Guia definitivo: a receita para lotar seu evento jurídico
Um evento de sucesso vai muito além de escolher um bom tema ou palestrantes renomados.
Este guia reúne as práticas mais eficazes utilizadas por profissionais de marketing jurídico, eventos corporativos e performance digital para transformar seus eventos em verdadeiras máquinas de geração de relacionamento, autoridade e oportunidades de negócio.
Por Juliano Trevisan

A diferença entre um auditório vazio e um evento lotado, atualmente, está na estratégia digital, tempestividade da discussão e reputação percebida do escritório: estrutura de conversão, engajamento e qualidade da base de leads, comunicação contínua, tecnologia bem configurada e decisões baseadas em dados.
Quando esses elementos trabalham juntos, e dentro das normas éticas da advocacia, o resultado deixa de ser imprevisível e passa a ser replicável.
Este guia reúne as práticas mais eficazes utilizadas por profissionais de marketing jurídico, eventos corporativos e performance digital para transformar seus eventos em verdadeiras máquinas de geração de relacionamento, autoridade e oportunidades de negócio.
Por que meu escritório de advocacia deve realizar um evento?
Na LETS Marketing, recebemos quase que diariamente contatos de advogados que contrataram alguma agência de marketing digital e se frustraram na expectativa de fechar contratos com empresas a partir da estratégia de tráfego pago.
Quando desejamos honorários advocatícios relevantes, normalmente envolvendo contratos B2B, precisamos presumir que as empresas desejadas já são juridicamente amparadas. E encontrar um espaço para ‘furar’ esse bloqueio pode não ser simples.
Acreditamos e utilizamos as ferramentas de marketing digital para diversos objetivos estratégicos. Mas, sobretudo, acreditamos que um advogado é escolhido quando:
- O cliente corporativo confia no escritório de advocacia
- O cliente corporativo tem uma dor não solucionada ou não conhece uma oportunidade jurídica específica
Os eventos jurídicos, portanto, são ferramentas para ativar a estratégia ‘fisital’ no escritório de advocacia. Ou seja, unindo os pontos fortes do marketing digital e da experiência física.
Esse método presume o escritório pode converter leads por meio do tráfego pago. Mas para aumentar as chances de esse contato evoluir para fases mais avançadas do CRM (Customer Relationship Manager), até obter uma proposta de honorários aprovada, será fundamental atender aos dois bullets citados acima.
Realize eventos com seu público, traga-o para perto do escritório, crie relacionamento e confiança percebida. Quando os contratos são vistos como consequência desses esforços, e não como meta principal dos investimentos de marketing jurídico, o resultado sustentável acontece, rumo ao crescimento do escritório.
Por que uma página exclusiva de conversão é indispensável para eventos jurídicos?
Um dos erros mais comuns na divulgação de eventos realizados por escritórios de advocacia e demais players do mercado jurídicos é direcionar o tráfego para páginas genéricas,como Google Forms, ou plataformas de inscrição cheias de distrações, como a plataforma Sympla.
Para que a conversão seja eficaz e quase que inevitável, quando o visitante chega até o anúncio ou convite, ele precisa encontrar um único caminho possível, seguindo o método de Call to Action (CTA): realizar a inscrição ou abandonar a página.
Uma página específica de conversão, a landing page, tem exatamente esse papel. Diferentemente de um site institucional, formulário único ou plataformas abertas de eventos, ela é construída com foco exclusivo em conversão no seu evento, eliminando qualquer elemento que possa dispersar a atenção do usuário ou levá-lo para outro destino, como redes sociais do organizador.
Na prática, isso significa:
- Ausência total de menus, rodapés ou links externos.
- Conteúdo direto, explicando claramente o valor do evento.
- Um formulário simples, objetivo e estrategicamente pensado.
Além disso, essa página precisa ser totalmente responsiva. Hoje, a maior parte do tráfego de campanhas digitais ocorre via dispositivos móveis, especialmente em anúncios no Instagram, Facebook e até mesmo no Google.
Se a página não for otimizada para celular, a perda de conversão é imediata. Não existe mais espaço para o design que não seja mobile first. Ou seja, ele primeiro deve ser pensado para smartphones para depois serem realizadas as devidas adaptações ao desktop.
Outro ponto essencial é o formulário de inscrição. Ele não deve coletar dados excessivos, mas sim informações suficientes para:
- Entender o perfil do inscrito.
- Permitir segmentações futuras.
- Viabilizar abordagens comerciais ou institucionais após o evento.
Esse equilíbrio entre simplicidade e estratégia é o que diferencia páginas que apenas geram inscrições daquelas que geram inscrições qualificadas.
Como estruturar lembretes e follow-ups para garantir presença no evento?
Conseguir a inscrição não significa garantir a presença. Na realidade, uma parcela significativa dos inscritos em eventos presenciais ou online simplesmente esquece a data, o horário ou perde o compromisso em meio à rotina. A tradição do marketing estima algo como 40%, embora isso possa variar a depender de diversos fatores, como localização dos inscritos, formato presencial ou on-line do evento, tema e experiência proporcionados pelo evento e, acima de tudo, o perfil do convidado – se ele já tem relacionamento com o escritório organizador ou se é lead recém-convertido.
Por isso, a comunicação pós-inscrição é tão importante quanto a campanha de divulgação.
Uma estratégia eficiente de follow-up deve ser automatizada e previsível. O fluxo mais utilizado por organizadores profissionais de eventos inclui, no mínimo:
- Um e-mail imediato de confirmação, reforçando a inscrição.
- Um lembrete enviado na véspera do evento.
- Um lembrete final no próprio dia do evento.
Essas mensagens não servem apenas para “lembrar” o convidado, mas também para reforçar o valor do conteúdo, a exclusividade do encontro e a importância da presença.
Outro recurso extremamente eficaz é permitir que o inscrito adicione o evento diretamente à agenda (Google Calendar, Apple Calendar ou Outlook). Esse simples detalhe de integração entre plataformas gera notificações automáticas no celular e reduz drasticamente as faltas.
Eventos que não utilizam follow-up estruturado costumam ter taxas de comparecimento baixas. Já aqueles que trabalham bem nessa etapa conseguem melhorar significativamente o aproveitamento do público inscrito, como temos visto na LETS Marketing
Por que a configuração técnica correta impacta diretamente os resultados?
Mesmo com uma boa página e uma boa comunicação, nada funciona corretamente se a base técnica estiver mal configurada. Plataformas de anúncios como Google Ads e Meta Ads dependem de dados para aprender, otimizar e entregar resultados melhores ao longo do tempo.
Isso significa que é indispensável:
- Instalar corretamente as tags e pixels de rastreamento.
- Configurar eventos de conversão (como inscrição confirmada).
- Garantir que essas informações estejam integradas à landing page.
Sem isso, as plataformas não conseguem identificar quem realmente se inscreveu no evento. Na prática, o algoritmo passa a otimizar para cliques ou visualizações, e não para conversões reais (o que aumenta custos e reduz a qualidade dos inscritos).
Uma estrutura técnica bem feita permite:
- Redução gradual do custo por inscrição.
- Melhor entrega dos anúncios para o público certo.
- Maior previsibilidade nos resultados.
Como escolher a plataforma de anúncios e o público correto?
Não existe uma resposta única sobre qual plataforma é melhor para divulgar eventos jurídicos. A escolha depende diretamente do tipo de evento, do público-alvo e do comportamento de busca desse público.
Acima de tudo, vale lembrar o conceito de que público que pode comparecer ao evento está engajado na sua marca. Ou seja, o nível de engajamento do convidado impacta totalmente na possibilidade de presença. É fundamental, portanto, trabalhar constante a base de leads de forma a engajá-la não apenas quando o evento for anunciado, mas durante todo o ano.
Afinal, quanto mais contatos qualificados sua lista de marketing tiver, incluindo clientes, parceiros e demais leads convertidos, maior o potencial de sucesso do seu evento. Newsletters de conteúdo útil mensagens amigáveis são ferramentas de marketing direto que devem ser ativadas durante todo o ano, de forma inteligente e no volume certo, sem exageros, para manter o alto engajamento da base.
Mas agora vamos presumir que seu escritório pretenda convidar pessoas que ainda não pertencem à sua base de contatos, com o devido consentimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Nesse caso, o inbound marketing via tráfego pago é a ferramenta que permitirá alcançar novas pessoas para seu evento.
O Google Ads tende a funcionar melhor quando o tema do evento atende a uma demanda já existente, ou seja, quando as pessoas estão ativamente buscando por aquele assunto. Nesses casos, o trabalho com palavras-chave bem definidas é fundamental.
Já o Meta Ads costuma ser mais eficaz para criar demanda, fortalecer autoridade e alcançar públicos segmentados por interesse, cargo, comportamento e localização. É especialmente útil para eventos recorrentes ou quando o público ainda não está buscando ativamente pelo tema.
Em muitos cenários, a estratégia mais eficiente é a combinação das duas plataformas, utilizando cada uma dentro do seu ponto forte.
Quais métricas e projeções são essenciais para planejar um evento lotado?
Um erro comum é planejar eventos com base apenas em expectativa. Eventos profissionais são planejados com base em números.
De forma geral, é preciso entender três métricas principais:
- Custo médio por inscrição.
- Taxa média de comparecimento.
- Número desejado de participantes presentes.
A partir desses dados, é possível fazer projeções realistas.
Exemplificando: Se a taxa média de comparecimento gira em torno de 30% a 40%, por exemplo, isso significa que, para cada 100 inscritos, apenas 30 a 40 pessoas estarão presentes.
Com base nisso, o organizador consegue calcular:
- Quantas inscrições são necessárias.
- Qual investimento aproximado em mídia será exigido.
- Se o orçamento está coerente com o objetivo do evento.
Esse tipo de planejamento evita frustrações e permite ajustes estratégicos antes mesmo do início da campanha.
Importante lembrar que um evento bem-sucedido não precisa ser grande e pode, inclusive, ter o perfil de ‘petit comitê’.
Ou seja, um café da manhã em uma sala de reunião, no escritório de advocacia, cumpre um excelente papel de aproximar-se do convidado.
No fundo, é tudo sobre relacionamento e experiência do cliente.
Quais ações complementares aumentam o público com menor custo?
Além do tráfego pago, existem ações extremamente eficazes e, muitas vezes, subutilizadas.
Uma delas é o convite direto para pessoas que já participaram de eventos anteriores. Esse público já conhece o formato, confia na organização e costuma ter taxas de comparecimento mais altas.
Outra ação estratégica é reimpactar inscritos de eventos passados que, por algum motivo, não compareceram. Em geral, são pessoas da mesma região e com interesse comprovado no tema.
Essas iniciativas ajudam a reduzir o custo médio por participante e fortalecem a fidelização do público ao longo do tempo.
Como devo definir o tema do meu evento?
Essa é uma questão importante e, antes de respondê-la, é fundamental lembrar um conceito importante de marketing.
O ativo mais importante do evento é o público, não o tema.
Afinal, como exemplo, seu evento sobre a reforma tributária pode reunir contribuintes pessoas físicas, executivos jurídicos e demais dirigentes de empresas. Mas isso não significa que eles podem contratar apenas suas soluções em Direito Tributário.
Em algum momento, talvez essas pessoas precisem futuramente de apoio em Direito Criminal ou Contencioso Societário, por exemplo, cujos temas poderiam esvaziar totalmente um evento.
Ou seja, o evento não deve ser pensado para vender unicamente a solução sobre a qual tem sido discutida, ou solucionar uma dor específica do cliente. O principal ganho que o escritório tem ao realizar o evento com um público qualificado é aproximá-lo de seus advogados, para que ser percebidos com confiança e possam ser escolhidos quando o público precisar de assessoria jurídica.
Capriche nas credenciais do seu escritório de advocacia
Na hora de preparar o convite e a landing page, principalmente quando miramos contatos novos, que ainda não pertencem à base de leads do escritório, é fundamental convencer o convidado que ele confiar no escritório.
Premiações, certificações, reconhecimentos de mercado, currículos qualificados e posições de destaque em rankings jurídicos cumprem o papel fortalecer a reputação percebida do escritório nas comunicações.
Vale lembrar que a copywriting também deve ser atrativa e ir ao encontro com o interesse do convidado. Ela é o carro-chefe do convite.
Mas as credenciais são a cereja do bolo que divide escritórios de alta performance e escritórios em desenvolvimento. Saiba mais sobre rankings jurídicos.
Divulgação de eventos jurídicos e o Código de Ética da OAB
Ainda, poucos escritórios têm explorado as ferramentas de tráfego pago para divulgar eventos próprios e o motivo, na maioria das vezes, está na tradição. Principalmente no caso de escritórios grandes.
Há advogados que ainda vivem uma realidade de marketing jurídico anterior ao provimento 205/2021, que regulamentou as diferenças entre ‘publicidade ativa’ e ‘publicidade passiva’ na advocacia. O primeiro conceito impõe regras para os escritórios alcançarem novos públicos por meio do ambiente digital. Não há impedimentos, portanto, para o uso ético de plataformas como Google Ads, LinkedIN Ads e Meta Ads.
Há ainda os advogados que têm receio sobre o perfil de público que se inscreveria em um evento divulgado amplamente. Mas uma boa equipe de marketing deve ser capaz de mitigar esses riscos por meio curadoria de leads, validações, Recaptcha e entre esforços visando uma experiência de sucesso, sem penetras.
Por fim, é indispensável reforçar que toda a divulgação de eventos jurídicos deve respeitar rigorosamente o Código de Ética e Disciplina da OAB.
Isso envolve:
- Comunicação com caráter informativo e educativo.
- Ausência de promessas de resultado.
- Linguagem sóbria e compatível com a advocacia.
- Segmentação adequada, sem apelos comerciais indevidos.
Por esse motivo, a estruturação e divulgação de eventos jurídicos deve ser feita por profissionais que compreendam tanto marketing quanto as particularidades éticas da advocacia. Essa combinação é o que garante segurança jurídica, credibilidade e resultados consistentes.
Saiba mais sobre o provimento 205/2021 da OAB.
* Juliano Trevisan é especialista em Performance e Inovação da LETS Marketing, bacharel em Direito e profissional com 13 anos de experiência em marketing digital e tráfego pago.










