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Clientes

Category: Clientes

Saiba como usar o Inbound Marketing

Encantar é a chave para advogados

Em um mercado jurídico em que 1,5 milhão de advogados disputam a atenção de um público saturado de informações, o diferencial deixou de ser apenas técnico. Hoje, a questão central é: como criar uma relação de confiança, relevância e encantamento com potenciais clientes antes mesmo de uma reunião acontecer? O Inbound Marketing oferece essa resposta. Mais do que uma metodologia de atração, ele é uma estratégia de conexão — e, quando aplicada ao universo jurídico, pode transformar completamente a forma como escritórios geram oportunidades e fortalecem suas marcas.

Por Rafael Gagliardi

A nova lógica da atração

O Inbound Marketing parte de um princípio simples: em vez de interromper pessoas com mensagens publicitárias, você as atrai oferecendo conteúdo útil, relevante e consistente. Essa lógica é especialmente valiosa no Direito, onde a credibilidade é o ativo mais importante. Ao produzir artigos, guias, vídeos, podcasts ou newsletters que resolvem dúvidas reais, o advogado se posiciona como autoridade, gera confiança e cria uma comunidade ao redor de seu conhecimento.

A base do Inbound está em quatro pilares: atrair, converter, fechar e encantar. São etapas que, quando bem estruturadas, transformam desconhecidos em clientes fiéis e, mais do que isso, em defensores da sua marca. A grande diferença é que, em vez de focar apenas na venda do serviço jurídico, o escritório passa a construir uma experiência de valor contínua.

O primeiro passo: atrair com propósito

Atrair não é sinônimo de aparecer. Muitos escritórios investem em publicações regulares nas redes sociais sem uma estratégia clara, acreditando que frequência é o suficiente. Não é. É preciso alinhar cada conteúdo ao perfil ideal de cliente — aquele que você realmente deseja atender e que valoriza seu diferencial.

A definição de personas jurídicas é essencial. Um escritório tributário, por exemplo, pode identificar três perfis principais: o diretor financeiro de uma empresa média, o investidor pessoa física e o empreendedor do agronegócio. Cada um deles tem dores, linguagens e momentos diferentes na jornada de decisão. Entender essas nuances é o que torna o conteúdo relevante e direcionado.

O SEO também tem papel fundamental. Pesquisar palavras-chave específicas, usar termos jurídicos corretamente e criar textos que respondam às buscas reais das pessoas aumentam o alcance orgânico e reforçam o posicionamento do escritório como referência digital.

Converter com inteligência e empatia

Depois de atrair o visitante certo, é hora de transformar interesse em oportunidade. No Inbound, isso se chama conversão — e ela acontece quando o usuário realiza uma ação de engajamento, como baixar um material, se inscrever em uma newsletter ou preencher um formulário para receber atualizações.

No setor jurídico, conversão deve ser tratada com cuidado. As restrições éticas do Provimento 205/2021 da OAB exigem que o marketing jurídico preserve a sobriedade e o propósito informativo. Por isso, é importante que as chamadas para ação sejam discretas, educativas e ofereçam valor real, sem promessas ou apelos comerciais. Um bom exemplo é oferecer um e-book gratuito sobre planejamento sucessório, um infográfico explicando as fases de uma licitação ou um diagnóstico gratuito de maturidade em compliance.

Esses formatos permitem que o escritório capte contatos de forma ética e, ao mesmo tempo, crie um funil de relacionamento baseado em troca de valor.

Fechar com estratégia e timing

Nem todo lead está pronto para contratar um serviço jurídico imediatamente. Muitos estão em fase de aprendizado, buscando entender o problema ou comparando opções. O papel do escritório é acompanhar esse processo com consistência, nutrindo o relacionamento com informações relevantes até o momento da decisão.

Ferramentas de CRM ajudam a organizar esse fluxo. É possível registrar interações, identificar o estágio de cada contato e programar comunicações personalizadas — por exemplo, um e-mail sobre a nova legislação de proteção de dados enviado apenas a leads que demonstraram interesse prévio no tema.

A jornada do cliente jurídico é longa. Fechar um contrato é resultado de confiança acumulada. E isso não acontece com insistência, mas com relevância.

Encantar: o ativo invisível que gera negócios

Encantar é o estágio mais subestimado do Inbound Marketing, mas também o mais poderoso. No mercado jurídico, o encantamento é o que transforma clientes satisfeitos em promotores da marca.

Como escritórios podem encantar? A resposta está em pequenos gestos: comunicações claras, relatórios bem estruturados, entregas dentro do prazo, contato pós-serviço e feedbacks ativos. Quando o cliente se sente ouvido e valorizado, ele não apenas volta a contratar, mas indica o escritório a outros.

O encantamento também passa pela produção de conteúdo para quem já é cliente. Boletins personalizados, workshops exclusivos, lives sobre jurisprudências recentes ou tendências regulatórias são exemplos práticos de como continuar agregando valor mesmo após a entrega do serviço.

Em um cenário em que a advocacia consultiva cresce e a retenção é tão estratégica quanto a prospecção, encantar é a métrica que mais importa.

O papel do Inbound Marketing na advocacia moderna

O Inbound Marketing é, em essência, uma metodologia de construção de autoridade. E autoridade no Direito é sinônimo de reputação. Escritórios que investem em estratégias de conteúdo, automação e relacionamento estão fortalecendo um ativo que nenhuma campanha paga consegue replicar: confiança.

Segundo pesquisa da HubSpot (2024), empresas que adotam Inbound Marketing geram 54% mais leads qualificados e reduzem em até 60% o custo de aquisição de clientes. No setor jurídico, esses números são ainda mais expressivos, porque a maioria dos escritórios ainda depende fortemente de indicações. O Inbound permite escalar essa lógica — mantendo o toque humano, mas ampliando o alcance.

Escritórios de diferentes portes já perceberam que o Inbound não substitui o networking tradicional, ele o potencializa. O que antes era uma conversa de café agora pode começar com um artigo no LinkedIn, um vídeo educativo ou uma newsletter semanal. A autoridade que nasce do conteúdo gera interesse genuíno e atrai o tipo certo de cliente: aquele que chega já convencido de que você é a melhor opção.

Aplicações práticas no dia a dia do escritório

Implementar o Inbound em um escritório de advocacia exige método. Comece com um diagnóstico: quais áreas de atuação geram mais oportunidades? Que tipo de cliente você quer atrair? Quais temas jurídicos despertam mais dúvidas?

Com base nisso, desenhe uma linha editorial que una especialização técnica e relevância pública. A área de Direito Tributário, por exemplo, pode produzir uma série de artigos sobre Reforma Tributária, enquanto um time de Direito Trabalhista pode criar conteúdos sobre o impacto da IA nas relações de trabalho.

Integre o marketing de conteúdo a ferramentas de automação e análise de dados. Plataformas como RD Station, HubSpot ou Mautic ajudam a rastrear o comportamento dos visitantes e a mensurar o que realmente gera conversão. Assim, o escritório deixa de atuar por intuição e passa a decidir com base em dados.

O ideal é que cada material tenha um objetivo claro dentro da jornada: atrair, nutrir, converter ou encantar. Esse mapa de relacionamento orienta o investimento de tempo e recursos de maneira mais estratégica.

Inbound jurídico: ética e diferenciação

Uma das maiores vantagens do Inbound para advogados é a aderência às normas éticas. Diferente de estratégias agressivas de publicidade, o Inbound é baseado em educação e informação. Ele não promove o profissional de forma direta, mas o posiciona como referência intelectual.

Além disso, o formato se alinha à tendência de consumerização do Direito — um movimento em que o cliente se comporta como consumidor de informações, buscando clareza, transparência e proximidade. O advogado que comunica bem e oferece conhecimento acessível conquista confiança antes mesmo do primeiro contato.

Ao adotar o Inbound, o escritório deixa de falar apenas de si e passa a falar com o cliente. Essa inversão de foco é o que gera diferenciação real.

Cultura de encantamento: o futuro do marketing jurídico

Encantar não é apenas uma etapa da metodologia; é uma filosofia. O escritório que internaliza esse conceito não trata o marketing como vitrine, mas como extensão de sua cultura. Cada interação — um e-mail, uma reunião, uma publicação — se torna uma oportunidade de gerar experiência positiva.

Clientes encantados são os melhores divulgadores de um escritório. Eles compartilham cases, recomendam profissionais e amplificam a reputação da marca de forma orgânica. Em um ambiente tão sensível à credibilidade quanto o jurídico, isso é ouro.

“Encantar é entender que o relacionamento com o cliente começa muito antes da contratação e continua muito depois da entrega.” Essa visão norteia a forma como os escritórios mais modernos estão repensando sua comunicação. O encantamento cria vínculo, e o vínculo gera negócios sustentáveis.

O ponto de virada: de serviço para experiência

O Inbound Marketing é mais do que uma técnica de geração de leads. É uma filosofia centrada no cliente. E no Direito, onde a confiança é o eixo de toda relação, essa filosofia ganha ainda mais força.

O advogado que entende o poder do encantamento transforma cada interação em um ponto de contato estratégico. Ele atrai pelo conteúdo, converte pela empatia, fecha pela autoridade e encanta pela experiência.

Essa é a essência do Inbound aplicado à advocacia: humanizar o jurídico, escalar relacionamentos e gerar resultados sustentáveis. E, acima de tudo, encantar — porque, no fim das contas, é isso que faz o cliente lembrar, confiar e recomendar.

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10 previsões: o departamento jurídico do futuro

Mas o amanhã já começou para quem está atento às transformações

O que você imagina quando pensa no departamento jurídico do futuro? Equipes repletas de advogados em empresas tradicionais, ou times multidisciplinares conectados à tecnologia, capazes de gerar valor estratégico em escala? A KPMG divulgou um artigo com 10 previsões para o futuro das áreas jurídicas (fonte: KPMG), e seus insights merecem atenção. Este conteúdo se inspira nessas projeções para refletir sobre como escritórios de advocacia e empresas no Brasil podem se preparar.

Por Rafael Gagliardi

Advogados não serão maioria nas equipes jurídicas

A ideia de que departamentos jurídicos são formados quase exclusivamente por advogados começa a perder força. O avanço da inteligência artificial, das automações e da demanda por eficiência coloca em cena novos perfis: cientistas de dados, engenheiros de prompts, especialistas em operações, profissionais de gestão de projetos e até analistas de risco que não têm formação em Direito.

Isso significa que você, advogado, terá de aprender a colaborar em times verdadeiramente híbridos. Não se trata apenas de delegar tarefas repetitivas para máquinas ou para paralegais, mas de construir um ecossistema em que cada profissional tenha clareza de sua contribuição para o valor final entregue ao cliente ou à empresa.

Pergunte-se: você já está pronto para trabalhar lado a lado com especialistas de tecnologia e dados, assumindo o papel de estrategista?


CLM como tecnologia corporativa

Até 2030, os sistemas de gestão do ciclo de vida de contratos (CLM) não serão apenas softwares isolados. Eles estarão integrados a plataformas corporativas, servindo como fonte única da verdade para todas as contratações da organização.

Isso muda radicalmente o papel do departamento jurídico do futuro: ele passa a ser o guardião dos contratos, responsável por assegurar eficiência, reduzir custos, extrair valor de cada cláusula e antecipar riscos.

No Brasil, muitos escritórios ainda trabalham com contratos em pastas e planilhas. O futuro pede integração total, com alertas automatizados sobre prazos, métricas de desempenho contratual e relatórios em tempo real para os executivos.


Serviços jurídicos além da consultoria

Os clientes — internos ou externos — não querem apenas “opiniões jurídicas”. Eles buscam soluções completas, que combinem consultoria, tecnologia, gestão de riscos e até a implementação de ferramentas.

É por isso que os chamados “fornecedores alternativos de serviços jurídicos” deixam de ser “alternativos” e passam a ocupar espaço no centro do mercado. Firmas de tecnologia e consultorias de negócios já oferecem pacotes de soluções que incluem análise de dados, automação de contratos e operação de fluxos jurídicos inteiros.

Você vai continuar disputando clientes apenas no campo da argumentação jurídica, ou vai expandir sua atuação para entregar resultados mais palpáveis?


Dados são tão importantes quanto o Direito

Saber interpretar dados contratuais, de mercado e de desempenho será tão relevante quanto dominar a legislação. O jurídico do futuro não se limita a validar cláusulas, mas mede se contratos geraram valor, se prazos foram cumpridos e se fornecedores entregaram como prometido.

Isso exige desenvolver competências de análise e adotar ferramentas de BI (Business Intelligence) que conversem com o restante da empresa. A pergunta deixa de ser apenas “é legal ou não?” e passa a incluir “qual foi o retorno gerado?”.


O jurídico será medido pelo valor que cria

O sucesso de um departamento jurídico deixará de ser avaliado apenas por evitar riscos. A régua passará a incluir indicadores como aceleração de receitas, redução de custos e aumento da eficiência dos processos.

Com ferramentas de IA capazes de entregar insights em segundos, a liderança jurídica poderá comprovar, com dados, que suas decisões encurtam ciclos de vendas, evitam litígios caros e aumentam a margem de contratos.

Essa mudança traz um desafio: advogados precisarão justificar investimentos em tecnologia e pessoas com base em ROI (Retorno sobre Investimento). Você já está preparado para falar a linguagem financeira do negócio?


Experiência do cliente em primeiro lugar

O que pesa mais: a profundidade técnica de uma análise ou a experiência que o cliente tem ao lidar com você? A resposta está mudando. Empresas esperam interações fluidas, rápidas e personalizadas.

Com IA absorvendo parte do trabalho técnico, o diferencial humano passa a ser a qualidade da relação. O advogado do futuro será lembrado não apenas pela precisão jurídica, mas pela forma como guia o cliente, entende seus dilemas e entrega soluções acessíveis.


Trabalho padronizado será automatizado ou terceirizado

Atividades repetitivas, como petições padronizadas ou contratos simples, migrarão para sistemas de autoatendimento ou para fornecedores de custo variável. Isso libera os times jurídicos para trabalhos de maior valor estratégico.

O desafio será equilibrar eficiência com experiência. As soluções de autoatendimento precisam ser simples e confiáveis, de modo que clientes internos não sintam que estão sendo “abandonados” ao lidar com a tecnologia.


Contratações instantâneas

A negociação de contratos já está migrando para plataformas digitais. Em poucos anos, veremos sistemas capazes de redigir automaticamente termos contratuais com base em histórico, performance e tolerância a riscos da empresa.

A revisão manual dará lugar a fluxos padronizados com controles de versão, cláusulas pré-aprovadas e integrações com outras áreas do negócio. Isso exige confiança nos modelos de IA e clareza sobre os limites de automação.


Cultura e mudança de mentalidade

Nenhuma transformação acontece sem pessoas dispostas a mudar. O jurídico do futuro precisará de líderes capazes de convencer equipes sobre os benefícios da tecnologia e de investir tempo em gestão da mudança.

Resistências são naturais: muitos profissionais veem a IA como ameaça à sua relevância. O papel da liderança será mostrar que a tecnologia não substitui o advogado, mas redefine sua atuação para níveis mais estratégicos.


Liderança ampliada

O tradicional General Counsel já não será suficiente. O futuro pede estruturas de liderança mais amplas, com funções como Chief Legal Operating Officer (COO), Chief Legal Technology Officer (CTO) e Chief Legal Data Officer (CDO).

Esses papéis garantem que a área jurídica opere de forma eficiente, use tecnologia de ponta e extraia valor dos dados. Mais do que administrar processos, líderes jurídicos precisarão se posicionar como executivos que influenciam diretamente a estratégia da empresa.


O que isso significa para você

Essas dez previsões mostram que o departamento jurídico do futuro será multidisciplinar, integrado e orientado a dados. Mas também será humano, exigindo empatia e visão de negócios.

A questão não é se essas mudanças vão chegar ao Brasil, mas quando e como você vai reagir. Vai esperar que seu concorrente lidere essa transformação ou vai assumir o protagonismo dentro do seu escritório?

O futuro não elimina advogados, mas redefine o seu papel. E cabe a cada um decidir se será lembrado como quem resistiu ou como quem liderou essa nova era.

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A IA vai substituir advogados?

Mas calma que não será hoje

O uso de inteligência artificial no Direito cresce em ritmo acelerado, mas também traz tropeços que reforçam a importância da supervisão humana. De tribunais estaduais ao STF, decisões recentes mostram que confiar cegamente na tecnologia pode gerar multas, processos disciplinares e até acusações de má-fé. Se você atua na advocacia, vale refletir: até que ponto é seguro adotar ferramentas de IA no dia a dia sem critérios claros de revisão?

Por Rafael Gagliardi

Casos recentes mostram o risco

No Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), um recurso recheado de jurisprudências e doutrinas inexistentes custou caro. O advogado admitiu ter usado IA sem checar as referências. O tribunal aplicou multa de 10% sobre o valor atualizado da causa e comunicou o episódio à OAB/SC. O relator destacou que a prática ameaça induzir juízes ao erro e afronta o dever de veracidade. (Divulgado na TJSC – LINK)

Na Bahia, uma advogada foi punida em dez salários mínimos após petição com precedentes falsos. Ela afirmou que o texto havia sido elaborado por um estagiário do escritório que quis “mostrar serviço” ao usar IA sem autorização. O juiz entendeu que a defesa violou a dignidade da Justiça e expediu ofício à OAB/BA. (Divulgado em Migalhas – LINK)

Em Mogi das Cruzes (SP), a 3ª Vara do Trabalho rejeitou embargos de declaração apresentados por empresa de segurança. O juiz destacou que a peça era genérica, sem revisão e baseada em premissas equivocadas, típica de produção automática sem análise crítica. A multa incluiu 2% por caráter protelatório e 5% por litigância de má-fé. (Divulgado no TRT-2 – LINK)

No Supremo Tribunal Federal, o ministro Cristiano Zanin rejeitou reclamação constitucional com precedentes inexistentes e menções falsas a súmulas. Para ele, a peça foi feita com recurso de IA sem qualquer revisão posterior, configurando má-fé. O caso foi encaminhado ao CFOAB e à OAB/BA. (Divulgado em Migalhas – LINK)

Na arena internacional, reportagem da MIT Technology Review Brasil destacou episódios nos EUA e em Israel. Um juiz da Califórnia multou em US$ 31 mil um escritório por petição com artigos inexistentes, atribuídos a modelos de IA. Outro caso envolveu promotores israelenses que citaram leis que não existiam, admitindo depois o uso inadequado da tecnologia. Especialistas alertam: as chamadas “alucinações” de IA não diminuíram, estão se tornando mais comuns e até grandes escritórios já caíram nessa armadilha. (Divulgado na MIT Technology Review Brasil – LINK)

Esses exemplos deixam claro: IA pode ser útil, mas não substitui o crivo técnico do advogado. A pressa em usar ferramentas sem revisão crítica pode minar reputações, gerar prejuízos e até comprometer a confiança do Judiciário. Se a tecnologia deve ser parceira, cabe a você decidir se quer que ela trabalhe ao seu lado ou contra você.

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Copia e cola: o risco de replicar concorrentes na advocacia

O risco de replicar concorrentes na advocacia

No mercado jurídico, há um fenômeno recorrente: escritórios que moldam sua identidade e estratégia a partir do que veem nos concorrentes. Uma nova identidade visual lançada por um grande player inspira outro, que por sua vez inspira outro, até que o que deveria ser referência se transforma em repetição. O resultado é uma cadeia de cópias, em que o diferencial de cada marca na advocacia se dilui em uma massa homogênea. O efeito é claro: a inovação perde espaço, a percepção de valor se esvazia e a distinção entre líderes e seguidores desaparece.

Por Rafael Gagliardi

Em um setor tradicional como o jurídico, a busca por segurança leva muitos a mirar no que já foi validado por outros. Isso explica porque logotipos semelhantes, sites com estruturas idênticas e estratégias de comunicação quase padronizadas se multiplicam. O problema é que, quando todos copiam os mesmos elementos, a suposta diferenciação se torna invisível. O cliente olha e enxerga mais do mesmo.

Esse efeito cascata não se restringe à estética. Ele aparece em discursos institucionais, descrições de áreas de prática, newsletters e até em como os escritórios abordam pautas de mercado. O que nasce como inspiração rapidamente vira dependência. A consequência é a perda da autenticidade.

Quando a prioridade é copiar, não sobra espaço para criar. Escritórios que se preocupam em replicar modelos alheios deixam de investir em iniciativas originais, que poderiam gerar autoridade real e engajamento genuíno. Além disso, há um risco estratégico: se todos fazem o mesmo, a única variável de competição passa a ser preço. E competir por preço nunca é saudável no longo prazo.

A falta de inovação também mina a cultura interna. Times de marketing, advogados e gestores acabam operando em piloto automático, reproduzindo o que “funciona” no mercado, em vez de pensar em soluções adaptadas ao seu público específico. O resultado é previsível: oportunidades de crescimento ficam pelo caminho.

Riscos para a marca

O impacto de copiar não é apenas criativo, é também reputacional. Uma marca que transmite pouca originalidade gera desconfiança. Clientes podem questionar se o escritório também não replica estratégias jurídicas em vez de desenvolver soluções sob medida. Além disso, em um ambiente regulado como o da advocacia, copiar textos, imagens ou estratégias pode gerar não só problemas éticos, mas também jurídicos.

Há ainda a questão do branding digital. Motores de busca e algoritmos identificam conteúdo duplicado, penalizando a visibilidade de quem replica. Ou seja, além de ser malvisto pelo público, copiar pode reduzir a presença online do escritório.

Foco no cliente, não no concorrente

Escritórios existem para servir clientes, não para satisfazer a vaidade de parecer iguais a outros. Se a comunicação, os conteúdos e a forma de se posicionar não partem das dores reais dos clientes, dificilmente geram impacto. Perguntas como “o que meu concorrente publicou ontem?” deveriam ser substituídas por “quais desafios meu cliente enfrenta hoje?”.

Estudos de caso, conteúdos educativos, explicações de novas regulações e análises setoriais são oportunidades de mostrar autoridade sem copiar ninguém. O diferencial vem da conexão com a realidade do público atendido, não da comparação com quem atua ao lado.

Seguir o que já foi feito é confortável. Liderar exige coragem. Liderar é assumir que nem sempre haverá modelo pronto, que será necessário arriscar e, eventualmente, errar. Mas é nesse espaço que surgem as marcas mais fortes.

Os líderes não estão preocupados em replicar tendências, mas em definir caminhos. Criam formatos de eventos, estabelecem narrativas únicas, constroem campanhas proprietárias. Isso demanda visão estratégica e confiança, mas gera uma vantagem competitiva difícil de copiar.

Como analisar concorrentes com inteligência

Observar o que outros escritórios fazem é importante. O problema não está em analisar, mas em reproduzir sem filtro. O monitoramento da concorrência deve servir como diagnóstico, não como manual de instruções.

É útil entender como um concorrente se posiciona em rankings, quais pautas aborda em artigos, como estrutura seu site e que tipo de eventos organiza. A partir daí, cabe perguntar:

  • Que lacunas eles deixam?
  • Que temas eles ignoram?
  • Que públicos não estão sendo atendidos?

A inteligência competitiva precisa gerar insights para diferenciação, não para imitação. O valor está em mapear oportunidades e construir respostas exclusivas, ajustadas ao perfil e às metas do seu escritório.

No setor jurídico, a prática de copiar cria uma estagnação coletiva. Um escritório lança um modelo de newsletter, dezenas repetem. Outro investe em determinada rede social, os demais seguem. Em pouco tempo, o público é bombardeado por formatos idênticos, o que reduz a eficácia de todos.

Esse comportamento em cadeia transforma concorrentes em clones. E quando todos são iguais, ninguém se destaca. O único caminho para sair desse ciclo é romper com a dependência de modelos alheios e desenvolver estratégias originais, ainda que demandem mais tempo de maturação.

Você pode continuar observando o que os concorrentes fazem e correr para replicar. Ou pode decidir construir uma marca que não dependa de comparações. O primeiro caminho leva ao esquecimento. O segundo, ao reconhecimento.

No fim, a pergunta que todo advogado e gestor deve fazer é simples: você quer ser lembrado como mais um ou como referência?

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OAB impede cold call e coloca SDR em xeque na advocacia

Cold Calls

Decisão da OAB-SP impede cold call e coloca o SDR em xeque na advocacia. Contato para apresentação institucional fere princípio da passividade na publicidade, aponta decisão do Tribunal de Ética e Disciplina

Por Willian Fernandes

O Código de Ética e Disciplina da Advocacia veda a prática de contato telefônico, com empresas, para realização de apresentação institucional.

Essa é a decisão publicada pelo Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (TED da OAB-SP) no último dia 17 de julho de 2025.

A turma analisou o caso de um escritório de advocacia que teria a prática de abordar empresas proativamente, a fim de propor reuniões para apresentação institucional.

Em linguagem de marketing, afinal, estamos falando de uma prática de Sales Development Representative (SDR), que temos visto ganhar espaço nas estratégias de prospecção outbound dos escritórios de advocacia, apesar de controvérsias agora ainda mais esclarecidas.

Mas antes que você ache que estamos condenando totalmente o SDR, saiba que não estamos. Nossa divergência sobre tal prática de SDR é parcial.

Afinal, estamos apenas confirmando o que já presumíamos – ela tem sido mal-usada na advocacia.

Agora, voltemos à decisão.

O voto do relator, que prevaleceu, destaca quatro pontos fundamentais para entendermos os limites do SDR:

  • (i) a conduta de realização ligação ativa a empresas, ainda que com fins institucionais, representa captação indireta de clientes e fere princípios da publicidade na advocacia, como a discrição, a moderação e a passividade;
  • (ii) Ainda que não haja oferta de serviços, há infração ética, porque a publicidade deve ser informativa e não intrusiva;
  • (iii) É recomendada que a apresentação institucional seja feita pelo o que chamamos de inbound marketing, ou publicidade passiva, que é o marketing de atração a sites e afins, sem contato ativo;
  • (iv) Já haveria precedentes que reforçariam todos os pontos anteriores.

Houve divergência de votos, contudo, no sentido de permitir que o advogado possa entrar em contato proativo com empresas, desde que não ofereça serviços, promete resultados, não incentive litígio ou busque a captação de forma desleal.

A divergência, contudo, não prosperou.

Efeitos da decisão

Aqui, na LETS Marketing, presumimos que tal precedente possa ser usado de forma elástica também para eventuais casos de envios massivos de e-mail com o chamado ‘cold call’, afinal, no intuito de apresentar o escritório de advocacia para novos contatos empresariais.

Certamente, isso coloca a estratégia de prospecção, ou marketing outbound, em situação sensível. No entanto, fortalece a importância do inbound marketing.

Como se aproximar de contatos específicos, então?

Observe, sobretudo, que a decisão reforça a inadmissibilidade do contato não informativo e intrusivo.

Portanto, uma estratégia de SDR adequada poderia levar conteúdo relevante e informativo para um contato que já pertence à base de leads com o devido consentimento.

Isso pode ser construído, principalmente, com o uso do LinkedIN, onde as solicitações de conexão podem ser aceitas, ou em mensagens de e-mail que justifiquem legítimo interesse do destinatário no conteúdo.

Para isso, enfim, uma equipe profissional e altamente qualificada de marketing jurídico é insubstituível.

Veja abaixo a decisão na íntegra


PUBLICIDADE – CONTATO TELEFÔNICO ATIVO PARA APRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL DO ESCRITÓRIO – ABORDAGEM DIRETA A EMPRESAS – VEDAÇÃO À CAPTAÇÃO DE CLIENTELA – INFRAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA MODERAÇÃO E PASSIVIDADE ÉTICA – PUBLICIDADE NÃO AUTORIZADA PELO PROVIMENTO CFOAB N.º 205/2021.

A prática de contato telefônico ativo, realizado por advogado junto a empresas, com o objetivo de apresentação institucional do escritório, ainda que sem oferta direta de serviços jurídicos, configura conduta vedada pelo Código de Ética e pelo Provimento CFOAB n.º 205/2021. Tal iniciativa representa forma indireta de captação de clientela e rompe com o princípio da passividade da publicidade na advocacia, cujo caráter deve ser estritamente informativo, discreto e reativo. A moderação na exposição pública do advogado não se limita à forma do conteúdo, mas exige postura compatível com a dignidade da função, vedando comportamentos típicos de prospecção mercantil.

Consulta conhecida. Conduta reprovada. Recomendação de readequação da prática. Proc. 25.0886.2025.003539-5 – v.m., em 17/07/2025, parecer e ementa do Rel. original Dr. Diego Augusto Sassiloto, com declaração de voto divergente do Rel. Dr. Cláudio Felippe Zalaf, Rev. Dr. Karinne Ansiliero Angelin Bunazar, Presidente Dr. Jairo Haber.

Relatório
Submete-se à apreciação desta Turma Deontológica consulta formulada por advogado regularmente inscrito nesta Seccional, o qual questiona quanto à conduta de realizar contato telefônico com empresas, com o objetivo de se apresentar como advogado e propor a realização de reunião para apresentação institucional do escritório. Esclarece que não há, no primeiro contato, proposta direta de prestação de serviços ou de contratação, limitando-se o intuito a uma apresentação formal e institucional. Indaga se tal conduta estaria em consonância com o Código de Ética e Disciplina da OAB.

Voto

  1. Fundamentação
    Conhecida a consulta, cumpre analisar seu mérito à luz dos princípios que regem a publicidade da advocacia, conforme previstos no Código de Ética e Disciplina da OAB e no Provimento CFOAB n.º 205/2021. Nos termos do art. 5º do referido provimento, “é vedado ao advogado utilizar-se de estratégias de marketing que caracterizem proselitismo profissional, direta ou indiretamente”. O contato telefônico ativo não solicitado, ainda que travestido de institucionalidade, enquadra-se no conceito de abordagem proativa vedada.

O exercício da advocacia possui natureza pública e se submete a balizas éticas rigorosas, especialmente no que tange à forma como o advogado se apresenta perante a sociedade. A publicidade na advocacia é admitida apenas nos limites da informação objetiva, moderada e discreta, vedando-se toda e qualquer prática que configure captação de clientela ou mercantilização da profissão.

O Código de Ética e Disciplina estabelece, em seu art. 7º: “O exercício da advocacia é incompatível com qualquer procedimento de mercantilização.”
E, no art. 39: “É vedado ao advogado valer-se de meios promocionais destinados à captação de clientela ou à mercantilização da profissão.”

O Provimento CFOAB n.º 205/2021, por sua vez, autoriza a publicidade informativa, desde que observadas as seguintes condições (art. 6º):

  • Ausência de oferta de serviços jurídicos;

  • Não abordagem de casos concretos;

  • Não indução à contratação;

  • Caráter passivo da comunicação.

Embora a intenção declarada pelo consulente seja institucional, o ato de iniciar contato com empresas de forma ativa e não provocada, ainda que para se apresentar, excede os limites da moderação e configura prática incompatível com a sobriedade exigida do exercício da advocacia. A moderação exigida na publicidade da advocacia não se resume à aparência ou forma, mas traduz um compromisso funcional com os valores da discrição, da sobriedade e da imparcialidade que sustentam a credibilidade do exercício profissional. Ao evitar abordagens promocionais ou invasivas, o advogado preserva a confiança social na sua atuação e resguarda os contornos institucionais da profissão.

Conclusão
Ante o exposto, voto no sentido de que:

  1. A conduta de realizar ligações telefônicas ativas a empresas, com o fim de apresentar institucionalmente o escritório de advocacia, caracteriza infração ética, por representar forma de captação indireta de clientela e violar os princípios da moderação, discrição e passividade impostos à publicidade profissional na advocacia;

  2. Ainda que não haja oferta expressa de serviços jurídicos no primeiro contato, a iniciativa proativa do advogado rompe com os limites da publicidade autorizada, cujo caráter deve ser informativo e não intrusivo;

  3. Recomenda-se que a apresentação institucional de escritórios de advocacia seja feita por meios passivos e neutros, como sites institucionais, publicações técnicas, conteúdos de cunho educativo e participação em eventos jurídicos, sempre observando o teor do Provimento CFOAB n.º 205/2021;

  4. Consulta conhecida. No mérito, a conduta é reprovada. Recomenda-se a imediata readequação das práticas de comunicação institucional do consulente, com estrita observância aos preceitos éticos da profissão.

Este é o parecer que submeto à apreciação do Tribunal.

Declaração de voto divergente do Relator Dr. Cláudio Felippe Zalaf

  1. A consulta: indaga o consulente: “Eu tenho uma dúvida se uma conduta está de acordo com o Código de Ética. O advogado pode ligar para empresas, se apresentando e querendo marcar reunião para apresentar o escritório? Veja, não é de imediato oferecer serviços, a conversa é para apresentar o escritório e caso tenha interesse, ir em reunião.”

  2. Voto do relator vencedor: o DD. Relator e sua revisora votaram pela atitude antiética da ação consultada pela consulente, voto que foi acompanhado parcialmente pelos demais membros desta Corte. Eis a conclusão do voto do DD. Relator:

  • A conduta de realizar ligações telefônicas ativas a empresas, com o fim de apresentar institucionalmente o escritório de advocacia, caracteriza infração ética, por representar forma de captação indireta de clientela e violar os princípios da moderação, discrição e passividade impostos à publicidade profissional na advocacia;

  • Ainda que não haja oferta expressa de serviços jurídicos no primeiro contato, a iniciativa proativa do advogado rompe com os limites da publicidade autorizada, cujo caráter deve ser informativo e não intrusivo;

  • Recomenda-se que a apresentação institucional de escritórios de advocacia seja feita por meios passivos e neutros, como sites institucionais, publicações técnicas, conteúdos de cunho educativo e participação em eventos jurídicos, sempre observando o teor do Provimento CFOAB n.º 205/2021;

  • Consulta conhecida. No mérito, a conduta é reprovada. Recomenda-se a imediata readequação das práticas de comunicação institucional do consulente, com estrita observância aos preceitos éticos da profissão.

Meu voto discordante
De extremo cerceamento do direito de liberdade este voto do DD. Relator se enquadra. As prerrogativas dos advogados são direitos imprescindíveis que garantem a independência e autonomia do exercício da profissão e a defesa do cidadão perante o estado democrático de direito.

Tal prerrogativa é garantida pelos artigos 7º, inciso III, do EOAB; artigo 5º, incisos LV, LIV e LXIII, e artigo 136, parágrafo 3º, inciso IV, da Constituição da República, e regulamentada pelos artigos 6º e 7º do Estatuto da OAB – Lei 8.906/94 (EAOB). Não vislumbro nenhum ato antiético o fato de um advogado ligar para uma empresa e solicitar dela, por telefone, a possibilidade de demonstrar seu trabalho profissional, cuja aceitação deste pleito depende exclusivamente da empresa consultada. Se a empresa permite, nada pode obstar tal apresentação, de forma que não vislumbro antieticidade nesta ação.

A propósito, conforme a própria consulta deixa claro: “O advogado pode ligar para empresas, se apresentando e querendo marcar reunião para apresentar o escritório? Veja, não é de imediato oferecer serviços, a conversa é para apresentar o escritório e caso tenha interesse, ir em reunião.” Tal fato não consiste em ilegalidade ética.

Onde está o impedimento se o advogado ligar a uma empresa, pedir uma reunião para falar de seu escritório e solicitar uma apresentação dele? Qual a tipicidade ética que tal ato se enquadra? Nenhum artigo ético tem a adequação nesta atitude, pois, se fosse assim, a comunicação telefônica, por si só, já configuraria infração ética. A decisão é da empresa em recebê-lo, e isto não se impede ou proíbe.

O que seria antiético:

  • Prospecção com caráter mercantilista, como se o consulente dissesse que teria a melhor solução para problemas ou que garantiria ganhos em eventual causa;

  • Oferta de serviços com descontos ou facilidades;

  • Pressão para ser atendido;

  • Envio de propostas comerciais.

Entendo que o advogado pode sim fazer contato com empresas para apresentar seu escritório, sem promessas de resultados, sem a pretensa captação de clientes, sem qualquer pressão comercial ou financeira, sempre com postura institucional e mostrando seu escritório de modo profissional e sem caráter mercantilista. Se ele será atendido, é decisão da outra parte.

Em primeiro lugar, é importante destacar que nas normas da OAB não existe nada expresso sobre se o advogado pode ou não utilizar seu telefone para ligar a uma empresa ou pessoa física indagando se há interesse em ouvir uma explanação sobre seus serviços profissionais. Evidente que não quer dizer que toda publicidade é permitida sem qualquer limitação, mas também não significa que ela é proibida. É fundamental interpretar as diferentes regras da Ordem sobre o marketing jurídico para responder a essa pergunta com segurança.

Não observo no Código de Ética e Disciplina da OAB (Resolução n. 02/2015), no Provimento n. 205/2021 do CFOAB ou no Estatuto da OAB (Lei n. 8.906/1994) qualquer proibição de contato telefônico com eventuais clientes pedindo a oportunidade de mostrar seus serviços. Isto não se enquadra em captação de clientela, pois não se está oferecendo serviços.

O art. 34, inciso IV, do Estatuto da OAB determina que é infração disciplinar o ato de angariar ou captar causas, com ou sem auxílio de terceiros. Ou seja, a captação de clientela, sob qualquer forma, é proibida pela OAB. Por sua vez, o art. 39 do Código de Ética e Disciplina diz que a publicidade profissional do advogado deve ser informativa, discreta e sóbria. O mesmo dispositivo ainda prevê que o marketing jurídico não pode, de forma alguma, configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão.

Na mesma linha, o art. 5º do Provimento n. 205/2021 é claro ao determinar que a publicidade profissional do advogado pode usar anúncios, pagos ou não, nos meios de comunicação não proibidos pelo art. 40 do Código de Ética e Disciplina. Esse art. 40 veda o uso de publicidade em rádio, cinema e televisão; uso de outdoors, painéis luminosos ou similares; inscrições em muros, paredes, carros, elevadores ou espaço público; divulgação da advocacia com outras atividades; fornecimento de dados de contato em colunas, artigos e outros meios da imprensa, salvo referência a e-mail; uso de mala direta, panfletagem ou formas assemelhadas de publicidade com o intuito de captar clientes.

Desta forma, é de se concluir que não existe uma proibição clara ao uso do telefonema como forma de publicidade ou oferecimento de serviços. Nesta linha doutrinária, entendo favorável a esse tipo de marketing quando o advogado ligar a potencial cliente oferecendo reunião para apresentação de seus serviços, desde que siga as restrições contidas nas normas da OAB e não tenha o intuito de incentivar o litígio, mercantilizar a profissão ou captar clientela de forma desleal.

Eis meu voto divergente com o DD. Relator e DD. Revisora.

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Clientes extraordinários

Clientes extraordinários constroem negócios extraordinários

Muito além do valor do contrato, os melhores clientes impulsionam sua reputação, desafiam seu crescimento e ajudam sua empresa a evoluir. Você sabe identificar e atrair esses parceiros?

Por Rafael Gagliardi

Se você lidera um escritório de advocacia, uma consultoria ou qualquer negócio de serviços, já entendeu que o sucesso da sua estrutura não depende apenas da sua equipe. Depende também (e muito) dos clientes com quem você escolhe trabalhar. O cliente extraordinário não é apenas aquele que paga em dia. É aquele que colabora, valoriza, respeita o processo, investe na relação e caminha junto com você na construção de bons resultados. Quando ele entra na sua base, tudo melhora: clima interno, reputação de mercado, qualidade das entregas e até seu faturamento.

Mas clientes assim não aparecem por acaso. Eles são atraídos com estratégia, mantidos com inteligência e desenvolvidos com cuidado. E é sobre isso que este artigo trata.

Clientes extraordinários geram reputação — e reputação atrai mais clientes extraordinários

Pense em seus melhores clientes atuais. Aqueles que recomendam seu escritório, compartilham cases de sucesso, participam de eventos ao seu lado, contratam novas frentes de trabalho e respeitam sua equipe. Agora reflita: quantos outros negócios vieram por meio deles?

Em serviços, reputação é o principal ativo comercial. E clientes extraordinários são catalisadores desse valor. Eles validam sua autoridade no mercado, criam uma percepção positiva da sua empresa e ajudam a construir credibilidade em torno do seu nome. Quanto mais você trabalha com pessoas e empresas bem posicionadas, mais você se torna uma referência no setor. Isso vale ainda mais no ambiente jurídico, onde confiança é um critério de decisão tão importante quanto preço ou competência técnica.

O que um bom cliente entrega além do financeiro?

Dinheiro é condição básica, mas não suficiente. Clientes extraordinários entregam muito mais do que pagamento. Aqui estão algumas qualidades que fazem a diferença:

  • Confiança no seu trabalho: eles contratam sua expertise, não para ensinar como fazer, mas para serem guiados.

  • Alinhamento de valores: respeitam sua cultura, suas regras, seus limites e sua forma de trabalhar.

  • Comunicação eficiente: respondem rápido, são objetivos, não criam ruído ou ambiguidade nos pedidos.

  • Colaboração: participam quando necessário, mas não interferem em excesso.

  • Respeito ao tempo e às pessoas: não esperam retorno fora do horário, não tratam a equipe com arrogância e valorizam o esforço.

  • Capacidade de escutar: aceitam sugestões, sabem quando mudar de direção e não têm medo de assumir o que não sabem.

  • Compromisso com resultados: não querem apenas um prestador de serviço, querem um parceiro estratégico.

Esses atributos transformam a rotina do time e elevam a régua da sua empresa.

Como identificar um cliente extraordinário logo nas primeiras conversas

Antes de assinar um contrato, o cliente já dá sinais importantes. A forma como ele conduz o processo comercial diz muito sobre o que virá depois. Preste atenção a estes pontos:

  • Ele entende o valor do que você oferece ou só quer saber o preço?

  • Ele compartilha informações com transparência ou omite pontos importantes?

  • Ele respeita seu tempo ou exige urgência desnecessária desde o início?

  • Ele pergunta sobre sua metodologia ou tenta impor a dele?

  • Ele aceita suas recomendações ou reage com desconfiança a cada sugestão?

Se as respostas forem positivas, você pode estar diante de um bom cliente. Caso contrário, talvez valha a pena recuar. Dizer “não” para quem não combina com seu modelo de negócio é, muitas vezes, um passo necessário para atrair quem realmente vai impulsionar sua marca.

Ferramentas para mapear, organizar e qualificar seus melhores clientes

Não se trata apenas de feeling. Há formas concretas de mapear, monitorar e replicar o perfil dos seus melhores clientes. Ferramentas de CRM, como RD Station, Pipedrive, HubSpot ou Moskit, ajudam a organizar dados, acompanhar histórico de interação e entender padrões de comportamento. Com essas plataformas, você consegue:

  • Registrar as principais características dos clientes que mais geram valor

  • Acompanhar o ciclo de vida do relacionamento

  • Avaliar o tempo de resposta, volume de demandas, índice de satisfação e taxa de recompra

  • Cruzar dados de perfil com dados de rentabilidade

  • Identificar quais fontes e canais mais atraem os melhores clientes

Além disso, usar CRM permite que você crie notas, flags e sinais internos para alertar a equipe sobre o que esperar de cada perfil. Isso reduz atritos, melhora a previsibilidade e fortalece a experiência do cliente.

Bons clientes não aparecem por sorte. Eles são atraídos com posicionamento

A atração de clientes extraordinários começa na forma como você se apresenta. Escritórios que se comunicam de forma vaga, genérica e sem identidade tendem a atrair qualquer perfil, inclusive os mais problemáticos. Já quem comunica com clareza sua especialidade, método, faixa de investimento e valores costuma filtrar melhor.

Revisite sua proposta de valor. Ela está clara? Está alinhada com os clientes que você deseja atrair? Seu site, redes sociais, apresentações e propostas comunicam de forma coerente o que você faz e para quem?

Além disso, vale usar sua base atual como aliada. Incentive seus bons clientes a recomendarem sua empresa, peça depoimentos, convide-os para eventos, publique cases (dentro dos limites éticos, no caso do setor jurídico). Pessoas boas conhecem pessoas boas. E recomendações diretas seguem sendo uma das fontes mais eficientes de aquisição em serviços.

Quando um cliente extraordinário se transforma em parceiro estratégico

Alguns clientes deixam de ser apenas contratantes para se tornarem aliados de crescimento. Eles te apresentam para novos negócios, testam serviços novos, te chamam para pensar junto em decisões estratégicas e enxergam sua empresa como uma extensão da deles. São clientes que abrem portas, consolidam vínculos de confiança e permitem que você evolua junto.

Mas isso não acontece por acaso. Requer constância na entrega, clareza na comunicação, disponibilidade para ouvir, abertura para errar e ajustar, e muita honestidade. Quando esse nível de maturidade é atingido, a relação ultrapassa a prestação de serviço e se torna uma via de crescimento mútuo.

Não basta atrair. É preciso cultivar, reconhecer e valorizar

Depois que um cliente extraordinário entra na sua base, o desafio é mantê-lo. Para isso, é essencial que ele perceba valor contínuo. Aqui vão algumas práticas úteis:

  • Envie atualizações proativas sobre o andamento dos projetos

  • Crie planos de longo prazo, com metas e checkpoints

  • Ofereça conteúdos, eventos e benefícios exclusivos

  • Faça reuniões de avaliação periódicas

  • Solicite feedbacks reais e implemente melhorias com base neles

  • Celebre conquistas juntos

Esses gestos reforçam o vínculo, demonstram cuidado e tornam mais difícil para o cliente imaginar trabalhar com outra empresa. Lealdade não se impõe, se conquista.

Negócios saudáveis escolhem com quem crescer

É comum ouvir que “cliente bom é o cliente que paga”. Mas isso é uma visão rasa. Cliente bom é o que impulsiona seu negócio, fortalece sua equipe, promove sua marca e caminha junto com você para entregar valor real. Ter critérios para atrair e reter esses clientes é parte do crescimento sustentável.

Você está investindo energia nos clientes certos? Ou está desperdiçando tempo com quem não reconhece o valor da sua entrega?

Sua reputação, seu futuro e até a saúde da sua empresa dependem dessa resposta. Escolher com quem você cresce é tão estratégico quanto escolher o que você vende. Clientes extraordinários existem. E você pode (e deve) se cercar deles.

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Yahoo

A queda de um gigante e lições para escritórios hoje

Há uma trajetória clara. Primeiro, o Cadê e o Yahoo dominaram a busca online. Depois o Google os substituiu. Agora, o Google enfrenta turbulências com IA e TikTok. E escritórios jurídicos podem aprender com isso.

Por Rafael Gagliardi

A jornada dos buscadores começa com iniciativas nacionais como Cadê e o surgimento do Yahoo, nos EUA. Cadê foi pioneiro no Brasil, mas sem escalabilidade global perdeu espaço. O Yahoo surgiu em 1994 como um diretório hierárquico construído pelos fundadores Jerry Yang e David Filo, incorporado em março de 1995. Com o tempo, virou portal completo: busca, e‑mail, notícias, finanças, respostas, grupos, entre outros. No final da década de 1990 era presença obrigatória no navegador de quem conectava à web.

No auge, o Yahoo tinha cerca de 700 milhões de visitas mensais, figurava entre os seis sites mais acessados globalmente e liderava como portal de notícias. Mas então o Google emergiu como motor de busca com algoritmo superior, mais rápido e escalável, e o Yahoo não acompanhou. Erros estratégicos foram decisivos. Em 1998 recusou a oferta de PageRank por US$ 1 milhão e depois perdeu chance de comprar o Google por US$ 5 bilhões. Gastou mais de US$ 10 bilhões em aquisições caras – GeoCities, Broadcast.com – sem foco tecnológico e acabou perdendo sua liderança.

Trocando CEOs, demissões massivas, escândalos de vazamentos de dados que atingiram bilhões de contas e falta de inovação interna fizeram o valor da marca despencar. Em 2016 o Yahoo foi vendido por US$ 4,5 bilhões à Verizon, uma fração do valor de mercado anterior. Ainda operam serviços como mail e finanças, hoje sob controle da Apollo Global Management. Sob Jim Lanzone, a empresa tenta uma virada, apostando em IA e parcerias para revitalizar Yahoo News e Finance.

Hoje o Google mantém entre 89 e 90 % da fatia de busca global, mas já sente a pressão: estatísticas mostram queda abaixo de 90 % e crescimento de concorrentes via IA e redes sociais como TikTok. A nova competição não é por diretórios, é por respostas rápidas, imersivas e visuais. O Google incorporou o Gemini com modo IA e IA Overview, mas enfrenta dilemas: respostas prontas reduzem cliques e receita publicitária.

E o paralelo com o mundo jurídico? Escritórios de advocacia correm risco se se acomodam no modelo tradicional: serviço técnico, reputação local, pouca inovação discurso digital. Assim como o Yahoo permaneceu confortável com portal, e-mails e anúncios até perceber tarde demais que as necessidades dos usuários evoluíram, escritórios podem ser ultrapassados por mudanças no comportamento do cliente jurídico.

Vocês já se perguntaram se estão preparados para disputar atenção em ambientes como TikTok, YouTube, newsletters com IA generativa? Se não capturam tendências tecnológicas e de consumo de informação, vão perder espaço para escritórios mais ágeis. Google mesmo já aposta em ferramentas com respostas automatizadas, mas mantém relevância investindo pesadamente em infraestrutura e produto.

O Yahoo serve como alerta: liderança não garante futuro. Não basta manter performance atual se o mundo muda ao redor. Escritórios devem aprender com isso:

  • Invistam em inovação na forma de apresentar conteúdo jurídico: IA que gere resumos, análise de jurisprudência em tempo real, podcasts educativos

  • Diversifiquem os canais de alcance: TikTok e Instagram para insights rápidos, LinkedIn para autoridade técnica, newsletter para relacionamento direto

  • Monitorem métricas reais: além de seguidores, acompanhem engajamento qualificado, conversões de leads, volume de demanda originada por conteúdo

  • Preparem-se para mudanças regulatórias ou tecnológicas, como uso ético de IA e reputação digital, antes que esses movimentos se tornem urgentes

Yahoo errou ao não reinventar o modelo base nos anos 2000. O Google erra se ignorar o avanço das IAs e redes sociais entre os jovens. Escritórios jurídicos podem evitar isso cultivando cultura de adaptação, tecnologia e estratégia digital.

Vocês estão prontos para sair da zona de conforto ou esperam ser surpreendidos por um novo “Google” jurídico ou um “TikTok” legal? O momento exige ação proativa. O que sua sociedade está fazendo hoje para evitar virar lembrança amanhã?

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Advogados não podem postar casos concretos

Casos reais, limites éticos

Advogados não podem postar casos concretos: Por que advogados não podem usar casos concretos nas redes e como ainda é possível se posicionar com estratégia

Na era da informação instantânea e da exposição em tempo real, um limite tem se tornado cada vez mais relevante no universo jurídico: o uso de casos concretos para autopromoção. A recente decisão do Tribunal de Ética Profissional da OAB de São Paulo reforça esse entendimento. Segundo o julgamento realizado em 26 de junho de 2025, mesmo a ocultação de dados qualificatórios das partes não é suficiente para autorizar a divulgação de casos em redes sociais, sites ou outras mídias. O fundamento é claro: a publicidade na Advocacia deve ser apenas informativa, com sobriedade e discrição.

O Tribunal de Ética Profissional da OAB/SP decidiu que é vedado o uso, por advogados, de casos concretos para qualquer publicidade ou comunicação, ainda mais quando possa alcançar grande amplitude, como postagens em redes sociais. O colegiado destacou que é irrelevante, nesses casos, a ocultação de dados das partes. Segundo a decisão, “independentemente do meio utilizado, a publicidade do advogado tem caráter meramente informativo e deve primar pela discrição e sobriedade, não sendo ética a utilização e divulgação de casos concretos”.

PUBLICAÇÕES EM REDES SOCIAIS – ATUAÇÃO PROFISSIONAL – USO DE IMAGEM PESSOAL E CÓPIAS DE CASOS CONCRETOS – OCULTAÇÃO DE DADOS QUALIFICATÓRIOS DAS PARTES – IRRELEVÂNCIA – VEDAÇÃO EXPRESSA DA UTILIZAÇÃO DE CASOS CONCRETOS EM QUALQUER PUBLICIDADE – ARTIGOS 4, §2º; 5, §3º; 6 e parágrafo único DO PROVIMENTO 205/2021 DO CONSELHO FEDERAL. É vedada a utilização de casos concretos em qualquer publicidade ou comunicação, ainda mais quando possam alcançar grande amplitude, como as postagens feitas em redes sociais. É irrelevante a ocultação de dados qualificatórios das partes, porque essa distinção não foi feita no regramento sobre o marketing jurídico (atualmente Provimento 205/2021). Independentemente do meio utilizado, a publicidade do advogado tem caráter meramente informativo e deve primar pela discrição e sobriedade, não sendo ética a utilização e divulgação de casos concretos. Proc. 25.0886.2025.002152-5- v.u., em 26/06/2025, parecer e ementa da Rel. Dra. FABIANA REGINA SIVIERO SANOVICK, Rev. Dra. MÔNICA MOYA MARTINS WOLFF, Presidente Dr. JAIRO HABER.

A discussão ganhou nova força porque muitos escritórios, ainda que com boas intenções, recorrem a postagens com exemplos de atuação prática como forma de reforçar sua autoridade. Em geral, os dados são anonimizados, os nomes suprimidos, mas o raciocínio jurídico está ali — extraído de uma atuação real. Para o TED da OAB/SP, esse tipo de abordagem é vedado, mesmo sem menção expressa às partes. O entendimento considera que a mera possibilidade de identificação, somada ao viés promocional, fere a ética profissional.

Ao invés de tratar isso como um limite intransponível, é mais inteligente entender como um redirecionamento estratégico. O marketing jurídico não desaparece com a decisão. Ele se refina. E é justamente nos momentos de maior regulamentação que os diferenciais mais consistentes se consolidam.

Outro entendimento recente diz respeito aos podcasts jurídicos. Segundo o TED da OAB/SP, é possível a realização de transmissão de conteúdo jurídico por meio de podcast, desde que observadas as normas de regulação da publicidade e do marketing no exercício da advocacia.

PUBLICIDADE NO EXERCÍCIO DA ADVOCACIA. UTILIZAÇÃO DE MARKETING DE CONTEÚDOS JURÍDICOS. PODCAST: PRODUÇÃO, PARTICIPAÇÃO E TRANSMISSÃO AO VIVO. POSSIBILIDADE. ESTRITA OBSERVÂNCIA DO CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA E DO PROVIMENTO 205/2021 DO CFOAB. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DA ADVOCACIA. VETO ABSOLUTO À MERCANTILIZAÇÃO DA PROFISSÃO. É possível a realização de transmissão de conteúdo jurídico ao vivo por recurso de mídia denominado podcast, desde que rigorosa e estritamente observadas as normas de regulação da publicidade e do marketing no exercício da Advocacia, estipuladas no Código de Ética e Disciplina [Artigos 39 a 47-A] e no Provimento nº 205/2021 [Artigos 2º, I a VIII; 4º, §§1º e 2º; 5º, §3º; e Anexo Único], ambos do Conselho Federal da OAB, pautadas pela busca constante da dignidade da pessoa humana e da Advocacia; pelo veto absoluto à mercantilização da atividade e coibição da captação de clientela; pela promoção da solidariedade e da lealdade profissional interclasse, coibindo a concorrência desleal; e pela preservação dos interesses da sociedade e do cliente, por meio da rigorosa guarda do sigilo profissional e por coibir a banalização dos temas tratados e a vulgarização dos valores humanos envolvidos, sendo terminantemente vedadas, dentre outras, as seguintes condutas: (a) empregar excessivo volume de recursos financeiros em sua produção; (b) induzir à captação de clientela e à contratação dos serviços dos profissionais participantes; (c) fazer referências ou menções a decisões judiciais e a resultados de qualquer natureza, obtidos em procedimentos patrocinados pelos advogados participantes; (d) exibir listas ou mencionar clientes do respectivo escritório; (e) utilizar casos concretos e divulgar seus resultados; (f) estimular o litígio; (g) expor publicamente pessoas envolvidas em procedimentos que atuam ou atuaram os advogados participantes, sejam clientes ou não; (h) promover o exibicionismo, a exaltação e a ostentação dos participantes e de seus escritórios. Proc. 25.0886.2025.004106-0 – v.u., em 26/06/2025, parecer e ementa do Rel. Dr. JOÃO CARLOS RIZOLLI, Rev. Dr. EDSON JUNJI TORIHARA, Presidente Dr. JAIRO HABER.

A construção de autoridade não depende da exposição do que se faz, mas da forma como se pensa. O conteúdo jurídico pode, sim, gerar demanda, atrair atenção e abrir portas comerciais — desde que respeite a regulação. Em vez de descrever casos, explique os fundamentos jurídicos de uma decisão relevante. Em vez de divulgar a atuação em um litígio, analise o impacto de decisões semelhantes para o setor de seus clientes. Ao invés de relatar uma negociação bem-sucedida, ofereça insights sobre como estruturar contratos mais eficientes ou inovadores.

A seguir, algumas formas válidas e eficazes de exposição jurídica com base no Provimento 205/2021:

  1. Artigos autorais sobre temas jurídicos de interesse público
  2. Vídeos explicativos com linguagem técnica e sóbria
  3. Participação e cobertura de eventos jurídicos
  4. Newsletters e e-books educativos
  5. Comentários sobre decisões já divulgadas pela imprensa
  6. Entrevistas para veículos especializados
  7. Podcasts jurídicos dentro das diretrizes éticas
  8. Presença ativa no LinkedIn com conteúdo informativo
  9. Divulgação de projetos institucionais e sociais

Fonte: Migalhas. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/quentes/435473/advogado-nao-pode-publicar-caso-concreto-em-redes-sociais-diz-oab-sp

 

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Comitês em escritórios de advocacia

Uma estratégia que transforma escritórios de advocacia

Como a formação de comitês em escritórios de advocacia pode revolucionar a governança, eficiência e desenvolvimento profissional.

O ambiente jurídico está se tornando cada vez mais competitivo e exigente, demandando dos escritórios de advocacia uma gestão mais estratégica, profissional e organizada. Nesse contexto, a implementação de comitês surge como uma solução poderosa para elevar a governança, otimizar o funcionamento das equipes e potencializar o crescimento individual dos colaboradores.

Por Rafael Gagliardi

Quando você pensa em comitês, o que vem à sua mente? Provavelmente reuniões extensas e pouco produtivas, certo? Se essa é sua percepção, está na hora de rever esse conceito. Escritórios que adotam comitês bem estruturados experimentam uma verdadeira transformação na sua gestão interna e no engajamento das equipes.

Antes de aprofundar como comitês específicos podem ajudar seu escritório, é bom esclarecer: o que exatamente é um comitê dentro de uma organização?

Um comitê é um grupo formalmente designado para tratar de assuntos específicos. Sua função é aconselhar, deliberar ou executar tarefas bem definidas, contribuindo com conhecimentos especializados que ajudam na tomada de decisões estratégicas. Em resumo, um comitê atua como um centro de inteligência colaborativa focado em objetivos delimitados.

Benefícios claros na governança e operação

Nos escritórios de advocacia, comitês podem trazer ganhos concretos para a governança e operações. Eles diminuem a concentração de decisões nas mãos dos sócios fundadores, proporcionando maior distribuição e equilíbrio de responsabilidades. Isso resulta em decisões menos impulsivas e mais estratégicas, fundamentadas em análises detalhadas e técnicas.

Outro benefício relevante é o aprimoramento da transparência. Ao adotar comitês estruturados, o escritório passa a ter processos mais documentados e claros, aumentando a confiança dos stakeholders – clientes, parceiros comerciais e até investidores. Em termos práticos, quanto mais estruturada for a sua governança, mais fácil será atrair clientes exigentes e sofisticados.

Além disso, a criação de comitês é uma excelente maneira de gerenciar riscos e antecipar problemas. Com grupos focados em compliance e controles internos, por exemplo, o escritório pode agir preventivamente, evitando crises futuras e garantindo uma operação sustentável a longo prazo.

Regras de ouro para um comitê eficiente

Para garantir o bom funcionamento dos comitês, algumas “regras de ouro” precisam ser observadas:

  • Objetivos claros e específicos: Todos os membros devem entender perfeitamente o propósito do comitê.
  • Participação ativa e engajada: Os integrantes precisam contribuir de forma real, com responsabilidades definidas e cobrança mútua.
  • Documentação consistente: É essencial manter atas, relatórios e evidências do trabalho realizado, garantindo continuidade e aprendizado contínuo.
  • Avaliação regular: Comitês precisam ser revisados periodicamente para verificar sua efetividade e relevância dentro da organização.

Quem deve participar dos comitês?

Nos escritórios, a participação em comitês deve contemplar diversidade hierárquica e funcional. Sócios, advogados associados, analistas e até estagiários podem fazer parte, desde que suas competências e interesses estejam alinhados ao objetivo do comitê. Essa diversidade garante a riqueza das discussões e o desenvolvimento profissional amplo dentro da equipe.

Os participantes também se beneficiam individualmente. Integrar um comitê é uma oportunidade valiosa de aprendizado, exposição interna, ampliação de networking, desenvolvimento de liderança e até direcionamento de carreira para áreas que estejam mais alinhadas às suas afinidades pessoais.

Exemplos de comitês úteis para escritórios:

Além dos tradicionais Comitês Executivos ou Financeiros, escritórios de advocacia podem se beneficiar enormemente de comitês específicos, como:

  • Comitê de Marketing: Fortalece a presença da marca, define estratégias para atrair novos clientes e melhorar a percepção externa.
  • Comitê de Pessoas: Cuida de questões relacionadas à cultura organizacional, recrutamento, retenção e desenvolvimento de talentos.
  • Comitê de Relacionamento com Clientes: Melhora a experiência e fidelização dos clientes atuais, crucial para a sustentabilidade do escritório.
  • Comitê de Comunicação Interna: Promove alinhamento de informações e melhora a integração entre áreas.
  • Comitê de Inovação: Explora novas tecnologias e métodos de trabalho para aumentar eficiência e competitividade.
  • Comitê ESG: Focado em sustentabilidade e práticas responsáveis, cada vez mais valorizadas por clientes corporativos.
  • Comitê de Educação e Capacitação: Organiza treinamentos e atualizações contínuas dos profissionais.
  • Comitê de Diversidade e Inclusão: Promove uma cultura organizacional mais diversa, igualitária e representativa.

Como aplicamos isso na LETS

Na LETS Marketing, adotamos comitês temáticos que evoluem constantemente e têm sido essenciais na nossa profissionalização e crescimento. Temos o Comitê de Gente e Gestão, dedicado à melhoria contínua dos processos de recursos humanos, o Comitê de Comunicação Interna e Cultura, que fortalece nosso alinhamento interno, e até um Comitê de Festas, que promove integração e satisfação da equipe (e sim, ele é bem útil).

Além desses, destacam-se o Comitê de Inovação, que busca constantemente novas soluções tecnológicas e metodologias, o Comitê Financeiro e Contábil, que zela pela saúde financeira, e o Comitê de Estudos e Pesquisas, voltado ao aprimoramento técnico e estratégico da empresa. Também criamos comitês temporários, voltados a projetos específicos como implementação de novas políticas internas ou iniciativas pontuais.

A maior lição que aprendemos é que, para ser eficaz, o comitê precisa estar alinhado aos objetivos reais da empresa. As pessoas escolhidas devem estar comprometidas e entender claramente seu papel, havendo também políticas claras sobre entrada, permanência e eventual substituição dos integrantes.

Essa experiência da LETS pode ser perfeitamente replicada em escritórios de advocacia. Imagine como um Comitê de Inovação poderia elevar a eficiência das operações jurídicas, principalmente nesse era de IA, ou como um Comitê de Pessoas poderia transformar o ambiente de trabalho, melhorando a retenção e satisfação das equipes.

Implementar e manter comitês exige esforço e compromisso, mas os resultados são extremamente recompensadores, tanto para o escritório como um todo quanto para cada colaborador envolvido.

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Como o Marketing Conversacional pode potencializar resultados na Advocacia

Marketing Conversacional na Advocacia. Por que isso é importante para todos os escritórios?

Por Willian Fernandes

O Marketing Conversacional tem se consolidado como uma ferramenta poderosa para escritórios de advocacia que investem em conteúdo jurídico de qualidade. Após testes internos na LETS Marketing, comprovamos que aplicar essa estratégia pode gerar um salto expressivo na captação e qualificação de leads jurídicos.

Em apenas 14 dias, ao operarmos um fluxo de chatbots personalizados em nosso próprio site, registramos um aumento de 120% na geração de leads, com interações mais qualificadas e próximas do momento de decisão.

O que é Marketing Conversacional?

O marketing conversacional é uma abordagem estratégica que promove diálogos em tempo real com visitantes e clientes, por meio de chatbots, atendentes virtuais ou humanos. Seu foco é otimizar a experiência do usuário, acelerar o atendimento e aumentar as taxas de conversão de visitantes em leads, com interações personalizadas e naturais.

Marketing Conversacional aplicado ao Marketing Jurídico

No marketing jurídico, principalmente, a produção de conteúdo é o principal ativo. Publicar artigos, vídeos ou materiais ricos sobre temas relevantes permite que seu escritório seja encontrado por quem busca soluções jurídicas no Google.

Contudo, a maioria dos visitantes não se converte em leads apenas com formulários, pop-ups ou landing pages. É aí que o marketing conversacional mostra sua força.

Imagine um gestor de RH que encontra um conteúdo do seu site explicando as mudanças na NR-1. Ele pode ter dúvidas específicas e não tomar a iniciativa de enviar um e-mail ou clicar no WhatsApp. Com um chatbot personalizado naquela página, no entanto, ele teria a possibilidade de iniciar uma conversa no ato, esclarecer suas dúvidas e deixar seus dados com consentimento via LGPD — abrindo espaço para um contato ativo do seu time jurídico.

Afinal, essa conversão imediata e contextualizada dá continuidade à jornada do cliente, transformando o conteúdo do topo do funil em uma oportunidade concreta de negócio.

Benefícios do Marketing Conversacional para Escritórios de Advocacia

Além de aumentar o volume de leads, o marketing conversacional melhora significativamente a qualidade da base gerada. Com fluxos inteligentes de perguntas e respostas, o chatbot qualifica os leads automaticamente, permitindo ao escritório:

  • Priorizar contatos mais promissores.
  • Nutrir leads frios com e-mails e conteúdos relevantes.
  • Evitar interações com curiosos ou perfis fora do público-alvo.

Diferente do botão de WhatsApp — que pode atrair leads desqualificados — o chatbot segue uma lógica de pré-qualificação, otimizando o tempo da equipe comercial ou jurídica e ajudando a direcionar esforços para leads com maior potencial.

Em contextos B2B mais complexos, inclusive, o chatbot pode reduzir o volume total de leads, mas aumentar a taxa de conversão qualificada — o que é ainda mais valioso.

Mais que uma tendência, sobretudo, a humanização no marketing é uma realidade nos escritórios de alta performance. Saiba mais sobre o marketing H2H.

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Na LETS Marketing, temos cases reais e metodologias testadas para aplicar chatbots jurídicos inteligentes em sites, blogs e landing pages de escritórios de advocacia.

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Atuando no mercado desde 2018, a LETS Marketing é uma consultoria de Marketing Jurídico completa. Composta por profissionais experientes, o nosso foco é a transformação dos escritórios de advocacia, pois temos o objetivo de crescer junto com os nossos clientes. Nossos trabalhos são voltados para uma comunicação efetiva com o público-alvo dos milhares de advogados e advogadas que já atendemos dentro e fora do Brasil, otimizando processos e estabelecendo relacionamentos fortes e de longo prazo.

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