Eu diria que indicações, ou ter e manter bons contatos ao longo da carreira, levam você longe mais rápido. Mas é o trabalho duro, ou melhor, contínuo, que mantém você em movimento.
Na advocacia, vejo hoje muita gente falando sobre o medo que escritórios deveriam ter se as indicações parassem. Entendo o ponto, porque depender de uma única fonte de geração de negócios sempre traz risco. Mas, pela minha experiência, indicação não é uma fonte frágil quando existe bom trabalho técnico, relação bem conduzida e cliente satisfeito. Pelo contrário. Quando esses elementos estão presentes, ela se torna uma das fontes mais consistentes que um advogado pode construir.
O problema é tratar indicação como sorte, favor ou consequência automática de bons contatos sociais. Não é. Uma indicação pode até nascer de proximidade, mas só vira reputação quando a entrega confirma a confiança depositada. Imagine um empresário que recebe muitas indicações de pessoas próximas. Se o serviço prestado é ruim, essa vantagem inicial queima como um fósforo (daqueles pequenos). O contato abriu a porta, mas o trabalho mal feito fechou a próxima.
Indicações na advocacia são mais sofisticadas do que parecem. Existem contatos de amigos, ex-colegas, pares de mercado e clientes satisfeitos. Amigos e ex-colegas podem indicar com boa intenção, mas nem sempre com critério técnico. Pares dependem do relacionamento que você mantém com o mercado, da confiança na sua especialidade e da percepção de que você não vai comprometer quem o indicou. Clientes satisfeitos, para mim, estão em outro nível. Eles indicam porque viveram a experiência, porque confiaram no processo e porque perceberam valor na entrega.
Essa última fonte é a mais valiosa. E, para ela existir, você precisa trabalhar bem. Não basta fazer pose, circular em eventos e acumular contatos. Relações ajudam, mas a entrega sustenta.
A pesquisa “Como Advogados Ganham Clientes”, realizada pela LETS Marketing com mais de 100 escritórios participantes, representando milhares de advogados e advogadas em diferentes regiões do País, confirma a força das relações no mercado jurídico. Segundo o estudo, 86% dos respondentes apontaram relacionamentos pessoais como origem dos clientes atuais. Em seguida, aparecem indicação de clientes, com 84%, e indicação de amigos, com 59%.
Os dados ajudam a tirar a discussão do campo da opinião. A advocacia brasileira ainda cresce, em grande parte, por confiança. Isso não significa que marketing digital, conteúdo, imprensa, rankings, eventos e SEO sejam irrelevantes. Pelo contrário. Significa que esses canais precisam fortalecer a principal lógica de decisão do setor: a confiança em quem recomenda e em quem é recomendado.
Também significa que o boca a boca não deve ser tratado como algo passivo. Se 84% dos escritórios apontam indicação de clientes como origem de novos negócios, a pergunta prática é: o que o seu escritório faz para transformar clientes satisfeitos em promotores da marca?
Essa resposta passa por técnica, mas não apenas por ela. Passa por atendimento, previsibilidade, postura, organização, comunicação, capacidade de explicar riscos e cuidado com a experiência do cliente. Um cliente satisfeito não indica apenas porque recebeu uma boa peça ou um bom parecer. Ele indica porque sentiu segurança ao longo do caminho.
Há segmentos do Direito em que clientes vindos de técnicas de relacionamento (para não dizer comerciais) são importantes. Isso costuma funcionar melhor em serviços e públicos específicos, especialmente pessoas físicas que não criam necessariamente laços recorrentes com uma sociedade de advogados, como empresas e departamentos jurídicos tendem a fazer.
Em relações empresariais, o jogo é outro. Departamentos jurídicos, diretores, fundadores, conselhos e executivos costumam formar vínculos mais duradouros quando encontram confiança técnica, disponibilidade responsável e compreensão real do negócio. Nesse contexto, seus contatos levam você muito mais longe, mesmo. Mas eles só continuam levando se o trabalho confirma a promessa.
Indicação e trabalho duro não competem. Eles se complementam.
O contato pode acelerar a chegada. O trabalho contínuo mantém a relação viva. O relacionamento ajuda a abrir conversas. A entrega cria novas oportunidades. A confiança aproxima. A consistência impede que tudo dependa de uma única boa impressão.
Isso vale para prestação de serviços e vale para carreira, principalmente. Você pode receber ajuda, orientação, oportunidade, indicação e acesso. Mas, em algum momento, precisa caminhar com as próprias pernas. Precisa entregar. Precisa aparecer com regularidade. Precisa manter o padrão quando ninguém está olhando. Precisa fazer bem feito de forma contínua, regular e sempre adiante.
Também não acredito na ideia de que basta trabalhar muito. Trabalho duro, sozinho, pode virar exaustão mal direcionada. O mais importante é trabalhar com consistência e inteligência. Fazer melhor, aprender com o cliente, melhorar processos, cuidar da relação, organizar rotinas de desenvolvimento de negócios, registrar contatos, nutrir a rede e entender quais entregas geram mais valor.
Na advocacia, muita gente trabalha demais e ainda assim não consegue crescer. Às vezes porque atende mal. Às vezes porque comunica pouco. Às vezes porque não mantém contato. Às vezes porque não sabe pedir feedback. Às vezes porque entrega tecnicamente bem, mas deixa o cliente inseguro no processo. Às vezes porque depende de poucos relacionamentos e não constrói novas fontes de confiança.
Trabalho contínuo não é só volume. É direção.
Por isso, escritórios precisam cuidar das duas frentes. De um lado, fortalecer relacionamentos, estar perto de clientes, parceiros, colegas, ex-colegas, pares e decisores. De outro, criar uma experiência que faça a indicação valer. Quem recomenda um escritório também empresta reputação. Se a entrega decepciona, o prejuízo não fica apenas com quem prestou o serviço. Alcança quem indicou.
Para mim, a melhor indicação é a de cliente satisfeito. Ela é mais difícil de construir e, justamente por isso, mais forte. Nasce da vivência, não apenas da simpatia. Vem de alguém que colocou uma demanda real nas mãos do escritório e saiu com a sensação de que foi bem orientado, bem tratado e bem protegido.
Essa é uma fonte que pode parecer inesgotável quando o trabalho é excelente, porque clientes satisfeitos conhecem outros clientes, mudam de empresa, assumem novas posições, indicam para pares, lembram do escritório em conversas estratégicas e carregam a experiência consigo.
Mas nada disso acontece por acaso.
Indicações na advocacia continuam sendo um motor poderoso de crescimento. A pesquisa da LETS Marketing mostra isso. A questão não é ter medo de que elas parem. A questão é trabalhar todos os dias para merecer que continuem.
Contatos levam longe mais rápido. Trabalho contínuo mantém você relevante quando a porta já foi aberta.
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