Contratos garantem segurança para fornecedores e consumidores no setor de gás Contratos garantem segurança para fornecedores e consumidores no setor de gás
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Contratos garantem segurança para fornecedores e consumidores no setor de gás

Cláusula take-or-pay permite alocação de riscos entre as partes e garante o fluxo de receitas ao vendedor/transportador.

Por Éricles Annunciato, da LETS Marketing

O comércio de gás no Brasil garante o fluxo de receitas e de fornecimento de insumos por meio da cláusula “take-or-pay”, minimizando riscos e evitando conflito entre as partes envolvidas. A Take-or-pay é uma cláusula comum em contratos de compra e venda de gás, que impõe ao comprador a obrigação de pagar por uma quantidade mínima do insumo em dada periodicidade, independentemente de o ter consumido ou não. O comprador, portanto, à sua conveniência, escolherá entre pagar pelo gás e consumi-lo ou pagar pelo gás, sem consumi-lo.

“Essa cláusula não se restringe apenas ao mercado de compra e venda e transporte de gás. Ela é também empregada nos setores de energia elétrica, transporte ferroviário de carga, infraestrutura portuária, transmissão de dados etc. Variações de seu mecanismo são também conhecidas sob as denominações adicionais de ship-or-pay, send-or-pay, deliver-or-pay, dentre outras”, esclarece Leonardo de Campos Melo, advogado e sócio do LDCM Advogados.

  1. Em linhas gerais, a cláusula take-or-pay permite conciliar em uma só operação comercial:
  2. A alocação de riscos entre as partes contratantes;
  3. A garantia de fluxo de receitas para o vendedor/transportador – e, consequentemente, aos seus financiadores;
  4. A garantia, para o comprador, de fluxo constante de fornecimento do insumo, o que impacta diretamente o seu custo de capital; e
  5. A não variação de preço conforme aumentos sazonais na demanda.
  6. A cláusula, portanto, consiste em elemento de estabilização de preço e gerador de eficiência no mercado específico.

É preciso esclarecer: take-or-pay não é uma cláusula penal

A cláusula penal é elemento acessório a dada obrigação, e está intrinsicamente ligada ao seu descumprimento culposo. Ela serve como reforço obrigacional, pois oferece ao credor um instrumento apto a coagir o devedor a cumprir o que lhe cabe, sob pena de que este pague perdas e danos prefixados.

Seja pactuada cláusula penal para o mero atraso no cumprimento da obrigação, seja ela acordada para as hipóteses em que a prestação se torna imprestável ao credor, sobreleva, em ambas as hipóteses, a figura do inadimplemento. E ambos os elementos de acessoriedade e inadimplemento, essenciais à configuração da cláusula penal, não estão presentes na cláusula take-or-pay.

“Com efeito, na cláusula take-or-pay, não há a presença dos elementos de acessoriedade e inadimplemento. Por exemplo, em contrato de compra e venda de gás com cláusula take-or-pay, o comprador se obriga a adquirir do vendedor, em dada periodicidade, quantitativos mínimos, independentemente de sua retirada. A necessidade de pagar o take-or-pay, consequentemente, compõe o modo de cumprimento da obrigação, integrando a própria essência do negócio, sem vínculo algum com a existência de inadimplemento”, explica o advogado.

A cláusula take-or-pay pode gerar disputas entre as partes envolvidas?

Em relações comerciais paritárias, celebradas entre partes capazes, tanto do ponto de vista técnico quanto financeiro, as cláusulas take-or-pay consistem em instrumento salutar de alocação de riscos, e, salvo situações excepcionais, bem refletidas na teoria da invalidade do negócio jurídico, deve ser respeitada por árbitros e juízes.

“Essas mesmas cláusulas, contudo, quando inseridas no âmbito de relações de consumo, marcadas pela presença de uma parte hipossuficiente, podem dar causa a situações de iniquidade, a exigirem a intervenção do Poder Judiciário, ou mesmo do Tribunal Arbitral (nas hipóteses em que cabível a arbitragem). Recomenda-se, especialmente nesse tipo de avença, que a cláusula seja devidamente destacada, com rubrica específica do consumidor, a demonstrar a sua real compreensão do mecanismo take-or-pay e, principalmente, das consequências dele advindas”, conclui Leonardo.

 

Fonte: Líder.inc | https://lider.inc/noticias/energia-infra/contratos-garantem-seguranca-para-fornecedores-e-consumidores-no-setor-de-gas

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5 questões-chave para fundos, gestoras e family offices sobre ESG

De criação de grupos de diversidade à atenção ambiental sobre criptomoedas, mercado de investimentos tem evoluído na adoção de práticas sustentáveis.

por Karina Ifanger, Isadora Camargo e Willian Fernandes, da LETS Marketing

Os fundos com foco no equilíbrio ambiental podem totalizar US$ 8 bilhões entre 2019 e 2021 no país. Do total, mais de US$ 4,6 bilhões foram gerados somente no primeiro trimestre deste ano, conforme levantamento de emissões públicas realizadas pela organização social de análise de perfomance socioambiental, Sitawi Finanças do Bem.

Mas, afinal, o que os fundos, gestoras e family offices têm observado mais recentemente acerca do ESG?

  1. Criptomoedas e meio ambiente

Desde que o empresário e CEO da Tesla Motors, Elon Musk, anunciou que não a aceitaria Bitcoins como forma de pagamento, a queda do valor da criptomoeda chamou a atenção do mercado mundial.

Uma das razões indicadas por Musk foi o fato de a moeda ser um ativo poluidor. Isso também motivou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a anunciar sanções à Bitcoin como uma maneira de fiscalizar o uso da moeda digital.

De acordo com dados da plataforma online Digiconomist – que criou o Bitcoin Energy Consumption Index, uma transação com a moeda digital consome o equivalente a 55.280 horas assistindo ao Youtube.

Em contrapartida dos princípios ESG, o dinheiro eletrônico, considerado um meio alternativo de descentralização da economia, chegou a ser o favorito de muitos investidores e ganhou seu auge em 2017, perdendo o holofote por alguns anos e voltando a se fortalecer nos últimos meses.

“Nesse ano, o Bitcoin já chegou a acumular uma alta de mais de 1.000% em doze meses, antes da queda abrupta desses últimos dias. Com isso, o valor de mercado do Bitcoin já chegou a ultrapassar US$1 trilhão, valor este maior do que todas as ações negociadas na B3”, indica Marcella Ungaretti, analista de research de ESG na XP Investimentos.

Segundo ela, o interesse nas criptomoedas continua. Porém, as preocupações ambientais têm tornado as gestoras financeiras mais céticas, o que acarreta no desempenho de descendência das últimas semanas.

Em relatório temático publicado pela XP, “estima-se que o consumo de energia representa aproximadamente 0,6% da produção global de eletricidade, ou o equivalente ao consumo anual total de energia do Paquistão”, tornando o Bitcoin mais poluente ao considerar o consumo de energia que pode ser comparado com o do carvão. Isso faz com que a pegada de carbono seja mínima quando comparada, por exemplo, a de fábricas.

Para Rodrigo Rodrigues e Carlos Eduardo Pereira Teixeira, sócios do escritório CMARTINS, o tema requer aprofundamento, especialmente quanto “ao consumo de energia dos computadores vinculados ao controle e geração das criptomoedas e ao descarte dos materiais eletrônicos e seus resíduos, o que demandaria uma reeducação por completo de toda sociedade, bem como regulamentação prevendo severas multas àqueles geradores de danos ambientais decorrente desse novo segmento”.

No entanto, um dos problemas para operar investimentos com Bitcoin é a falta de estrutura de alguns países. A analista da XP Investimentos explica que, atualmente, um computador normal não consegue mais resolver os cálculos necessários da moeda, porque “exigem processadores mais sofisticados e que, consequentemente, consomem mais energia”.

Assim, quanto mais populares se tornam as transações com o dinheiro digital, mais estrutura tecnológica e energética serão necessárias, colocando em xeque a administração das criptomoedas em relação à preocupação das empresas com o desequilíbrio ambiental.

  1. Reforma tributária verde

Além de governos e empresas, a preocupação com ESG atinge as Family Offices, empresas dedicadas a gerir o patrimônio e os investimentos de famílias de alta capacidade financeira.

“Na busca por melhores resultados e benefícios para as sociedades envolvidas nas Family Offices, esses pilares ESG são fundamentais para o afastamento dos impactos financeiros e tributários, e ressalvando que os conceitos de governança e compliance estão diretamente ligados, exige-se cada vez mais, dessas sociedades, o implemento  de um compliance tributário rígido visando afastar qualquer responsabilização administrativa ou civil das pessoas jurídicas pelos atos praticados contra a administração pública”, detalharam os advogados do CMARTINS.

A tendência no futuro próximo é de idêntica prática fiscal que observamos em alguns países europeus, nos Estados Unidos e também no Canadá, visto que já se discute no Congresso Nacional uma proposta de “Reforma Tributária Verde” objetivando um crescimento econômico sustentável ao país, no entanto, vale citarmos a vigência das Leis de Incentivo ao Esporte e à Cultura que já representam um importante passo para ingresso das sociedades aos princípios do ESG.

  1. ESG dentro de casa

Segundo a advogada Maria Beatriz Armelin Petroni, do escritório homônimo, as empresas também estão sendo pressionadas a realizar transformações organizacionais, sendo uma delas a remuneração variável e a bonificação de seus executivos a partir do alcance de metas ESG.

“No Brasil, grandes empresas já estão atrelando o pagamento de bônus ao atingimento de metas de sustentabilidade, relativas a questões ambientais, sociais e de governança. No exterior, essa tendência vai além. Como no Reino Unido, onde têm sido discutidas mudanças importantes nas regras de governança corporativa e a obrigatoriedade de devolução de valores pagos a título de bônus aos administradores, em caso de fraudes e práticas de não conformidades. Trata-se, portanto, de uma forma mais efetiva de atingir diretores desonestos”, exemplifica Maria Beatriz.

A advogada destaca que family offices e investidores pessoas físicas, preocupados com a temática do ESG, têm fortalecido a pressão sob a estratégia do negócio das empresas.

“Esses exercícios levam a uma melhora das premissas e práticas adotadas na governança corporativa das empresas, com a criação de políticas ambientais, comitês de diversidade e para a melhoria das relações com os funcionários, para que passem a ser mais justas e, também, de uma análise mais abrangente dos programas de Compliance, incluindo governança de dados”, explica.

A gestão de risco e o ganho de reputação também podem ser evidências do cumprimento de métricas ESG, segundo Maria Beatriz.

  1. Títulos verdes

Segundo o banco sueco Skandinaviska Enskilda Banken (SEB), os Green Bonds, ou ‘títulos verdes’ devem movimentar cerca de US$ 1,2 trilhão este ano globalmente.

Para Maria Beatriz, “várias empresas brasileiras emitiram títulos verdes e captaram recursos no mercado local e internacional, financiando importantes projetos de impacto ambiental. Essas captações também produziram um impacto positivo na reputação dessas empresas, pois deixaram claro o seu propósito de contribuir para projetos importantes do ponto de vista climático. A lista inclui projetos de energia renovável, eficiência energética, controle de poluição e gestão de recursos naturais, por exemplo. Importante notar que os rendimentos para os investidores foram compatíveis com os dos títulos tradicionais no mercado, portanto, não há por que não optar por eles. Vale ressaltar também que a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) reestruturou os índices ISE B 3 (Índice de Sustentabilidade Empresarial) e o ICO2 B3 (Índice Carbono Eficiente) de forma a torná-los mais interessantes para o investidor”.

  1. ESG no Brasil

Segundo Marcella Ungaretti, analista da XP, pelo tema ESG ter ganhado força no país apenas recentemente, o movimento aqui, quando comparado ao cenário internacional, ainda é tímido. “Mas, do lado positivo, nos últimos meses o assunto tem entrado cada vez mais na pauta dos investimentos e todos os olhos estão voltados para essas três letras”. Para a analista, o caminho para o Brasil adiante é longo, mas já vemos avanços consideráveis e o país, cada vez mais, se mostrando preparado para receber investimentos de fundos estrangeiros. “Acreditamos que os avanços na responsabilidade socioambiental e de governança (ESG) nas empresas brasileiras é uma condição quase sine qua non para o estrangeiro ter cada vez maiores posições no país e, embora ainda tenhamos muito o que avançar, estamos caminhando na direção correta”, explica.

Na visão da advogada Maria Beatriz, o Brasil já está preparado para receber investimentos de fundos internacionais de temática ESG.

“Existem muitas empresas brasileiras que já possuem uma boa governança e apresentam boa performance em índices de sustentabilidade. Em 2020 tais empresas performaram melhor que outras que não adotam tais critérios. Essa é uma tese de investimento que tem sido discutida e que tem se provado adequada. Portanto, a percepção geral é que é possível ter retorno financeiro e promover a agenda do desenvolvimento sustentável”.

Em contrapartida, Rodrigues e Teixeira, do CMARTINS, ressaltam que, embora a discussão avance no país, o Brasil ainda não está “completamente preparado” para receber investimentos de fundos internacionais baseados em ESG por falta de uma “visão sistêmica” a longo prazo. “O Brasil precisa avançar rapidamente nestas questões. É importante também debater e implementar novos marcos regulatórios, leis, estímulo fiscal e imposto verde”, reafirmam os advogados.

 

Fonte: Líder.inc | https://revistalide.com.br/noticias/esg/5-questoes-chave-para-fundos-gestoras-e-family-offices-sobre-esg

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Consumidores aceleram a adoção de agenda ESG

Os clientes estão cada vez mais atentos e cobram posicionamentos das empresas e de suas lideranças a respeito de assuntos como sustentabilidade e responsabilidade social.

por Rafael Gagliardi, da LETS Marketing

Hoje, empresas de todos os setores são cobradas, com frequência, a informar de onde e como extraem suas matérias primas, como importam, produzem e entregam suas mercadorias ou prestam seus serviços e, ainda, como tratam seus funcionários, parceiros e consumidores. Até a forma como se relacionam com a comunidade na qual estão inseridos está nos radares de consumidores atentos às questões socioambientais.

Além das exigências dos próprios clientes, outra importante motivação para o setor de consumo adotar práticas ESG (Environmental, Social and Governance) é a necessidade de alinhamento com uma das mais importantes tendências do mercado global.

Consumidores atentos

Recentes estudos nacionais e internacionais demonstram que o respeito à agenda ESG tem influência direta no sucesso competitivo das empresas no longo prazo, com impactos não só no volume dos negócios realizados e investimentos recebidos, mas também nos resultados operacionais e na percepção da própria marca junto aos consumidores, cada vez mais atentos e engajados em questões relacionadas à sustentabilidade.

São inúmeros os selos de qualidade, os rankings setoriais, os controles estatais e os canais de reclamação aos quais as empresas encontram-se submetidas, voluntariamente ou não. “Ao sinal de qualquer irregularidade, as redes sociais, por exemplo, travestem-se de um tribunal implacável e temido, porquanto propagador de juízos, muitas vezes questionáveis, que resultam em campanhas difamatórias e movimentos de consumidores capazes de destruir um negócio ou uma empresa. Por isso, todo cuidado é pouco”, reforça Milton Lautenschläger, advogado e sócio do Queiroz e Lautenschläger Advogados.

Primeiros passos para adoção de práticas ESG

Cercar-se de bons profissionais capazes de identificar fragilidades, de construir políticas e procedimentos internos à luz do que é exigido pelas normas e pelas boas práticas de mercado é recomendação fundamental para qualquer empresário ou administrador atendo a esse movimento.

Para Lautenschläger, a adoção da agenda ESG, mais do que recursos financeiros, exige uma mudança na cultura e nos propósitos empresariais a partir de suas lideranças. “Trata-se de assumir compromissos verdadeiros com a disseminação, junto aos seus colaboradores e consumidores, de práticas sustentáveis de respeito ao meio ambiente, de proteção aos direitos humanos, de eliminação completa e absoluta do trabalho forçado ou compulsório, de abolição do trabalho infantil, de eliminação de discriminações no trabalho, de promoção a uma maior responsabilidade social, de incentivo às tecnologias ambientalmente amigáveis, de combate à corrupção em todas as suas formas, dentre outras iniciativas”, pontua.

São inúmeros os exemplos de companhias que adotam boas práticas sociais, ambientais e de governança e há índices internacionais bastante reconhecidos (MSCI e Sustainalytics, por exemplo) que avaliam e divulgam o nível de aderência de uma determinada empresa às práticas ESG.

O mercado brasileiro também caminha nesse sentido – Em 2005, a Bolsa de Valores do Brasil (B3) criou o seu Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), para análise comparativa da performance das empresas listadas  sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa.

A 16ª carteira do ISE B3 foi anunciada no dia 1º de dezembro de 2020 e vigorará no período de 4 de janeiro de 2021 a 30 de dezembro de 2021. A carteira reúne, atualmente, 46 ações de 39 companhias pertencentes a 15 setores.

“Empresas mais preocupadas com ações sociais, ambientais e de governança estão menos expostas a riscos e, com isso, tendem a ser muito mais respeitadas, admiradas e valorizadas no longo prazo, principalmente por possíveis investidores”, descreve o advogado.

É preciso lembrar, ainda nesse contexto, que embora não haja uma regulação unificada quanto ao ESG no Brasil, há uma tendência regulatória em diversos setores da economia (Lei das Sociedades Anônimas, Política Nacional de Meio Ambiente, Resoluções do BACEN, Instruções da CVM, Lei Geral de Proteção de Dados, Lei do Renovabio, legislações trabalhistas etc.), o que sugere uma crescente preocupação da sociedade com o tema.

 

Fonte: Líder.inc | https://lider.inc/noticias/esg/consumidores-aceleram-a-adocao-de-agenda-esg

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Chegada do 5G pode acelerar o crescimento do país, mas há entraves que freiam o processo

A pré-implantação da Internet das Coisas está na etapa que definirá o edital do leilão previsto para agosto, mas há barreiras a serem ultrapassadas.

por Rafael Gagliardi, da LETS Marketing

Ainda que a data esteja próxima, cabe lembrar que já houve o adiamento dessa definição em um ano. Quando se iniciaram os estudos sobre o tema no Brasil, o prazo estipulado para conclusão era no primeiro semestre de 2020.

Desde as primeiras discussões para implementação do 5G no Brasil, a principal mudança e benefícios observados foram a velocidade da rede, que deve ser ampliada drasticamente. Não se trata ainda da implementação do 5G de forma concreta, mas da disponibilização, nas grandes capitais, de uma rede 4G mais rápida. Algumas companhias chamam essa melhoria de 4.5G ou 4G+.

A grande expectativa em torno da rede 5G não se restringe apenas ao expressivo ganho de velocidade, mas também à menor latência –o tempo de processamento das informações do envio as seu recebimento. Além disso, haverá o aumento da capacidade de conexão, de forma que mais dispositivos poderão estar conectados na mesma região, compartilhando a mesma infraestrutura, sem comprometimento da velocidade e latência.

O Brasil adotará o mesmo modelo de licitação de outros países desenvolvidos, como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. O modelo consiste na licitação de espectros para as operadoras, que são as faixas de frequência em que o 5G será adotado.

Em outras palavras, o governo negociará a implementação e a gestão da internet 5G diretamente com as operadoras telefônicas.

Nesta etapa de pré-implementação já houve a aprovação do edital do leilão pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), órgão técnico responsável pela fiscalização e gestão dos contratos de telecomunicações, e aguarda-se a análise do edital pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O prazo legal de 150 dias para análise do edital não deve ser utilizado pelo TCU, que acordou com o Ministério de Comunicações a conclusão, em até 60 dias, da análise. A Anatel deverá avaliar eventuais sugestões do TCU e promover os ajustes que entender necessários. Depois disso, só faltará a publicação do edital para o leilão acontecer.

“A implementação da rede 5G não será imediata após o leilão. As operadoras terão o prazo estipulado no edital para cumprir com as obrigações de instalação das redes e disponibilização dos serviços aos usuários”, explica a advogada Bruna Cunha Costa, sócia do escritório de advocacia MJ Alves e Burle.

A expectativa é de que, no segundo semestre de 2022, algumas capitais já tenham rede 5G disponível para usuários.

O Brasil está preparado para essa nova tecnologia?

Quando se pensa na preparação do país para receber a rede 5G, também conhecida como Internet Das Coisas (IoT, na sigla em inglês), observamos diferentes dimensões a que essa pergunta pode estar relacionada. “Sem dúvida, o primeiro ponto dessa pergunta está relacionado à implementação do 5G, que pressupõem a instalação da infraestrutura mínima para funcionamento da rede”, diz Ana Carolina Georges e Castro.

Apesar de muito discutido, esse é apenas o aspecto mais imediato a ser observado. “Mesmo com seus desafios e entraves, a instalação da rede 5G não será a principal questão a ser observada no processo de preparação do país para a Internet das Coisas. A maior etapa de preparação será a incorporação da rede pelas indústrias, empresas, Estado e cidadãos em seus modelos de produção, serviço e organização”, reforça Bruna Cunha Costa.

A advogada ainda pontua: “Para que a era da internet das coisas seja uma realidade no Brasil, não basta apenas o sucesso do leilão de frequências e a instalação da infraestrutura adequada para operacionalização do sistema. Será necessário, principalmente, a adaptação dos modelos de negócio e preparação social para pleno aproveitamento de todas as melhorias e facilidades que a rede 5G pretende oferecer”.

A tecnologia 5G pressupõe uma mudança global no modelo de negócios do setor produtivo e de serviços. Essas mudanças, por suas profundidade e complexidade, afetarão a ordem social. Assim, pensar na preparação de um país para o 5G não é um exercício de curto ou médio prazo, mas um desafio de longo prazo. Para desenvolvimento do 5G, as indústrias deverão investir em novos equipamentos que estejam conectados à rede 5G, respondendo com maior velocidade e menor latência; os trabalhadores precisarão de treinamento e conhecimento para operar os novos equipamentos, de forma que haverá a necessidade de qualificação da mão de obra; os consumidores também precisarão estar conectados à rede para acesso e os serviços públicos também deverão se adequar aos novos modelos para não se defasarem.

De forma concreta, o Brasil ainda não está pronto para a receber a tecnologia 5G, mas está se preparando. Não só o Brasil, mas outros 34 países mais desenvolvidos como China, Coreia do Sul, Suíça e Estados Unidos estão em processo de adequação para a implementação da era da internet das coisas.

Não há dúvidas que o Brasil se encontra atualmente em estágio inicial dos esforços que devem ser empreendidos para a plena utilização da tecnologia e está aquém dos avanços já empreendidos nos tigres asiáticos, na Europa e nos Estados Unidos.

Com a expectativa da proximidade do leilão, a preocupação com a celeridade vai cedendo, cada vez mais, espaço para uma discussão mais global – o desafio de desenvolver a tecnologia sem acentuar a desigualdade socioeconômica, de forma a acelerar o crescimento do país e a qualidade de seus produtos e serviços, para atrair investimentos estrangeiros. Nesse processo, será essencial a participação e integração do governo com os entes privados de diferentes setores da economia e com representantes da população.

Aplicações e benefícios para múltiplos setores da economia

Como já destacado, a tecnologia 5G terá aplicação transversal e impactará toda a sociedade e sua forma de organização. Essa mudança não é imediata e uniforme entre os diferentes setores, mas deverá ser gradual e progressiva.

A expectativa é que a implementação do 5G tenha como uma de suas primeiras formas de aplicação na área da saúde. O desenvolvimento da telemedicina, que é a prática da assistência médica com o suporte de tecnologias, seja na interação com os pacientes ou com outros profissionais de saúde.

No que se refere a agricultura, espera-se uma revolução rápida com a completa industrialização do campo e desenvolvimento de polos agrícolas. Já na área de infraestrutura, a aposta inicial é no desenvolvimento de sistemas eficientes e universais de monitoramento e fiscalização para diminuir as burocracias nas autorizações e fiscalizações e melhorar a segurança do transporte de carga, passageiros e condutores.

No setor de entretenimento, espera-se um crescimento vertiginoso da oferta de jogos e eventos em realidade virtual aumentada. No setor de educação, a melhoria da qualidade dos programas de educação à distância, modelo de ensino que é posterior ao 5G, foi universalizado pela pandemia, mas ainda carece de qualidade. No setor produtivo, de forma geral, haverá a informatização de processos e maior uso de equipamentos para eficiência da produção.

Desafios legais para a implementação do 5G

Um dos principais desafios legais para a implementação do 5G no Brasil está relacionado ao conflito de competências entre os entes federativos, especialmente no que se relaciona à instalação das antenas. Apesar de haver uma lei nacional para disciplinar o tema, Lei 13.116/2015 (“Lei de Antenas”), municípios e Estados adotam legislações próprias e específicas com regras diferentes.

“A alta concentração de antenas é requisito essencial para o correto funcionamento da rede 5G”, pontua Bruna Cunha Costa. A minuta atual do edital de licitação da ANATEL estabelece a obrigatoriedade de implementação da infraestrutura mínima de antenas 5G em todas as 26 capitais e o Distrito Federal até julho de 2022.

Sobre o conflito de competência dos entes federativos para regular o tema das antenas de telecomunicações, o Supremo Tribunal federal (STF) reiterou em julgamento recente, de fevereiro de 2021, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6482, a competência privativa da União para legislar o tema. Em maio de 2020, o tema foi debatido pelo STF na ADI 3.110, que declarou a inconstitucionalidade da Lei do Estado de São Paulo n. 10.995/2001 para reconhecer a competência da União no tema.

Ainda com relações aos desafios legais, outro tema de incerteza e insegurança é a inovação estabelecida na minuta aprovada do edital e na Portaria/MCTI nº 1.924/2021 para instalação de uma rede privativa do Governo para comunicações estratégicas. Ambos os instrumentos tratam de forma muito ampla sobre o tema. A Portaria faz apenas uma referência à rede privativa e determina que o detalhamento das regras será estabelecido em norma específica, a ser editada, com os requisitos de segurança da rede privativa. A minuta de edital trata do tema apenas para estabelecer a fonte de custeio da rede.

Saída de Ernesto Araújo do Ministério das Relações Exteriores não deve impactar as articulações relacionadas à infraestrutura do 5G

O posicionamento do Brasil com relação à infraestrutura das redes 5G está disposto no edital do leilão. A minuta aprovada pela ANATEL não prevê restrições a qualquer fornecedor.  Assim, apesar da relevância política e internacional do tema, os padrões de segurança adotados na rede devem ser aqueles dispostos no edital.

Havia rumores, ao longo de 2019 e 2020, que o Brasil poderia seguir o padrão americano, aderindo à iniciativa global “clean network”, que reúne países e empresas que não permitem a utilização de equipamentos de empresas chinesas, como a Huawei e a ZTE. Em novembro de 2020, após visita do Governo dos EUA ao Brasil, o então ministro Ernesto Araújo chegou a anunciar a adesão do Brasil à rede internacional, que reúne países como os Estados Unidos, Japão e Austrália. Em consulta ao site oficial da iniciativa, constata-se, na data de publicação deste artigo, que o Brasil ainda consta como membro participante.

Apesar disso, a minuta aprovada pelo Anatel não previu restrições para fornecedores, mas a criação de uma rede privativa para o Governo. A diferença entre a rede ampla e a rede do governo será o padrão de segurança. Sob o ponto de vista político, a aparente mudança de posição do Brasil com relação ao padrão de segurança para permitir a instalação de equipamentos chineses não pode ser associada apenas ao ex-chanceler, mas deve ser analisada a partir de uma análise geopolítica ampla em que o resultado das eleições americanas, o agravamento da pandemia e a busca por vacina podem ter impacto direto na definição do tema.

LGPD gera confiança na implementação do 5G

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), antes de ser um risco para o desenvolvimento da tecnologia 5G, é uma resposta ao avanço da rede, que cresce equitativamente em importância e risco. Assim, a LGPD não está em conflito com o 5G, mas pode ser considerado uma resposta regulatória do Estado para o crescimento da rede, uma forma de buscar padrões mínimos de organização e segurança ao modelo que vem sendo aperfeiçoado a cada nova geração da internet, de promoção da migração e interoperabilidade das informações do mundo real para o mundo virtual.

“Acredito que, quanto maior o entendimento e confiança da sociedade na implementação das regras da LGPD, mais rápida será a adesão a nova rede 5G”, argumenta a advogada Ana Carolina Georges e Castro. Isso porque a medida em que os usuários tiverem garantias de que os dados pessoais que circulam na rede estarão seguros e resguardados, maior será o interesse em aderir a todas as funcionalidades ofertadas.

As regras da LGPD aprovadas no Brasil tiveram como referência o modelo implementado pela União Europeia para proteção de dados. Essa legislação ampla da União Europeia é observada por diversos países membros que já adotam a tecnologia 5G, como é o caso da França, Alemanha, Itália e Reino. Assim, no âmbito internacional a experiência de outros países comprova a expectativa do Brasil, de que não há conflito ou risco na implementação de regras de proteção de dados para o desenvolvimento do 5G, mas sim uma complementariedade entre as agendas.

 

Fonte: Líder.inc | https://lider.inc/noticias/negocios/chegada-do-5g-pode-acelerar-o-crescimento-do-pais-mas-ha-entraves-que-freiam-o-processo

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Advogadas apontam avanços e desafios para as mulheres no Direito

Na área jurídica, advogadas já são maioria entre as pessoas mais jovens e, aos poucos, têm conquistado posições de liderança. Mas a equidade de gênero ainda é um desafio nos níveis mais altos da carreira.

por Karina Ifanger e Willian Fernandes, da LETS Marketing

 

Nos maiores cargos de gestão empresarial, os ‘C-Level’, já é possível ver mais mulheres. De acordo com pesquisa divulgada este mês pela Page Executive, unidade de negócios da empresa especializada em recrutamento, PageGroup, a presença feminina nestas lideranças aumentou 20% no ano passado.

Na área jurídica, advogadas já são maioria entre as pessoas mais jovens e, aos poucos, têm conquistado posições de liderança. Mas a equidade de gênero ainda é um desafio nos níveis mais altos da carreira.

Para a advogada Adriana Dantas, sócia do escritório homônimo, formado apenas por mulheres, o maior avanço nas carreiras jurídicas, nos últimos anos, decorre da crescente inserção das mulheres em posições de liderança, tanto dentro das empresas, como nos grandes escritórios de advocacia. “Essa inserção tem efeito multiplicador na medida em que clientes mulheres gostam de trabalhar e contratam advogadas mulheres. Na mesma linha, líderes mulheres, sejam sócias ou diretoras e gerentes jurídicas, tendem a ter mais empatia e a auxiliar advogadas mulheres a lidar com desafios, como o equilíbrio entre carreira e maternidade”, diz Adriana, especialista em compliance e comércio internacional, membro do Comitê de Integridade da Petrobras e, há pouco tempo, presidente do comitê de sanções do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Na advocacia, as mulheres já são maioria em 10 estados, segundo pesquisa elaborada em 2020 e são a maioria absoluta entre os inscritos (da OAB) com até 25 anos de idade em todo o Brasil. Apesar do aumento do número de mulheres na profissão, advogadas não são maioria das lideranças em escritórios e empresas. Acho que, hoje, esse é o maior desafio. Por que não há um equilíbrio nos cargos de liderança?”, questiona Rafaela Aiex Parra, sócia e head da área ambiental do escritório Araúz Advogados, especializado no agronegócio.

A ocupação quantitativa de posições de mulheres no contexto jurídico também é lembrada como avanço pela advogada Beatriz Valente Felitte, do escritório Lollato Lopes Rangel e Ribeiro Advogados e especialista em contencioso civil e reestruturação de empresas. “Isso não significa que chegamos ao ideal, principalmente por conta da ainda tímida ocupação em posições de liderança, mas representa algum progresso no assunto. A começar pelo âmbito acadêmico, hoje representamos maioria nos bancos de graduação nas faculdades de Direito no Brasil. Contudo, há muito trabalho pela frente e o grande desafio é fazer com que esse aumento quantitativo se estenda também a cargos de liderança. O fato de o TST (Tribunal Superior do Trabalho) ter sua primeira presidente mulher apenas em 2020 e de não termos indicações de mulheres aos tribunais superiores há 7 anos (desde 2014) é um exemplo claro de que há muito o que fazer”.

Rafaela Parra complementa que “o Conselho Nacional de Justic¸a, no cumprimento de sua missão institucional, publicou, em 4/9/2018, a Resolução CNJ Nº 255 que instituiu a Política Nacional de Incentivo a` Participação Institucional Feminina no Poder Judiciário. Estudo elaborado pelo próprio CNJ, em 2019, aponta que o Poder Judiciário brasileiro e´ composto, em sua maioria, por magistrados do sexo masculino, com apenas 38,8% de magistradas em atividade”.

Muito a avançar

Há advogadas que, mesmo ocupando alto grau de senioridade, um dia, já passaram por situações de constrangimento ou, no mínimo, delicadas.

“Em uma de minhas primeiras audiências, ainda como recém-formada, uma assistente de gabinete me disse, na frente de meu cliente, que o juiz não permitiria meu ingresso na sala de audiências pois a minha calça estaria ‘inadequada’ à liturgia e sugeriu que mulheres usassem saias abaixo do joelho para ir ao fórum. O juiz abriu a audiência e sequer notou minha roupa, mas aquele comentário, vindo de uma mulher no início dos anos 2000, me marcou para sempre. Hoje tenho plena consciência de que minha roupa (e eu estava de terninho) estava totalmente adequada para o exercício da minha função”, conta Beatriz Felitte, do Lollato Lopes Advogados.

Já Adriana Dantas conta que viveu situações de descrédito inicial, sobre as quais precisou enfrentar com muita assertividade e dedicação. “Já passei também por situação de desequilíbrio entre salários, nas quais precisei demonstrar, por meio das realizações e metas cumpridas, a necessidade de um reequilíbrio entre o que eu e o meu par, homem, recebia”, conta.

Rafaela Parra destaca, contudo, ter um ‘privilégio enorme’ por nunca ter sofrido qualquer discriminação por ser mulher. “Tenho consciência que talvez, ou certamente, eu não teria a mesma resposta se tivesse nascido em uma comunidade pobre ou mesmo em outra época histórica. No final sempre penso que as diferenças e as minorias são afetadas muito mais pelas condições financeiras do que pela condição que lhes faz diversos por si só. Liberdade e economia são elos indissociáveis”, explica.

Para Beatriz, ainda, “mais do que a discriminação ou desvantagem explícita, devemos nos preocupar com condutas implícitas, veladas e ‘estruturais’. A porcentagem das mulheres em cargos de liderança em escritórios de advocacia de ponta e no próprio Judiciário – objeto de diversos levantamentos oficiais – é um exemplo de que ainda há um longo caminho até a verdadeira equidade”.

Mulheres em diferentes áreas do Direito

As advogadas analisam também o papel da mulher em suas respectivas áreas do Direito.

Adriana Dantas vê, nas áreas de compliance e comércio internacional, uma atuação de protagonismo feminino maior que em outras áreas.

O contencioso cível, Beatriz Felitte diz que está “repleto de mulheres inspiradoras por seu protagonismo”, mas que ainda haveria um espaço significativo a ocupar, principalmente no ramo mais específico de reestrutura de empresas, ainda preponderantemente masculino. “As empresa e escritórios parecem estar mais à frente nesta luta”.

Já para Rafaela Parra, especialista no Direito do Agronegócio, o “agronegócio é muito democrático. Algo invisível une aqueles que trabalham no setor, homens e mulheres. Conheço e admiro muitas mulheres que trabalham no setor, seja em cargos jurídicos ou não. Temos uma representatividade enorme no agronegócio, a começar pela Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. A mulher com toda a certeza é protagonista no agronegócio, seja em cargos estratégicos como em pesquisas, como referencial acadêmico. Vejo muitas mulheres corajosas e inteligentes, cada uma a seu modo, rechaçando o estigma de que há de existir um estereótipo ranzinza para àquelas que queiram ter sucesso no ambiente de trabalho”, explica.

Maternidade e carreira na pandemia

Além de migrar para o ambiente virtual tarefas como atendimentos a clientes, realização de audiências e reuniões com magistrados e autoridades, e planejamento de estratégias jurídicas em equipe, a pandemia evidenciou ainda mais o desafio de conciliar carreira e maternidade.

Adriana Dantas, além de dirigir um escritório de advocacia e cargos de ética e integridade corporativa em instituições relevantes, tem se dedicado também ao processo de aprendizagem da filha, em fase de alfabetização, cuja mãe é separada. “Com isso, as horas de trabalho ficaram mais reduzidas, mas as demandas, não. Tem sido um período muito cansativo, mas gostoso também. Sinto-me mais próxima e presente na vida e rotina dela (filha)”.

Outro exemplo de dedicação é Beatriz Felitte, do Lollato Lopes Advogados, que se tornou mãe durante a pandemia, quando o home office já havia sido instituído. Como benefício do trabalho em casa, ela destaca “poder amamentar com a regularidade recomendada e ter a presença física com a bebê em 100% do dia, nesta fase, é um enorme privilégio. O ônus desse cenário é, sem dúvida, a organização da agenda. Além do aumento das tarefas que devem caber na mesma quantidade de horas que o dia possui, vídeos e telefonemas com clientes e sessões de julgamento muitas vezes ocorrem em momentos incompatíveis com a agenda de um bebê de poucos meses”. Beatriz destaca dois apoios essenciais para dar conta de todo esse trabalho – a família, que inclui o marido, também em home office, e avós, e “uma equipe extremamente dedicada, pautada pelo team work, que vem aprendendo a flexibilizar horários de compromissos para que tudo seja concluído com a mesma qualidade de sempre”, explica.

Mulheres que fizeram história na advocacia

Rafaela Parra ainda lembra de mulheres que marcaram a história do Direito no Brasil. “Myrthes Gomes de Campos foi a primeira mulher a exercer a advocacia no Brasil, ainda no século XIX. Depois disso, passados quase quatro décadas, Thereza Grisólia Tang e Auri Moura Costa, foram as primeiras mulheres empossadas na função de magistradas”, explica.

“Quanto aos avanços (das mulheres na advocacia), penso ser uma alteração estrutural da sociedade como um todo, onde a mulher passa a ‘ganhar’ voz no ordenamento jurídico nas últimas décadas de redemocratização, sendo enxergada como indivíduo com capacidade civil, que tem direitos e obrigações, descolada de uma figura masculina senhoril e possuindo liberdades individuais garantidas. A sociedade caminha para tirar da mulher um estigma de culpa e submissão, trazendo novas oportunidades, inclusive profissionais”.

Mensagens às jovens formadas em Direito e advogadas do futuro

Adriana Dantas: “Nunca desistam dos seus sonhos e acreditem no seu potencial e capacidade para realizá-los. Encontre uma área que ame e trabalhe com propósito, nada irá lhe segurar”.

Beatriz Valente Felitte: “Unam-se e não se calem. A ideia de que juntas somos mais fortes é totalmente verdadeira. Principalmente em grandes estruturas, é mais fácil ser ouvida em grupo do que sozinha e, institucionalmente, há mais força para implantar novos hábitos e novas políticas. Principalmente para as advogadas que estão iniciando a carreira, além dessa união, diria para quebrarem o silêncio e estimularem sempre o diálogo sobre esse tema. Se alguma conduta abusiva ou discriminatória ocorreu, fale, denuncie, reporte e busque apoio. Acho importante também deixar mensagens não apenas às advogadas mais novas – pois as novas gerações vêm mais fortes do que nós – mas especialmente às mais maduras e já consolidadas nas carreiras: criem oportunidades às mulheres mais novas e estimulem a ocupação desse espaço por suas pares. Enaltecer nossas pares, fazê-las crescer conosco e praticar o que pregamos é um dever de todas nós”.

Rafaela Parra Aiex: “O reino animal pode nos trazer alguma experiência e sabedoria quando o assunto é liderança feminina. Existem algumas espécies nas quais há um protagonismo de liderança bem marcado entre as espécies fêmeas: Abelhas, leoas, hienas são alguns exemplos. A partir da análise da rotina dessas espécies pela ciência, e trazendo os resultados para o ambiente de trabalho, tenho algumas conclusões. Primeiro, nós, mulheres, precisamos acreditar em nossa capacidade e força natural para as tarefas que temos de desenvolver e a partir daí buscar desenvolvê-las. Depois, é preciso que homens e mulheres entendam que, no entanto, é importante não confundir liderança com dominação. A liderança tem muito mais a ver com preservação da equipe, direcionamento, estabelecimento de regras, coordenação dos trabalhos visando um fim comum entre homens e mulheres. Portanto, para as jovens advogadas, deixo a mensagem de que aproveitem o momento propício em que vivemos, onde existe uma evolução dos direitos das mulheres, continuem lutando para serem reconhecidas por sua capacidade de trabalho e não estigmatizadas por questões de gênero, que acreditem em seu potencial intelectual e façam jus ao juramento de busca pela justiça para homens e mulheres, sempre”.

 

Fonte: Líder.inc | https://lider.inc/noticias/gestao/advogadas-apontam-avancos-e-desafios-para-as-mulheres-no-direito

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Como o setor jurídico brasileiro encara a inovação

Mesmo com o tradicionalismo e o conservadorismo, mercado jurídico está pronto para inovar e, ao longo dos últimos anos, vem realizando gradativamente iniciativas nesse sentido, segundo especialistas.

por Rafael Gagliardi, da LETS Marketing

O mercado jurídico está pronto para inovar

Em certa medida, a pandemia da Covid-19 acelerou a adoção de novas metodologias e pensamentos no setor jurídico, uma vez que muitos escritórios tiveram que implementar rapidamente procedimentos, ferramentas, infraestrutura e regras para uso de estruturas digitais.

O mercado jurídico e a prestação de serviços jurídicos, obrigatoriamente, acompanham o desenvolvimento da sociedade. Ela evolui, legislações são criadas e advogados, como operadores do Direito, buscam a inovação como consequência.

“Ao longo dos anos o universo jurídico se blindou de mudanças que pudessem afetar seu status quo. No entanto, são inquestionáveis os recentes avanços no Poder Judiciário, bem como na estrutura dos escritórios e departamentos jurídicos”, afirma André Felix, sócio do Ernesto Borges Advogados e Professor Assistente na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

A digitalização dos processos e tribunais, a possibilidade de realização de audiências virtuais, a criação de inúmeros sistemas operacionais para gestão processuais, a inteligência artificial, os investimentos em marketing jurídico e o desenvolvimento de robôs para auxiliar atividades rotineiras são comprovações de que a criação de solos férteis para a inovação no mercado jurídico se consubstancia de forma prática na massiva predominância dos processos digitais frente aos físicos.

Por obvio, ferramentas de inteligência artificial ou machine learning ainda carecem de robustez e aplicabilidade no Direito, principalmente quando comparamos aos ganhos e avanços gerados em outros setores econômicos. Porém, “os escritórios ainda têm dificuldade em estabelecer budgets para investir em inovação e criar, adquirir ou analisar tecnologias ou ferramentas que possam otimizar suas atividades”, é o que afirma Fabio Alonso Vieira, sócio do Kestener, Granja & Vieira Advogados.

Para Marcel Daltro, Diretor do Nelson Wilians Advogados, “os últimos 15 anos foram disruptivos para a vida de qualquer advogado” e, atualmente, há poucos entraves para que a inovação ocorra dentro dos escritórios de advocacia. Entre eles, maior acesso com baixo custo a tecnologias e atualizações de legislações e regimentos internos.

Presente e futuro dependem do investimento em tecnologia

Atualmente, tanto os escritórios que trabalham nas áreas de direito consultivo quanto contencioso precisam realizar investimentos em tecnologia. Além de tornar o escritório mais competitivo, muitos clientes, direta ou indiretamente, buscam escritórios que facilitem o seu dia a dia. Tais investimentos podem estar relacionados à hardwares (computadores, monitores, servidores, etc) ou à softwares. Com a pandemia da Covid-19, algumas ferramentas como softwares de assinaturas eletrônicas se tornaram populares e já foram incorporadas à rotina dos advogados, assim como soluções para identificação e gestão de processos judiciais, programas de compliance e regras para proteção de dados.

Segundo a pesquisa ‘O impacto da Covid-19 nos escritórios de advocacia’, realizada pela consultoria de marketing jurídico LETS Marketing no início da pandemia, 55% dos respondentes relataram que os investimentos em tecnologia, acelerados pela nova dinâmica do mercado, foram encarados de forma positiva pelos advogados.

“A rapidez no desenvolvimento das atividades cotidianas, a desobrigação de deslocamentos físicos, a facilidade de acesso a informações e conexão diretos com toda sua cadeia de relacionamentos são alguns dos benefícios e economias que a tecnologia pode trazer para a vida de um escritório”, relata Daltro.

Máquinas e robôs devem substituir a função do advogado?

Possivelmente algumas funções do advogado podem, sim, serem substituídas por novas tecnologias, como os acompanhamentos processuais e de decisões judiciais, os arquivamentos societários e a elaboração de alguns contratos, bem como atividades administrativas, como o lançamento de fichas de tempo ou o arquivamento de documentos, antes exercidas por advogados, estagiários e paralegais. Para Vieira, “isso é bom, essas ferramentas vão garantir maior agilidade na prestação de serviços, principalmente aqueles relacionados ao backoffice, e uma personalização maior do serviço jurídico, uma vez que o profissional terá mais tempo para se debruçar sobre as questões estratégicas”, ressaltando que que a presença do advogado em questões consultivas, audiências, negociações ou tratativas ainda será fundamental.

Feliz reforça que “advogados e operadores do direito, precisam mudar seu mindset e entender as novas tecnologias como ferramentas que lhe auxiliarão nas mais variadas atividades, substituindo trabalhos repetitivos, sem desnaturar funções e atividades intelectuais”.

“A chegada de novas ferramentas tecnológicas ao mercado jurídico deve ser encarada como um aprimoramento da prática. Jamais um robô substituirá o estabelecimento da relação de confiança entre o advogado e o seu cliente”, pontua Daltro. Simples atividades acessórias, como uma pesquisa jurisprudencial, que há pouco tempo utilizava horas de um advogado, hoje está a poucos cliques de distância. O real entendimento de uma demanda, suas nuances, definição das melhores estratégias, como isso será colocado em uma peça e despachado com o Juiz, sem falar nas sustentações orais. “Ainda não vi nenhum robô fazendo uma”, reforça.

Lawtechs e legaltechs são parte da cadeia jurídica

Com a pandemia, as lawtechs e legaltechs prosperaram significativamente, uma vez que se tornou necessária a migração das estruturas físicas para as digitais. Tendo em vista que essas empresas buscam oferecer vantagens para o mercado jurídico, como a redução de custos e o aumento da produtividade, apesar da atuação ainda limitada por exigências da OAB, vieram para ficar e auxiliar na criação de uma nova cultura corporativa.

“O mercado jurídico, muito mais aberto ao consumo e tratamento de dados, bem como a implementação de plataformas que auxiliem as tarefas jurídicas”, constata Felix. O maior desafio dessas startups está em desenvolver soluções disruptivas que superem o tratamento de dados para entregar valor as empresas e aos escritórios.

Advogados estão prontos para lidar com clientes que atuam em setores de inovação?

De acordo com Daltro, empresas que lidam com inovação como parte de seus core business, exigem forma e velocidade de atuação distintas das demais. “O aprofundamento e amplo conhecimento de como funciona a área de inovação é indispensável para um advogado que quer se destacar na mesma”. Ao mesmo tempo é importante os escritórios estimularem soluções multidisciplinares, testarem novas aplicações, simplificarem processos e multiplicarem conexões.

Felix constata que “o maior desafio está em romper a blindagem e inovar fora do guarda-chuva do Poder Judiciário” e complementa ser necessária visão transversal e multidisciplinar das “dores” dos clientes para entregar valor que vá além da mera condução processual. “O advogado deve alterar seu foco do processo judicial para o cliente, colocando-o no centro da prestação de serviço em detrimento do arcabouço jurídico”.

Para Vieira, “o profissional que lida com clientes na área de inovação deve ser curioso, atualizado, ter domínio sobre vários assuntos diferentes e ser ágil”. Isto significa, por exemplo, que ao analisar uma questão societária pode-se esbarrar em um impedimento tributário ou vice-versa.  Essas habilidades ajudam o profissional a analisar o cenário completo e tomar uma decisão rápida quanto ao risco que será tomado e qual a extensão deste risco.

Fonte: Líder.inc | https://lider.inc/noticias/gestao/como-o-setor-juridico-brasileiro-encara-a-inovacao

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Mercado imobiliário seguirá atrativo para investimentos, dizem especialistas

O prognóstico é de que o setor se mantenha aquecido ao longo de 2021, com taxas de juros em percentuais ainda atrativos para investimentos. As medidas de isolamento incentivam o investimento na qualidade de vida e, consequente, na busca por novas alocações e moradias.

por Rafael Gagliardi, da LETS Marketing

As expectativas para o setor imobiliário eram enormes no início de 2020, segundo especialistas do setor. No fundo, apesar das especulações sobre o avanço da pandemia no país, não era possível prever o que viria nos meses que sucederam o isolamento social.

Projeções oscilaram freneticamente e, mesmo com todas as dificuldades nos âmbitos social e político, o setor se manteve ativo, com crescimento no volume de vendas e aumento dos lançamentos. “Depois de praticamente um ano atravessando o ciclo pandêmico, o que se viu no final de 2020 foi uma tendência de muitas oportunidades”, descreve Paula Veit Quinan, advogada do escritório NFA – Negrão, Ferrari & Associados Advogados.

Os fatos de a construção civil não ter sido paralisada nesse período, e ser considerada pelo Governo Federal como atividade essencial, ajudou muito na manutenção desse balanço positivo do setor, canalizando recursos financeiros de forma direta e indireta. Segundo o advogado Carlos Ferrari, especialista em Direito Imobiliário, “pessoas físicas, incluindo empresários, continuarão buscando e investindo em imóveis, por se tratar de um produto de reserva de valor. Mais do que isso, tais bens ainda são uma boa fonte para captação de recursos, por meio de Fundos de Investimento Imobiliário (FII), operações de securitização, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), entre outros”.

Em maio de 2020, registrou-se a menor taxa de juros da história do país. Investimentos como a poupança e títulos públicos estavam praticamente congelados, tornando inevitável o aumento do apetite para movimentação das reservas financeiras. Somado a isso, a baixa dos juros foi determinante, encorajando a tomada de compromissos de longo prazo e, consequente, movimentação no mercado.

A tendência gerou um aumento expressivo dos financiamentos tomados com base em recursos alocados na poupança e em outras fontes do financiamento imobiliário (ou seja, crédito voltado para aquisição e construção de imóveis).

“Apesar de toda a crise e do déficit do PIB nacional, que é expressivo, taxas de juros atraentes favorecem o crescimento de toda a cadeia imobiliária. Juntando os fatos das atividades do setor não terem sido paralisadas e as reduções na taxa de juros, criou-se um efeito multiplicador em diversos ângulos, motivando uma série de investimentos imobiliários, já que vemos, no Brasil, uma cultura que foge dos riscos das rendas variáveis”, afirma Ferrari.

Além da abundância de crédito imobiliário, taxas e juros atraentes, com crescimento de 58% ante 2019 (R$124bi), superou o recorde histórico de 2014, resultando no efetivo crescimento no volume de vendas. Só em dezembro do ano passado, os resultados surpreenderam, chegando a R$ 17,5 bi, o maior na série histórica iniciada em 1994.

Segundo a advogada Paula Quinan, “as estatísticas mostram que a aquisição imobiliária ainda prevalece como uma prioridade para o brasileiro e a nossa cultura financeira tem em si a necessidade de segurança e manutenção patrimonial”.

Como segmento imobiliário caminha em ciclos de expansão, superoferta, recessão e recuperação, a depender do tipo e uso do imóvel (como galpões logísticos, escritórios, shopping centers, residenciais, loteamentos), o investidor poderá identificar maior ou menor proximidade do momento chave para a realização do investimento, que segue atraente na média cíclica, sem esquecer o ciclo virtuoso gerado pela construção civil na cadeia econômica.

Expectativa do setor imobiliário para 2021

Mesmo com as fragilidades geradas pela segunda onda de Covid-19, além das incertezas políticas e fiscais, os índices mostram um caminho pujante e o volume de trabalho para aprovação de novas estruturações imobiliárias aumenta a cada dia, o que renova o otimismo da grande maioria dos especialistas no setor.

As medidas de isolamento que se mantêm, de certa forma, cooperam para a permanência do comportamento experimentado ao longo do ano passado, pelo contato diário e praticamente integral com o ambiente doméstico – O que acabou despertando maior ímpeto ao investimento na qualidade de vida e, consequente, na busca por novas alocações e moradias.

Para Ferrari, “o Brasil precisa de elementos básicos para se manter em uma trajetória sustentável de crescimento. Com o coronavírus no radar e incertezas no mercado de trabalho, há a percepção de que vamos atrasar a superação da crise sanitária que está diretamente vinculada com a nossa economia. E esses são dois fatores indissociáveis”.

O advogado ainda reforça que a saúde do setor imobiliário, daqui para frente, dependerá de energia política e disposição econômica para conduzir reformas tributárias e administrativas. Se nada disso for feito, podemos terminar o ano fragilizados, uma vez que estamos sofrendo uma grave exposição à inflação. “Um prédio leva cerca de 48 meses para ficar pronto. Iniciar um investimento sem saber o custo final de produção gera uma imprevisibilidade que desincentiva empresários”, exemplifica Ferrari.

Mesmo assim, o prognóstico é de que o setor se mantenha aquecido ao longo do ano, com taxas de juros em percentuais ainda atrativos para investimentos. Em sua rotina, Paula Veit Quinan constata que departamentos de due diligence têm trabalhado intensamente em negócios que, muito em breve, serão novos empreendimentos lançados ao mercado: “Para exemplificar essa movimentação, em nosso escritório, houve um crescimento de 62% nos serviços de constituição e oferta pública de fundos imobiliários (FII), saltamos de 13 operações em 2019, para 21 em 2020, superando R$4bi em captações via FII. Em operações de securitização, com a emissão de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), a demanda foi ainda maior, superando 2019 em 169%, saindo de 16 CRIs em 2019 para 43 CRIs em 2020”.

 

Fonte: Líder.inc | https://lider.inc/noticias/economia/mercado-imobiliario-seguira-atrativo-para-investimentos-dizem-especialistas

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Advogadas apontam avanços e desafios para as mulheres no Direito

Na área jurídica, advogadas já são maioria entre as pessoas mais jovens e, aos poucos, têm conquistado posições de liderança. Mas a equidade de gênero ainda é um desafio nos níveis mais altos da carreira.

por Karina Ifanger e Willian Fernandes, da LETS Marketing

Nos maiores cargos de gestão empresarial, os ‘C-Level’, já é possível ver mais mulheres. De acordo com pesquisa divulgada este mês pela Page Executive, unidade de negócios da empresa especializada em recrutamento, PageGroup, a presença feminina nestas lideranças aumentou 20% no ano passado.

Na área jurídica, advogadas já são maioria entre as pessoas mais jovens e, aos poucos, têm conquistado posições de liderança. Mas a equidade de gênero ainda é um desafio nos níveis mais altos da carreira.

Para a advogada Adriana Dantas, sócia do escritório homônimo, formado apenas por mulheres, o maior avanço nas carreiras jurídicas, nos últimos anos, decorre da crescente inserção das mulheres em posições de liderança, tanto dentro das empresas, como nos grandes escritórios de advocacia. “Essa inserção tem efeito multiplicador na medida em que clientes mulheres gostam de trabalhar e contratam advogadas mulheres. Na mesma linha, líderes mulheres, sejam sócias ou diretoras e gerentes jurídicas, tendem a ter mais empatia e a auxiliar advogadas mulheres a lidar com desafios, como o equilíbrio entre carreira e maternidade”, diz Adriana, especialista em compliance e comércio internacional, membro do Comitê de Integridade da Petrobras e, há pouco tempo, presidente do comitê de sanções do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Na advocacia, as mulheres já são maioria em 10 estados, segundo pesquisa elaborada em 2020 e são a maioria absoluta entre os inscritos (da OAB) com até 25 anos de idade em todo o Brasil. Apesar do aumento do número de mulheres na profissão, advogadas não são maioria das lideranças em escritórios e empresas. Acho que, hoje, esse é o maior desafio. Por que não há um equilíbrio nos cargos de liderança?”, questiona Rafaela Aiex Parra, sócia e head da área ambiental do escritório Araúz Advogados, especializado no agronegócio.

A ocupação quantitativa de posições de mulheres no contexto jurídico também é lembrada como avanço pela advogada Beatriz Valente Felitte, do escritório Lollato Lopes Rangel e Ribeiro Advogados e especialista em contencioso civil e reestruturação de empresas. “Isso não significa que chegamos ao ideal, principalmente por conta da ainda tímida ocupação em posições de liderança, mas representa algum progresso no assunto. A começar pelo âmbito acadêmico, hoje representamos maioria nos bancos de graduação nas faculdades de Direito no Brasil. Contudo, há muito trabalho pela frente e o grande desafio é fazer com que esse aumento quantitativo se estenda também a cargos de liderança. O fato de o TST (Tribunal Superior do Trabalho) ter sua primeira presidente mulher apenas em 2020 e de não termos indicações de mulheres aos tribunais superiores há 7 anos (desde 2014) é um exemplo claro de que há muito o que fazer”.

Rafaela Parra complementa que “o Conselho Nacional de Justic¸a, no cumprimento de sua missão institucional, publicou, em 4/9/2018, a Resolução CNJ Nº 255 que instituiu a Política Nacional de Incentivo a` Participação Institucional Feminina no Poder Judiciário. Estudo elaborado pelo próprio CNJ, em 2019, aponta que o Poder Judiciário brasileiro e´ composto, em sua maioria, por magistrados do sexo masculino, com apenas 38,8% de magistradas em atividade”.

Muito a avançar

Há advogadas que, mesmo ocupando alto grau de senioridade, um dia, já passaram por situações de constrangimento ou, no mínimo, delicadas.

“Em uma de minhas primeiras audiências, ainda como recém-formada, uma assistente de gabinete me disse, na frente de meu cliente, que o juiz não permitiria meu ingresso na sala de audiências pois a minha calça estaria ‘inadequada’ à liturgia e sugeriu que mulheres usassem saias abaixo do joelho para ir ao fórum. O juiz abriu a audiência e sequer notou minha roupa, mas aquele comentário, vindo de uma mulher no início dos anos 2000, me marcou para sempre. Hoje tenho plena consciência de que minha roupa (e eu estava de terninho) estava totalmente adequada para o exercício da minha função”, conta Beatriz Felitte, do Lollato Lopes Advogados.

Já Adriana Dantas conta que viveu situações de descrédito inicial, sobre as quais precisou enfrentar com muita assertividade e dedicação. “Já passei também por situação de desequilíbrio entre salários, nas quais precisei demonstrar, por meio das realizações e metas cumpridas, a necessidade de um reequilíbrio entre o que eu e o meu par, homem, recebia”, conta.

Rafaela Parra destaca, contudo, ter um ‘privilégio enorme’ por nunca ter sofrido qualquer discriminação por ser mulher. “Tenho consciência que talvez, ou certamente, eu não teria a mesma resposta se tivesse nascido em uma comunidade pobre ou mesmo em outra época histórica. No final sempre penso que as diferenças e as minorias são afetadas muito mais pelas condições financeiras do que pela condição que lhes faz diversos por si só. Liberdade e economia são elos indissociáveis”, explica.

Para Beatriz, ainda, “mais do que a discriminação ou desvantagem explícita, devemos nos preocupar com condutas implícitas, veladas e ‘estruturais’. A porcentagem das mulheres em cargos de liderança em escritórios de advocacia de ponta e no próprio Judiciário – objeto de diversos levantamentos oficiais – é um exemplo de que ainda há um longo caminho até a verdadeira equidade”.

Mulheres em diferentes áreas do Direito

As advogadas analisam também o papel da mulher em suas respectivas áreas do Direito.

Adriana Dantas vê, nas áreas de compliance e comércio internacional, uma atuação de protagonismo feminino maior que em outras áreas.

O contencioso cível, Beatriz Felitte diz que está “repleto de mulheres inspiradoras por seu protagonismo”, mas que ainda haveria um espaço significativo a ocupar, principalmente no ramo mais específico de reestrutura de empresas, ainda preponderantemente masculino. “As empresa e escritórios parecem estar mais à frente nesta luta”.

Já para Rafaela Parra, especialista no Direito do Agronegócio, o “agronegócio é muito democrático. Algo invisível une aqueles que trabalham no setor, homens e mulheres. Conheço e admiro muitas mulheres que trabalham no setor, seja em cargos jurídicos ou não. Temos uma representatividade enorme no agronegócio, a começar pela Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. A mulher com toda a certeza é protagonista no agronegócio, seja em cargos estratégicos como em pesquisas, como referencial acadêmico. Vejo muitas mulheres corajosas e inteligentes, cada uma a seu modo, rechaçando o estigma de que há de existir um estereótipo ranzinza para àquelas que queiram ter sucesso no ambiente de trabalho”, explica.

Maternidade e carreira na pandemia

Além de migrar para o ambiente virtual tarefas como atendimentos a clientes, realização de audiências e reuniões com magistrados e autoridades, e planejamento de estratégias jurídicas em equipe, a pandemia evidenciou ainda mais o desafio de conciliar carreira e maternidade.

Adriana Dantas, além de dirigir um escritório de advocacia e cargos de ética e integridade corporativa em instituições relevantes, tem se dedicado também ao processo de aprendizagem da filha, em fase de alfabetização, cuja mãe é separada. “Com isso, as horas de trabalho ficaram mais reduzidas, mas as demandas, não. Tem sido um período muito cansativo, mas gostoso também. Sinto-me mais próxima e presente na vida e rotina dela (filha)”.

Outro exemplo de dedicação é Beatriz Felitte, do Lollato Lopes Advogados, que se tornou mãe durante a pandemia, quando o home office já havia sido instituído. Como benefício do trabalho em casa, ela destaca “poder amamentar com a regularidade recomendada e ter a presença física com a bebê em 100% do dia, nesta fase, é um enorme privilégio. O ônus desse cenário é, sem dúvida, a organização da agenda. Além do aumento das tarefas que devem caber na mesma quantidade de horas que o dia possui, vídeos e telefonemas com clientes e sessões de julgamento muitas vezes ocorrem em momentos incompatíveis com a agenda de um bebê de poucos meses”. Beatriz destaca dois apoios essenciais para dar conta de todo esse trabalho – a família, que inclui o marido, também em home office, e avós, e “uma equipe extremamente dedicada, pautada pelo team work, que vem aprendendo a flexibilizar horários de compromissos para que tudo seja concluído com a mesma qualidade de sempre”, explica.

Mulheres que fizeram história na advocacia

Rafaela Parra ainda lembra de mulheres que marcaram a história do Direito no Brasil. “Myrthes Gomes de Campos foi a primeira mulher a exercer a advocacia no Brasil, ainda no século XIX. Depois disso, passados quase quatro décadas, Thereza Grisólia Tang e Auri Moura Costa, foram as primeiras mulheres empossadas na função de magistradas”, explica.

“Quanto aos avanços (das mulheres na advocacia), penso ser uma alteração estrutural da sociedade como um todo, onde a mulher passa a ‘ganhar’ voz no ordenamento jurídico nas últimas décadas de redemocratização, sendo enxergada como indivíduo com capacidade civil, que tem direitos e obrigações, descolada de uma figura masculina senhoril e possuindo liberdades individuais garantidas. A sociedade caminha para tirar da mulher um estigma de culpa e submissão, trazendo novas oportunidades, inclusive profissionais”.

Mensagens às jovens formadas em Direito e advogadas do futuro

Adriana Dantas: “Nunca desistam dos seus sonhos e acreditem no seu potencial e capacidade para realizá-los. Encontre uma área que ame e trabalhe com propósito, nada irá lhe segurar”.

Beatriz Valente Felitte: “Unam-se e não se calem. A ideia de que juntas somos mais fortes é totalmente verdadeira. Principalmente em grandes estruturas, é mais fácil ser ouvida em grupo do que sozinha e, institucionalmente, há mais força para implantar novos hábitos e novas políticas. Principalmente para as advogadas que estão iniciando a carreira, além dessa união, diria para quebrarem o silêncio e estimularem sempre o diálogo sobre esse tema. Se alguma conduta abusiva ou discriminatória ocorreu, fale, denuncie, reporte e busque apoio. Acho importante também deixar mensagens não apenas às advogadas mais novas – pois as novas gerações vêm mais fortes do que nós – mas especialmente às mais maduras e já consolidadas nas carreiras: criem oportunidades às mulheres mais novas e estimulem a ocupação desse espaço por suas pares. Enaltecer nossas pares, fazê-las crescer conosco e praticar o que pregamos é um dever de todas nós”.

Rafaela Parra Aiex: “O reino animal pode nos trazer alguma experiência e sabedoria quando o assunto é liderança feminina. Existem algumas espécies nas quais há um protagonismo de liderança bem marcado entre as espécies fêmeas: Abelhas, leoas, hienas são alguns exemplos. A partir da análise da rotina dessas espécies pela ciência, e trazendo os resultados para o ambiente de trabalho, tenho algumas conclusões. Primeiro, nós, mulheres, precisamos acreditar em nossa capacidade e força natural para as tarefas que temos de desenvolver e a partir daí buscar desenvolvê-las. Depois, é preciso que homens e mulheres entendam que, no entanto, é importante não confundir liderança com dominação. A liderança tem muito mais a ver com preservação da equipe, direcionamento, estabelecimento de regras, coordenação dos trabalhos visando um fim comum entre homens e mulheres. Portanto, para as jovens advogadas, deixo a mensagem de que aproveitem o momento propício em que vivemos, onde existe uma evolução dos direitos das mulheres, continuem lutando para serem reconhecidas por sua capacidade de trabalho e não estigmatizadas por questões de gênero, que acreditem em seu potencial intelectual e façam jus ao juramento de busca pela justiça para homens e mulheres, sempre”.

 

Fonte: Líder.inc | https://lider.inc/noticias/gestao/advogadas-apontam-avancos-e-desafios-para-as-mulheres-no-direito

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Vozes femininas em foco

Da expressão ao reconhecimento de mulheres no mercado jurídico

Por Alexandra Strick, Amanda Paccola, Isadora Camargo, Karina Ifanger e Thaís Rago

Todo dia 8 de março, o mundo homenageia as mulheres pelas lutas que resultaram nos avanços para a igualdade de gêneros e que são representadas, desde 1975, pelo Dia Internacional da Mulher.

No mercado de trabalho, apesar das conquistas, o caminho ainda é longo, principalmente em termos de equiparação salarial e da inserção de mulheres em cargos de liderança. Apesar de pesquisas diversas apontarem que um ambiente de trabalho mais igualitário favorece, inclusive, os resultados financeiros das instituições, dados de 2018 do Fórum Econômico Mundial apontam que ainda serão necessários mais de dois séculos para alcançar paridade no ambiente corporativo.

Na LETS Marketing, consultoria especializada em marketing jurídico, a representação feminina permeia áreas que vão da criação de conteúdo à inserção de clientes nos rankings jurídicos internacionais. E os desafios ainda são muitos! A fim de renuir algumas características e estratégias do marketing jurídico voltada às mulheres, este artigo assinado pelas consultoras da LETS, apresenta um mapeamento de avanços e direções da comunicação e dos reconhecimentos dedicados a ala feminina no setor jurídico.

Escritórios de advocacia precisam de mulheres na liderança

Na LETS Marketing, o contato com diferentes escritórios de advocacia é diário, e a necessidade de inclusão de mulheres em cargos de liderança é um tema amplamente discutido e que merece holofotes.

Existem, hoje, diretoras jurídicas que descartam determinados prestadores de serviços jurídicos, quando equipes à frente do caso não incluem ao menos uma advogada com senioridade. Cada vez mais elas querem ser atendidas por quem as conhece e as reconhece. Um escritório sem mulheres com voz protagonista pode sugerir um indício negativo para o mercado.

Por isso, é fundamental estruturar um plano de cultura corporativa, endomarketing e gestão de pessoas que permita o desenvolvimento da carreira e a ascensão das mulheres nos escritórios. Esse projeto pode iniciar com um diagnóstico feito a partir de uma pesquisa interna de clima, com os colaboradores, acerca do papel da mulher no escritório e com debates sobre os vieses inconscientes que podem atrapalhar as carreiras femininas. Outras etapas podem ser o mapeamento dos clientes, entendendo quais deles mais valorizam a presença de mulheres na liderança. Com o uso de ferramentas de comunicação, esse projeto pode ir muito mais longe.

Conteúdo e Design

Mulheres estão na pauta ou na ordem do dia. No entanto, muitas vezes, relacionadas a desigualdade de gênero, violência ou falta de equiparação salarial e condições de trabalho. Positivamente, o setor jurídico também vem demonstrando empatia e valorização dos perfis femininos como diferenciais em cargos executivos, por exemplo, além de investir na divulgação de conteúdos protagonizados por mulheres. Inclusão, diversidade e igualdade de gênero passam à frente de toda gestão comunicativa.

Mulheres, além de protagonistas, passam a assinar comunicações diversas, além de promover dinâmicas empresariais arrojadas e plurais. Nos espaços do direito, nota-se ainda uma presença feminina majoritária nos escritórios e firmas dedicadas às mulheres ou formadas só por lideranças femininas.

Uma preocupação atual da gestão informativa é promover conteúdos e comunicações dedicadas às mulheres. Nas Artes e no Design, por exemplo, representar a mulher também é um exercício de busca por liberdade de ser, escolher, opinar, vestir, pensar, errar e criar. É um flerte criativo que auxilia no rompimento do sexismo laboral ou mesmo da anulação que muitas mulheres sofrem em seus ambientes de trabalho, de estudo ou na própria casa.

Onde estavam as artistas, as escritoras nos tempos de renascença, por exemplo? Com o passar do tempo, algumas poucas geniais foram devidamente reconhecidas, mas a grande maioria não teve a menor chance de visibilidade. Pensando nisso é importante reconhecer os avanços e transformações sociais, ainda que convivamos em um abismo no que tange a igualdade dos sexos.

No entanto, sororidade tem sido um lema motivador e também caracterizador da exposição e expressão de mulheres mais unidas e livres, o que se reflete diretamente no trabalho da comunicação visual, onde ideias e representação feminina são melhor acolhidas e debatidas na atualidade.

Imprensa e a voz feminina

Dar voz às mulheres é mais uma forma de emponderá-las. É preciso representação! E nada melhor que vermos mulheres compartilhando visões, experiências e expertise em grandes meios de comunicação, para tratarmos o debate de forma abrangente e inclusiva.

Muito já avançamos, com mulheres em programas de esportes e de política, e inseridas em outros cenários antes prioritariamente masculinos. Mas o caminho é longo e pede a colaboração de cada um para que esse espaço seja cada vez mais inclusivo. Nos próprios escritórios de advocacia, em assessoria de imprensa, área que coordena as relações com a mídia, é necessário um olhar especial para o tema. A maioria das bancas ainda é dominada por sócios homens e é papel das áreas de comunicação incentivar que as mulheres se tornem porta-vozes desses escritórios e tenham, cada vez mais, lugar de fala. Tanto para comentar os avanços das ações internas – como a criação de grupos pró-diversidade – que podem servir de exemplo para outros escritórios, como para analisar temas relacionados às áreas do Direito em que as sócias e advogadas estejam inseridas.

Rankings jurídicos e as mulheres

O mundo dos rankings jurídicos é prioritariamente masculino. Embora tenhamos visto, nos últimos anos, lançamentos de pesquisas dedicadas exclusivamente a mulheres e preocupações dos diretórios com a diversidade, a presença feminina ainda é tímida. Nos países latino-americanos, a representação é ainda menor do que pensamos. Em uma apuração amostral é possível notar que menos de um terço dos reconhecimentos são dedicados às profissionais femininas.

Este cenário também se reflete na liderança das bancas brasileiras. Conforme dados do guia Brazil’s Best Counsel 2021, da publicação Leaders League Brasil, em média, as mulheres representam apenas 31% das sociedades¹. As especialidades do Direito com maior presença feminina são Media & Entertainment, com 61%, e Fashion Law, com 55%. Em contrapartida, há áreas compostas por menos de 20%, como Public Law, Mining, Debt e Equity Capital Markets.

Interessante destacar, ainda sobre o guia da Leaders League, a disparidade entre áreas mais tradicionais do Direito em comparação às mais atuais. É possível notar que a presença feminina é mais forte no setor de inovação.

Os índices nos revelam muito sobre a desigualdade de gênero que ainda perdura no mercado de trabalho, não apenas no meio jurídico.

Mesmo assim, existe otimismo com a preocupação genuína dos rankings nos últimos anos, incentivando escritórios a reportar suas iniciativas sobre diversidade e a informar a porcentagem de mulheres em suas sociedades. Animadas, também, com as campanhas de escritórios de advocacia e empresas em reconhecer o movimento feminista. No entanto, ainda há um longo caminho pela frente, repleto de esperança e determinação.

O compromisso, então, é revelar as vozes e a credibilidade feminina presentes nos escritórios de advocacia, garantindo à prática do marketing jurídico uma legítima expressão da pluralidade humana.

¹ levantamento de 45 áreas do Direito e de escritórios reconhecidos na pesquisa.

Crescimento profissional e a maternidade

Apesar dos passos significantes em direção à igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, a maternidade é (ainda) um empasse para a ascensão das mulheres também no ambiente jurídico. Nos Estados Unidos e no Brasil, o público feminino já é maioria nas universidades de Direito, o que não é realidade nos cargos mais seniores e nas sociedades dos escritórios de advocacia, nos dois países.  E um dos maiores desafios para ascensão dessas mulheres é a maternidade.

Quando se aproximam da idade ou do período em que serão promovidas a sócias ou que pretendem se tornar mães, as mulheres, muitas vezes, sentem que devem escolher um caminho em vez do outro, o que está longe do ideal. No entanto, um dos movimentos mais importantes que ajudaram as mulheres a alcançar cargos de liderança em escritórios de advocacia e outras empresas foram as adaptações em relação à maternidade. Muitas empresas internacionais passaram a oferecer aos funcionários benefícios como licença-maternidade prolongada, creche no prédio de escritórios, congelamento de óvulos, entre outros.

Ao tratar a maternidade com empatia e ações concretas na sociedade corporativa, abrimos as portas para um grupo maior de candidatas brilhantes que alguns anos atrás não seriam capazes de se imaginar no topo da escada corporativa. Isso não quer dizer que todas as mulheres devam abraçar a maternidade, mas é vital que exista essa escolha.

Embora não haja uma única maneira de alcançar a igualdade, há uma série de ações tangíveis e acessíveis de promover as mulheres no local de trabalho. Melhores programas de mentoria, incentivo e apoio (incluindo financeiros) para busca de graus educacionais mais avançados, e oportunidades de trabalho em outros países, são formas de desenvolver a liderança feminina dentro das empresas e escritórios.

Os negócios globais são consideravelmente mais lucrativos e bem-sucedidos quando têm mulheres em cargos de liderança e, portanto, é imperativo que nós, como comunidade internacional, nos unamos para promover as mulheres em todos os setores. E todos esses avanços significam a força do que as mulheres podem alcançar quando lutam por um objetivo comum. Vamos juntas!

 

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Sem Carnaval, turismo pode ter legalização dos cassinos em 2021

Apesar de enfrentar resistência das bancadas mais conservadoras no Congresso Nacional, a possibilidade de reaver a liberação dos jogos de azar e legalizar o funcionamento de cassinos em território nacional continua em discussão. Especialistas acreditam que o mercado pode ser legalizado ainda em 2021.

por Rafael Gagliardi, da LETS Marketing

Muito se fala sobre a estimativa de que a receita advinda de cassinos e de sua exploração possa chegar a bilhões de reais. Ainda, um assunto sempre discutido sobre o assunto é referente à geração de grande quantidade de empregos diretos, tanto na fase de construção e reformas, quanto em oportunidades durante o funcionamento desses complexos. Tudo isso, sem falar sobre a atração de capital, que seria um dos maiores motivos para hoje se permitir que cassinos voltem a operar no Brasil.

Os defensores da liberalização dos cassinos no Brasil argumentam que a geração de empregos e a arrecadação fiscal estimada poderá custear programas sociais em 2021 sem ferir o teto de gastos, além de servir como fator de atração de investimentos internacionais nos chamados ‘resorts integrados’.

Esse assunto ganhou protagonismo quando o Projeto de Lei n. 4495/2020 foi posto em tramitação e recebeu parecer favorável da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR). Esse PL se soma a outros quatro que, com redações distintas, defendem a legalização dos jogos de azar no Brasil.

Segunda a advogada Carla Junqueira, especialista em comércio internacional, “a legalização dos jogos de cassino dentro dos ‘resorts integrados’, seguida de um processo de concessão para exploração, poderia atrair grandes investidores para o mercado de turismo brasileiro, dinamizando a atividade econômica em todas as regiões do Brasil”.

No dia sete de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisará a possibilidade de exploração dos jogos de azar. Trata-se de julgamento no bojo do Recurso Extraordinário (RE) n. 966.177, que decidirá acerca da tipicidade da conduta de exploração de jogos de azar em face à Constituição Federal – se tal atividade foi recepcionada pela Carta Magna e, portanto, é considerada contravenção penal. Isto porque a Lei de Contravenções Penais é de 1941, enquanto nossa Constituição Federal atual, de 1988.

O tema foi incluído como Repercussão Geral.  Isto é, a sua decisão terá impacto direto em outros processos iguais que tenham o tema semelhante. Portanto, vê-se efeito em aspectos sociais, econômicos e políticos.

A expectativa de mudanças positivas, caso a Suprema Corte decida pela não criminalização da exploração dos jogos no país, movimenta o mercado como um todo. Isto possibilitará que se retomem discussões acerca de receitas advindas da atividade, a exploração econômica direta do mercado, o incentivo ao turismo por meio da exploração e novas opções de investimentos (nacional e estrangeiro).

“Hoje, passamos por uma crise econômica, principalmente advinda da pandemia em curso, que pode se agravar caso o Estado não tenha recursos suficientes para bancar as contas públicas e realizar os investimentos necessários para o enfrentamento das consequências”, pontua a advogada Bárbara Teles, especialista em Relações Governamentais.

O mercado de jogos pode ser visto como uma ampliação do rol de receitas do estado – desde que regras de governança e saúde pública estejam aliadas. A abertura deste mercado traz ganhos positivos para o setor do turismo, um dos mais impactados pelo isolamento social.

O setor de turismo teve forte retração e, apesar do empenho do governo, a perspectiva é de que o impacto continue por alguns anos. Um dos exemplos foi o cancelamento do Carnaval em 2021, considerada uma das principais festas para o setor.

Existem cidades brasileiras que dependem diretamente da folia do Carnaval para o sustento de diversos segmentos, o que não foi possível este ano. Além do aspecto cultural mundialmente conhecido, o Carnaval é altamente proveitoso para o setor do turismo local, responsável por movimentar enorme quantitativo de renda, incrementar o setor hoteleiro, ampliar as viagens nacionais, movimentar a economia de cidades locais, acrescer ou sustentar restaurantes, dentre outros setores diretamente impactados. Nos estados de Pernambuco e Rio de Janeiro, por exemplo, o incremento na economia nesse período supera anualmente a cifra dos bilhões em arrecadação.

“Assim, frente ao grande desgaste econômico, uma das saídas para o setor de turismo é a possibilidade de implementação de cassinos no país. As estruturas desses grandes complexos podem potencializar áreas menos desenvolvidas, ampliar a fonte de receitas e engrandecer estruturas turísticas do Brasil”, ressalta Bárbara Teles.

A exploração dos jogos no Brasil e a possibilidade de implementação de cassinos, quando legalizados, podem ser propulsores econômicos para movimentação de receitas, impactando postos de trabalho (existentes e a serem criados) e atraindo importantes investidores para o país. “Com a devida legalização, de forma a proporcionar segurança jurídica, regras de governança e prevenção à saúde pública e criminalização, será muito benéfica ao país”, diz Carla Junqueira.

Bárbara Teles ainda pontua que “não se pode simplesmente vetar esse debate por conta de restrições hipotéticas. Seria como alguém querer proibir uma corrida de carros porque podem ocorrer acidentes. O foco do debate deve ser na solução, e não somente nos problemas.”

Como foi a proibição dos cassinos no Brasil?

À época em que os cassinos foram proibidos no Brasil, em 1946, de uma noite para a outra, o País deixou de operar suas grandes casas de apostas e, consequentemente, não houve mais receita advinda de jogos e cassinos. O impacto econômico foi ainda mais sentido em cidades brasileiras que tinham o turismo como principal forma de sobrevivência, como em Petrópolis, no Rio de Janeiro, e em Poços de Caldas e Lambari, em Minas Gerais. Até hoje, grande público brasileiro viaja internacionalmente para ter acesso à infraestrutura de cassinos e resorts integrados fora do país.

Com relação ao jogo, o Instituto Brasileiro Jogo Legal (IBJL) estima que as apostas clandestinas no Brasil somam R$ 18,9 bilhões, os quais não há reversão de percentuais para os cofres públicos por conta da não legalidade de tais modalidades. Na mesma linha, o Instituto indica que os jogos podem arrecadar cerca de R$ 20,4 bilhões por ano em impostos e tributos. Essa estimativa inclui todas as modalidades de jogos, mas, ainda assim, chama a atenção para a grande arrecadação gerada pela exploração dos jogos, em um momento em que o país precisa de receitas para se reerguer pós-crise.

Os cassinos possuem impacto direto no incentivo ao turismo de importante regiões – principalmente o turismo de luxo, o qual poderia gerar grandes montantes aos cofres públicos.

Os cassinos podem ser novamente legalizados no Brasil?

Com o grande impacto econômico advindo da pandemia de covid-19, o orçamento brasileiro precisa ser reavaliado e otimizado. Uma das formas de se ampliar as receitas é a possibilidade de implementação de cassinos no país, investimentos esses que já tiveram manifestações favoráveis de grandes grupos econômicos nacionais e internacionais. O atrativo gerado pela reinstalação de cassinos no país demonstrará um aumento de receita para os cofres públicos e, ainda, incluirá o país em rotas internacionais conquistando um novo público de turistas.

Apesar de enfrentar resistência das bancadas mais conservadoras no Congresso Nacional, a possibilidade de reaver o tema e legalizar o funcionamento de cassinos em território nacional vem sendo discutido pelo governo, por importantes parlamentares e medidas foram tomadas para a inclusão do tema na agenda governamental.

Por meio do Decreto 10.349, de 13 de maio de 2020, a Presidência da República instituiu um Comitê Interministerial com vistas a estudar alternativas regulatórias para promoção e fomento de investimentos privados no setor de turismo brasileiro. Com tal medida, o governo busca a implementação de novos empreendimentos e aproveitamento turístico de ativos naturais e culturais no Brasil.

A intenção com a liberação de cassinos é que se possam retomar investimentos (domésticos e estrangeiros) a partir do estabelecimento desses empreendimentos, podendo gerar receitas em torno de hospedagens, viagens (marítimas, como cruzeiros, inclusive) e incentivo a determinados estados para a ampliação de sua visitação a partir da atratividade das atividades turísticas.

É claro que se deve pensar de maneira responsável sobre o tema. A implementação de cassinos e até mesmo a legalização de determinadas modalidades de jogos no Brasil devem prever boas e claras regras de prevenção a crimes financeiros e cuidados com a saúde pública, atrelado à boas práticas internacionais que podem servir de referência para o avanço do tema.

 

Fonte: Líder.inc | https://lider.inc/noticias/economia/sem-carnaval-turismo-pode-ter-legalizacao-dos-cassinos-em-2021

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