ele mostra que o verdadeiro pertencimento nasce quando as pessoas se sentem parte de algo maior e quando o impacto positivo ultrapassa as fronteiras do ambiente de trabalho para transformar também a sociedade.
O engajamento interno é resultado de conexões reais entre pessoas, propósito e cultura organizacional. Mais do que políticas, remuneração e benefícios, ele se sustenta em experiências significativas, capazes de gerar pertencimento e orgulho.
O que temos percebido nestes anos de voluntariado corporativo?
De acordo com uma realizada em 2017 pela Organização das Nações Unidas em parceria com o Bank of America Merrill Lynch e uma consultoria, empresas participantes que estimularam seus colaboradores a serem voluntários em organizações parceiras ou projetos sociais desenvolvidos pelas próprias corporações tiveram um aumento de 16% de engajamento dos seus profissionais demonstrados em pesquisas internas. Além disso, a pesquisa evidenciou que aproximadamente 30% dos brasileiros nunca praticaram o voluntariado, embora demonstrassem a vontade de participar.
A incorporação de práticas de voluntariado corporativo no calendário institucional de empresas tem sido ferramenta essencial para conectar pessoas que praticam o voluntariado habitualmente e outras que gostariam de ser voluntárias, mas não encontraram tempo, causa, organização ou oportunidade de praticar o voluntariado, até isso se tornar parte da sua rotina. Além disso, após a pandemia de Covid 19, em 2020, parte das empresas optaram por seguir em modelo remoto ou híbrido, o que por vezes torna as interações do dia a dia de trabalho restritas às trocas estritamente profissionais, e encontrar maneiras de promover interações mais profundas e com propósito pode ser a ferramenta chave para vínculos mais duradouros.
Ainda, é importante destacar que o voluntariado corporativo pode acontecer por meio da doação de tempo, de conhecimento ou de recursos. Em qualquer um dos casos, duas coisas precisam ser levadas em consideração: (i) parte da magia do voluntariado corporativo está em fazer parte de algo maior e em grupo; (ii) o envolvimento de lideranças representa como a própria empresa avalia o voluntariado corporativo, por isso, é essencial para o desenvolvimento de ações de sucesso.
E então, por onde começar?
1. Escolha as suas causas
A primeira coisa que não podemos esquecer é o que nos torna humanos: empatia e compaixão.
Nesses últimos anos gerindo, organizando e participando de ações de voluntariado corporativo, o que percebemos é que é praticamente impossível não encontrar ao menos uma causa que não sensibilize a alguém. O desafio está em encontrar uma mesma causa que sensibilize a maioria das pessoas para promover maior participação e engajamento.
Além disso, é importante considerar os valores, missão e propósito da sua empresa nesta tomada de decisão. Esse detalhe imprime identidade e coerência às ações, e facilita a transmissão de mensagens institucionais importantes para os colaboradores.
Para desenvolver o seu programa de voluntariado corporativo, comece realizando uma pesquisa para entender o formato de trabalho voluntário que seus colaboradores gostariam de realizar – como por exemplo, campanhas de arrecadação de recursos, ações Pro Bono, transferência de conhecimento e outras –, organizações que indicam para parceria e causas de interesse.
2. Quanto mais recursos, maior o engajamento
Como qualquer outro projeto da sua empresa, um programa de voluntariado corporativo demanda recursos, e não somente financeiros. É preciso contar com profissionais dedicados à criação, desenvolvimento e organização de ações, bem como, com embaixadores do programa para a promoção do engajamento dos demais. Ainda, é recomendado considerar consultorias especializadas que direcionarão o programa de forma assertiva.
Além disso, vale considerar que trabalho voluntário também demanda tempo – não somente dos voluntários, mas de líderes, equipe de marketing, RH e demais departamentos. Conte com esse recurso para garantir que seus colaboradores possam se engajar no programa de voluntariado da sua empresa.
3. A liderança precisa participar?
O ideal é que a liderança procure participar de algumas atividades dentro do programa de voluntariado corporativo. Isto porque o envolvimento da liderança no tema pode ressignificar alguns “tabus” do voluntariado corporativo, como por exemplo, a ideia de que realizar outras atividades mesmo que institucionais no horário de trabalho pode ser sinônimo de baixa produtividade. Afinal, se uma pessoa em cargo de liderança consegue destinar parte do seu tempo ao próximo, os demais também passam a enxergar o voluntariado corporativo como uma possibilidade. Ainda, a presença da liderança nas ações reforça a conexão dos valores da empresa com a realidade.
Percebe-se desta forma que uma empresa tem muito a ganhar com a implementação de um programa de voluntariado, mas para que seja efetivo, é necessário alinhar um calendário factível e recursos disponíveis a experiência do colaborador.