Tenho uma admiração especial por pessoas que, quando não sabem fazer alguma coisa, decidem descobrir como. Elas não precisam ter todas as respostas, conhecer todos os caminhos ou esperar até se sentirem completamente preparadas. Simplesmente começam, procuram ajuda, aprendem e vão encontrando uma maneira de avançar.
Conheci muita gente assim. Vejo isso em clientes que enfrentam desafios enormes e, mesmo diante de dificuldades, continuam acreditando no que estão construindo. Reconheço isso em colegas que assumem responsabilidades novas, encaram situações desconhecidas e encontram soluções que, pouco tempo antes, talvez nem imaginassem ser capazes de desenvolver. E vejo também na história da LETS, que exigiu de todos nós muito aprendizado, dedicação e disposição.
O que mais me chama a atenção nessas pessoas é a forma como lidam com aquilo que ainda não sabem. Elas conseguem reconhecer suas limitações sem transformá-las em uma definição de quem são. Existe uma diferença enorme entre dizer “não sei fazer isso” e pensar “ainda não sei fazer isso”. A primeira frase pode encerrar uma possibilidade. A segunda permite que alguma coisa aconteça.
Sempre acreditei que boa parte das nossas conquistas depende dessa disposição. Conheço pessoas extremamente inteligentes que, por diferentes motivos, deixam de tentar quando encontram uma dificuldade. Também conheço outras que, mesmo sem tantas condições favoráveis, continuam buscando alternativas, estudando, perguntando e tentando novamente. Algumas demoram bastante para chegar aonde desejam, mas chegam.
É claro que talento, oportunidades, recursos financeiros e as pessoas que encontramos pelo caminho influenciam nossos resultados. Seria injusto ignorar essas diferenças ou acreditar que só determinação resolve qualquer problema. Ainda assim, admiro profundamente quem não permite que a primeira dificuldade determine até onde pode chegar.
Na construção da LETS, aprendi a reconhecer o valor dessa postura também nas pequenas situações. Nem sempre sabemos como resolver um problema quando ele aparece. Às vezes, uma decisão precisa ser revista, um projeto exige uma abordagem diferente ou uma expectativa precisa ser ajustada. Nessas horas, faz diferença estar cercado de pessoas que se comprometem a procurar uma solução, mesmo quando ela exige mais trabalho.
Também aprendi que persistir não significa insistir indefinidamente na mesma escolha. Algumas decisões precisam mudar, e reconhecer isso exige maturidade. É coisa de gente grande, mesmo.
Podemos abandonar um caminho e continuar comprometidos. Podemos admitir que erramos sem concluir que somos incapazes. Aliás, muitas vezes é justamente essa capacidade de reconhecer o erro que permite seguir.
Penso bastante nisso quando observo clientes. Por trás de muitos escritórios que admiramos, existem profissionais que dedicaram anos à construção de uma reputação, enfrentaram períodos difíceis, reavaliaram decisões e continuaram trabalhando. O reconhecimento que vemos hoje raramente conta toda a história. Há uma quantidade enorme de esforço, dúvidas e tentativas que não aparece nas fotografias, nos rankings ou nas comemorações.
Com os colegas acontece isso também. Tenho muito respeito por quem demonstra vontade de aprender, aceita responsabilidades e não espera que outra pessoa resolva tudo. Gosto de trabalhar com quem tem iniciativa, mas também sabe ouvir, pedir ajuda e reconhecer que o conhecimento dos outros pode melhorar o próprio trabalho.
Talvez por isso eu goste tanto da ideia de que quem não desiste é imparável. Não leio essa frase como uma promessa de que tudo dará certo. Existem situações em que podemos fazer o nosso melhor e, ainda assim, dá ruim. Mas há algo muito forte em alguém que não permite que uma dificuldade se transforme em desistência automática.
Quando olho para o que construímos, sinto orgulho das conquistas, mas principalmente das pessoas que participaram delas e da disposição que tivemos para aprender. Cada cliente que confiou, cada colega que assumiu e cada experiência que nos obrigou a melhorar contribuiu para essa história.
Continuo acreditando que algumas das pessoas mais interessantes que encontramos são justamente aquelas que ainda não sabem como vão conseguir, mas estão dispostas a descobrir. Elas podem mudar de ideia, tropeçar, precisar de ajuda e até recomeçar várias vezes.
E, pensando bem, é difícil imaginar algo mais extraordinário do que isso.
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