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Reter talentos em escritórios de advocacia não é um problema de RH

É um problema de gestão

A maior parte dos sócios de escritórios de advocacia no Brasil só começa a falar de retenção quando alguém importante pede demissão. O associado técnico, o advogado que conhecia o cliente pelo nome, a líder que segurava o time no dia a dia. Nesse momento, surge a pergunta errada: “Como evitar que isso aconteça de novo?”. A pergunta certa é outra: o que, na sua estrutura, torna difícil para as pessoas ficarem?

Por Marina Toledo

Dados ajudam a dimensionar o cenário. Uma pesquisa global do LinkedIn com mais de 2.200 profissionais de RH e desenvolvimento mostrou que 93% das organizações estão preocupadas com retenção de talentos. Não porque as pessoas “não querem mais trabalhar”, mas porque manter profissionais qualificados se tornou mais complexo, especialmente em mercados intensivos em conhecimento. Escritórios de advocacia estão exatamente nesse grupo.

No contexto brasileiro, a dificuldade se intensifica. A formação jurídica é longa, o desenvolvimento técnico leva anos e o mercado absorve rapidamente quem entrega resultado. Quando um profissional sai, você não perde apenas alguém. Você perde histórico, confiança do cliente, ritmo de trabalho e, muitas vezes, estabilidade emocional da equipe.

O que significa, na prática, reter talentos no jurídico

Reter talentos não é manter pessoas a qualquer custo. É criar condições reais para que profissionais relevantes escolham ficar. Isso envolve desde fatores objetivos, como remuneração e carga de trabalho, até aspectos menos visíveis, como reconhecimento, clareza de expectativas e qualidade da liderança direta.

Na rotina dos escritórios, vejo um padrão recorrente. Sócios extremamente técnicos, gestores improvisados, promoções baseadas em entrega jurídica e não em capacidade de liderar. O resultado aparece no médio prazo: equipes desorientadas, ruídos de comunicação, sensação de injustiça e, por fim, desligamentos.

Você já parou para calcular quanto custa uma saída? Estudos internacionais estimam que a substituição de um profissional pode custar de três a quatro vezes o salário anual, considerando recrutamento, tempo de adaptação e perda de produtividade. Mesmo sem números exatos, basta olhar para dentro do escritório. Quantas horas de sócios são consumidas em entrevistas, treinamentos emergenciais e retrabalho após uma saída?

Por que advogados pedem demissão, mesmo em bons escritórios

Salário importa, mas raramente é o único motivo. Pesquisas recentes mostram que mais de 80% dos profissionais considerariam sair por uma remuneração melhor. Ao mesmo tempo, quando perguntados sobre o que os faz permanecer, fatores emocionais e relacionais aparecem antes do dinheiro.

No jurídico, isso se traduz de forma muito clara. Advogados saem quando não enxergam perspectiva de crescimento, quando não recebem feedbacks objetivos, quando trabalham muito sem entender critérios de reconhecimento ou quando convivem com lideranças ausentes ou desorganizadas.

Lembro de um escritório de médio porte em que a rotatividade era tratada como “normal do mercado”. Ao aprofundar o diagnóstico, ficou evidente que o problema estava concentrado em uma única área. Não era o volume de trabalho. Era a falta de autonomia, decisões contraditórias e a sensação de que esforço e entrega não mudavam nada. Resolver isso exigiu menos mudanças estruturais e mais clareza de gestão.

Você consegue explicar hoje, de forma simples, o que um associado precisa fazer para crescer no seu escritório? Ou isso muda conforme o humor, o cliente ou o sócio responsável?

Retenção começa antes da contratação

Muitos escritórios erram ainda na entrada. Contratam rápido, sem alinhamento de expectativas, vendem uma rotina que não existe e depois se surpreendem quando o profissional se frustra. Um processo de recrutamento mal conduzido já compromete a retenção desde o primeiro dia.

Contratar bem no jurídico exige entender não apenas a capacidade técnica, mas o momento de carreira, o estilo de trabalho e a aderência à cultura real do escritório, não à cultura idealizada. Quando isso não acontece, o desligamento vira apenas questão de tempo.

Outro ponto crítico é o onboarding. Escritórios que jogam o novo advogado direto na operação, sem contexto, sem acompanhamento e sem referências claras, aumentam drasticamente o risco de saída nos primeiros meses. Os dados mostram que uma experiência inicial mal estruturada impacta diretamente a permanência no primeiro ano.

Lideranças despreparadas são o principal fator de evasão

Uma pesquisa do Boston Consulting Group aponta que bons gestores reduzem o risco de desligamento em até 72%. No jurídico, essa estatística faz ainda mais sentido. Advogados lidam com pressão constante, prazos rígidos e alto nível de cobrança. Sem uma liderança que organize prioridades, dê direcionamento e escute, o desgaste se acumula rápido.

Ser excelente tecnicamente não prepara ninguém para gerir pessoas. Ainda assim, muitos escritórios seguem promovendo sem oferecer qualquer formação em liderança. O resultado é previsível: microgestão, comunicação truncada, conflitos não tratados e equipes desmotivadas.

Você investe no desenvolvimento dos seus líderes da mesma forma que investe na atualização técnica deles?

Cultura não se declara, se pratica

Todo escritório diz valorizar pessoas, meritocracia e colaboração. Poucos conseguem sustentar isso no cotidiano. Cultura se manifesta nas decisões pequenas: quem é promovido, quem recebe feedback, quem é protegido, quem é descartado.

Ambientes onde comportamentos desalinhados são tolerados afastam justamente os profissionais mais comprometidos. Ninguém permanece motivado quando vê esforço sendo ignorado e atitudes tóxicas sendo normalizadas em nome de resultados de curto prazo.

Trabalhar cultura não é fazer campanhas internas ou eventos pontuais. É criar mecanismos de avaliação, escuta e correção contínua. Escritórios que fazem diagnósticos de clima e atuam sobre os pontos críticos conseguem reduzir ruídos antes que eles se tornem pedidos de demissão.

Desenvolvimento não pode ser promessa vaga

Advogados, em geral, são orientados a crescimento. Quando percebem estagnação, começam a olhar para fora. Programas claros de desenvolvimento, avaliações estruturadas e conversas frequentes sobre carreira aumentam significativamente a permanência.

Dados do World Economic Forum indicam que seis em cada dez profissionais precisarão de requalificação nos próximos anos. No jurídico, isso inclui não apenas conhecimento técnico, mas habilidades de gestão, comunicação e relacionamento com clientes.

Escritórios que não oferecem trilhas de desenvolvimento acabam formando profissionais para o mercado. Aqueles que investem de forma consistente criam vínculos mais sólidos e relações de longo prazo.

Retenção também é cuidar de quem fica

Quando alguém sai, quem permanece absorve carga extra. Se isso se repete, o desgaste vira burnout. A Organização Mundial da Saúde já reconhece o burnout como um fenômeno ocupacional ligado a estresse crônico não gerenciado.

Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho deixou de ser discurso e virou critério de escolha. Escritórios que romantizam excesso de horas e disponibilidade permanente afastam talentos, especialmente das gerações mais novas, mas não apenas delas.

Você reconhece apenas quem fica até mais tarde ou também quem entrega com qualidade e consistência?

Métricas importam mais do que discursos

Reter talentos exige acompanhar indicadores. Taxa de retenção, tempo médio de permanência, motivos de saída e resultados de pesquisas de clima ajudam a tomar decisões baseadas em dados, não em percepções isoladas.

Calcular retenção é simples. Subtraia as novas contratações do total final do período, divida pelo número inicial e multiplique por 100. O mais importante não é o número em si, mas o que você faz com ele.

Reter é estratégia, não benefício

Escritórios que tratam retenção como ação isolada ou responsabilidade exclusiva do RH perdem competitividade. Pessoas são parte central da entrega jurídica. Sem times estáveis, não há consistência, nem crescimento sustentável.

Reter talentos é uma escolha diária, feita em decisões de gestão, estrutura, comunicação e liderança. Exige investimento, método e disposição para rever práticas antigas.

A pergunta final não é se você vai perder pessoas. Isso sempre acontece. A pergunta é se você está construindo um ambiente onde os profissionais que importam têm bons motivos para ficar.

No mercado jurídico brasileiro, onde reputação, confiança e relacionamento são ativos estratégicos, a resposta para essa pergunta define o futuro do seu escritório.

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O que esperamos do Comitê Regulador do Marketing Jurídico

Quem atua com marketing jurídico no Brasil sabe que a maior insegurança não é criar conteúdo, investir em canais ou estruturar estratégias. A maior insegurança é não saber, com clareza, onde está o limite. E é exatamente nesse ponto que o Comitê Regulador do Marketing Jurídico passa a ter um papel central para o presente e para o futuro da advocacia no País.

O Comitê não nasce para frear o marketing jurídico. Ele nasce para organizá-lo.

Por Rafael Gagliardi

O que é o Comitê Regulador do Marketing Jurídico

O Comitê Regulador do Marketing Jurídico foi criado a partir do Provimento 205/2021, como um órgão consultivo vinculado ao Conselho Federal da OAB. Sua função principal é acompanhar a evolução das práticas de marketing, publicidade e informação na advocacia e propor atualizações, ajustes e interpretações que tragam mais clareza às regras existentes.

Na prática, isso significa atuar como um ponto de equilíbrio entre dois interesses legítimos: a necessidade de modernização da comunicação dos escritórios e a preservação da ética, da dignidade da profissão e da segurança jurídica.

O Comitê também tem uma missão importante de pacificar entendimentos. Em um País continental como o nosso, interpretações divergentes entre Tribunais de Ética e Comissões de Fiscalização sempre geraram insegurança. O Comitê surge para reduzir esse ruído e promover leitura mais uniforme das normas.

Por que o Comitê é necessário

O marketing jurídico evoluiu mais rápido do que a capacidade normativa de acompanhar esse movimento. Redes sociais, vídeos curtos, lives, impulsionamento, newsletters, novos formatos de conteúdo. Tudo isso chegou antes de respostas claras.

O resultado foi um cenário confuso. Escritórios inseguros, profissionais travados e outros avançando sem qualquer critério. Esse desequilíbrio nunca foi saudável.

O Comitê passa a atuar justamente nesse vácuo. Não para criar regras desconectadas da realidade, mas para interpretar o que já existe à luz do contexto atual. Isso muda o jogo.

Você já deixou de publicar um conteúdo por medo de punição, mesmo sabendo que era informativo? Já viu colegas sendo penalizados por interpretações excessivamente rígidas? O Comitê existe para enfrentar esse tipo de distorção.

O impacto real para o marketing jurídico

Se funcionar como deve, o Comitê pode ser um dos maiores impulsionadores do marketing jurídico no Brasil. E isso não acontece por liberar tudo, mas por esclarecer.

Quando há clareza, o mercado amadurece. Escritórios passam a investir com mais segurança, times de marketing trabalham com menos medo e mais responsabilidade, e a advocacia se afasta de práticas sensacionalistas que só prejudicam a imagem coletiva.

Um bom exemplo disso está nas discussões recentes sobre chamadas para ação. Por muito tempo, qualquer convite era tratado como infração. Hoje, o entendimento evolui para diferenciar indução mercantil de estímulos informativos legítimos. Convidar alguém a sugerir um tema, baixar um material educativo ou se inscrever em um boletim não é captação irregular. É relacionamento.

Esse tipo de esclarecimento muda completamente a qualidade da comunicação jurídica.

A cartilha como ferramenta prática

Um dos movimentos mais importantes do Comitê foi a criação da cartilha com as principais dúvidas sobre publicidade na advocacia. Esse material deveria ser leitura obrigatória para qualquer advogado ou gestora de marketing jurídico.

A cartilha não substitui o Provimento, mas traduz. Ela traz exemplos, esclarece conceitos e reduz o espaço para interpretações subjetivas. Isso é essencial em um mercado que precisa de previsibilidade.

O acesso é público e direto:
https://marketingjuridico.oab.org.br/

Na prática, esse material ajuda você a tomar decisões melhores no dia a dia. Dá segurança para estruturar conteúdos, planejar ações e orientar equipes internas e fornecedores externos.

O canal de denúncia e a maturidade do mercado

Outro ponto relevante é a existência de um canal oficial para denúncia de irregularidades. Esse instrumento costuma gerar desconforto, mas ele é necessário.

O marketing jurídico só amadurece quando práticas abusivas deixam de ser toleradas. Quem atua dentro das regras não pode concorrer em desigualdade com quem ignora completamente os limites éticos.

O canal existe, está disponível e deve ser usado com responsabilidade:
https://marketingjuridico.oab.org.br/home/Denuncie

A simples existência desse mecanismo já funciona como freio para excessos e como proteção para quem trabalha corretamente.

O que ainda esperamos do Comitê

O Comitê não pode ser estático. A tecnologia não é. Novos formatos continuarão surgindo, novas plataformas ganharão espaço e novas dúvidas aparecerão.

O que se espera é continuidade no diálogo, velocidade na resposta e abertura para ouvir quem está na prática. Escritórios, profissionais de marketing, advogados jovens e experientes. Todos têm algo a contribuir.

Também é fundamental que o Comitê avance na educação, não apenas na fiscalização. Orientar evita mais infrações do que punir.

No fim, a grande expectativa é simples: que o marketing jurídico deixe de ser um campo minado e passe a ser um ambiente profissional, ético e estratégico. O Comitê tem todas as ferramentas para isso. Agora, o desafio é transformar intenção em prática consistente.

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Guia definitivo: a receita para lotar seu evento jurídico

Um evento de sucesso vai muito além de escolher um bom tema ou palestrantes renomados.

Este guia reúne as práticas mais eficazes utilizadas por profissionais de marketing jurídico, eventos corporativos e performance digital para transformar seus eventos em verdadeiras máquinas de geração de relacionamento, autoridade e oportunidades de negócio. 

Por Juliano Trevisan

A diferença entre um auditório vazio e um evento lotado, atualmente, está na estratégia digital, tempestividade da discussão e reputação percebida do escritório: estrutura de conversão, engajamento e qualidade da base de leads, comunicação contínua, tecnologia bem configurada e decisões baseadas em dados.  

Quando esses elementos trabalham juntos, e dentro das normas éticas da advocacia, o resultado deixa de ser imprevisível e passa a ser replicável. 

Este guia reúne as práticas mais eficazes utilizadas por profissionais de marketing jurídico, eventos corporativos e performance digital para transformar seus eventos em verdadeiras máquinas de geração de relacionamento, autoridade e oportunidades de negócio. 

Por que meu escritório de advocacia deve realizar um evento? 

Na LETS Marketing, recebemos quase que diariamente contatos de advogados que contrataram alguma agência de marketing digital e se frustraram na expectativa de fechar contratos com empresas a partir da estratégia de tráfego pago. 

Quando desejamos honorários advocatícios relevantes, normalmente envolvendo contratos B2B, precisamos presumir que as empresas desejadas já são juridicamente amparadas. E encontrar um espaço para ‘furar’ esse bloqueio pode não ser simples. 

Acreditamos e utilizamos as ferramentas de marketing digital para diversos objetivos estratégicos. Mas, sobretudo, acreditamos que um advogado é escolhido quando:  

  1. O cliente corporativo confia no escritório de advocacia 
  1. O cliente corporativo tem uma dor não solucionada ou não conhece uma oportunidade jurídica específica 

Os eventos jurídicos, portanto, são ferramentas para ativar a estratégia ‘fisital’ no escritório de advocacia. Ou seja, unindo os pontos fortes do marketing digital e da experiência física. 

Esse método presume o escritório pode converter leads por meio do tráfego pago. Mas para aumentar as chances de esse contato evoluir para fases mais avançadas do CRM (Customer Relationship Manager), até obter uma proposta de honorários aprovada, será fundamental atender aos dois bullets citados acima. 

Realize eventos com seu público, traga-o para perto do escritório, crie relacionamento e confiança percebida. Quando os contratos são vistos como consequência desses esforços, e não como meta principal dos investimentos de marketing jurídico, o resultado sustentável acontece, rumo ao crescimento do escritório. 

Por que uma página exclusiva de conversão é indispensável para eventos jurídicos? 

Um dos erros mais comuns na divulgação de eventos realizados por escritórios de advocacia e demais players do mercado jurídicos é direcionar o tráfego para páginas genéricas,como Google Forms, ou plataformas de inscrição cheias de distrações, como a plataforma Sympla.  

Para que a conversão seja eficaz e quase que inevitável, quando o visitante chega até o anúncio ou convite, ele precisa encontrar um único caminho possível, seguindo o método de Call to Action (CTA): realizar a inscrição ou abandonar a página. 

Uma página específica de conversão,  a landing page, tem exatamente esse papel. Diferentemente de um site institucional, formulário único ou plataformas abertas de eventos, ela é construída com foco exclusivo em conversão no seu evento, eliminando qualquer elemento que possa dispersar a atenção do usuário ou levá-lo para outro destino, como redes sociais do organizador. 

Na prática, isso significa: 

  • Ausência total de menus, rodapés ou links externos. 
  • Conteúdo direto, explicando claramente o valor do evento. 
  • Um formulário simples, objetivo e estrategicamente pensado. 

Além disso, essa página precisa ser totalmente responsiva. Hoje, a maior parte do tráfego de campanhas digitais ocorre via dispositivos móveis, especialmente em anúncios no Instagram, Facebook e até mesmo no Google.  

Se a página não for otimizada para celular, a perda de conversão é imediata. Não existe mais espaço para o design que não seja mobile first. Ou seja, ele primeiro deve ser pensado para smartphones para depois serem realizadas as devidas adaptações ao desktop. 

Outro ponto essencial é o formulário de inscrição. Ele não deve coletar dados excessivos, mas sim informações suficientes para: 

  • Entender o perfil do inscrito. 
  • Permitir segmentações futuras. 
  • Viabilizar abordagens comerciais ou institucionais após o evento. 

Esse equilíbrio entre simplicidade e estratégia é o que diferencia páginas que apenas geram inscrições daquelas que geram inscrições qualificadas. 

Como estruturar lembretes e follow-ups para garantir presença no evento? 

Conseguir a inscrição não significa garantir a presença. Na realidade, uma parcela significativa dos inscritos em eventos presenciais ou online simplesmente esquece a data, o horário ou perde o compromisso em meio à rotina. A tradição do marketing estima algo como 40%, embora isso possa variar a depender de diversos fatores, como localização dos inscritos, formato presencial ou on-line do evento, tema e experiência proporcionados pelo evento e, acima de tudo, o perfil do convidado – se ele já tem relacionamento com o escritório organizador ou se é lead recém-convertido. 

Por isso, a comunicação pós-inscrição é tão importante quanto a campanha de divulgação. 

Uma estratégia eficiente de follow-up deve ser automatizada e previsível. O fluxo mais utilizado por organizadores profissionais de eventos inclui, no mínimo: 

  • Um e-mail imediato de confirmação, reforçando a inscrição. 
  • Um lembrete enviado na véspera do evento. 
  • Um lembrete final no próprio dia do evento. 

Essas mensagens não servem apenas para “lembrar” o convidado, mas também para reforçar o valor do conteúdo, a exclusividade do encontro e a importância da presença. 

Outro recurso extremamente eficaz é permitir que o inscrito adicione o evento diretamente à agenda (Google Calendar, Apple Calendar ou Outlook). Esse simples detalhe de integração entre plataformas gera notificações automáticas no celular e reduz drasticamente as faltas. 

Eventos que não utilizam follow-up estruturado costumam ter taxas de comparecimento baixas. Já aqueles que trabalham bem nessa etapa conseguem melhorar significativamente o aproveitamento do público inscrito, como temos visto na LETS Marketing 

Por que a configuração técnica correta impacta diretamente os resultados? 

Mesmo com uma boa página e uma boa comunicação, nada funciona corretamente se a base técnica estiver mal configurada. Plataformas de anúncios como Google Ads e Meta Ads dependem de dados para aprender, otimizar e entregar resultados melhores ao longo do tempo. 

Isso significa que é indispensável: 

  • Instalar corretamente as tags e pixels de rastreamento. 
  • Configurar eventos de conversão (como inscrição confirmada). 
  • Garantir que essas informações estejam integradas à landing page. 

Sem isso, as plataformas não conseguem identificar quem realmente se inscreveu no evento. Na prática, o algoritmo passa a otimizar para cliques ou visualizações, e não para conversões reais (o que aumenta custos e reduz a qualidade dos inscritos). 

Uma estrutura técnica bem feita permite: 

  • Redução gradual do custo por inscrição. 
  • Melhor entrega dos anúncios para o público certo. 
  • Maior previsibilidade nos resultados. 

Como escolher a plataforma de anúncios e o público correto? 

Não existe uma resposta única sobre qual plataforma é melhor para divulgar eventos jurídicos. A escolha depende diretamente do tipo de evento, do público-alvo e do comportamento de busca desse público. 

Acima de tudo, vale lembrar o conceito de que público que pode comparecer ao evento está engajado na sua marca. Ou seja, o nível de engajamento do convidado impacta totalmente na possibilidade de presença. É fundamental, portanto, trabalhar constante a base de leads de forma a engajá-la não apenas quando o evento for anunciado, mas durante todo o ano.  

Afinal, quanto mais contatos qualificados sua lista de marketing tiver, incluindo clientes, parceiros e demais leads convertidos, maior o potencial de sucesso do seu evento.  Newsletters de conteúdo útil mensagens amigáveis são ferramentas de marketing direto que devem ser ativadas durante todo o ano, de forma inteligente e no volume certo, sem exageros, para manter o alto engajamento da base. 

Mas agora vamos presumir que seu escritório pretenda convidar pessoas que ainda não pertencem à sua base de contatos, com o devido consentimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). 

Nesse caso, o inbound marketing via tráfego pago é a ferramenta que permitirá alcançar novas pessoas para seu evento. 

O Google Ads tende a funcionar melhor quando o tema do evento atende a uma demanda já existente, ou seja, quando as pessoas estão ativamente buscando por aquele assunto. Nesses casos, o trabalho com palavras-chave bem definidas é fundamental. 

Já o Meta Ads costuma ser mais eficaz para criar demanda, fortalecer autoridade e alcançar públicos segmentados por interesse, cargo, comportamento e localização. É especialmente útil para eventos recorrentes ou quando o público ainda não está buscando ativamente pelo tema. 

Em muitos cenários, a estratégia mais eficiente é a combinação das duas plataformas, utilizando cada uma dentro do seu ponto forte. 

Quais métricas e projeções são essenciais para planejar um evento lotado? 

Um erro comum é planejar eventos com base apenas em expectativa. Eventos profissionais são planejados com base em números. 

De forma geral, é preciso entender três métricas principais: 

  • Custo médio por inscrição. 
  • Taxa média de comparecimento. 
  • Número desejado de participantes presentes. 

A partir desses dados, é possível fazer projeções realistas.  

Exemplificando: Se a taxa média de comparecimento gira em torno de 30% a 40%, por exemplo, isso significa que, para cada 100 inscritos, apenas 30 a 40 pessoas estarão presentes. 

Com base nisso, o organizador consegue calcular: 

  • Quantas inscrições são necessárias. 
  • Qual investimento aproximado em mídia será exigido. 
  • Se o orçamento está coerente com o objetivo do evento. 

Esse tipo de planejamento evita frustrações e permite ajustes estratégicos antes mesmo do início da campanha. 

Importante lembrar que um evento bem-sucedido não precisa ser grande e pode, inclusive, ter o perfil de ‘petit comitê’.  

Ou seja, um café da manhã em uma sala de reunião, no escritório de advocacia, cumpre um excelente papel de aproximar-se do convidado.  

No fundo, é tudo sobre relacionamento e experiência do cliente. 

Quais ações complementares aumentam o público com menor custo? 

Além do tráfego pago, existem ações extremamente eficazes e, muitas vezes, subutilizadas. 

Uma delas é o convite direto para pessoas que já participaram de eventos anteriores. Esse público já conhece o formato, confia na organização e costuma ter taxas de comparecimento mais altas. 

Outra ação estratégica é reimpactar inscritos de eventos passados que, por algum motivo, não compareceram. Em geral, são pessoas da mesma região e com interesse comprovado no tema. 

Essas iniciativas ajudam a reduzir o custo médio por participante e fortalecem a fidelização do público ao longo do tempo. 

Como devo definir o tema do meu evento? 

Essa é uma questão importante e, antes de respondê-la, é fundamental lembrar um conceito importante de marketing. 

O ativo mais importante do evento é o público, não o tema. 

Afinal, como exemplo, seu evento sobre a reforma tributária pode reunir contribuintes pessoas físicas, executivos jurídicos e demais dirigentes de empresas. Mas isso não significa que eles podem contratar apenas suas soluções em Direito Tributário. 

Em algum momento, talvez essas pessoas precisem futuramente de apoio em Direito Criminal ou Contencioso Societário, por exemplo, cujos temas poderiam esvaziar totalmente um evento. 

Ou seja, o evento não deve ser pensado para vender unicamente a solução sobre a qual tem sido discutida, ou solucionar uma dor específica do cliente. O principal ganho que o escritório tem ao realizar o evento com um público qualificado é aproximá-lo de seus advogados, para que ser percebidos com confiança e possam ser escolhidos quando o público precisar de assessoria jurídica. 

Capriche nas credenciais do seu escritório de advocacia 

Na hora de preparar o convite e a landing page, principalmente quando miramos contatos novos, que ainda não pertencem à base de leads do escritório, é fundamental convencer o convidado que ele confiar no escritório. 

Premiações, certificações, reconhecimentos de mercado, currículos qualificados e posições de destaque em rankings jurídicos cumprem o papel fortalecer a reputação percebida do escritório nas comunicações.  

Vale lembrar que a copywriting também deve ser atrativa e ir ao encontro com o interesse do convidado. Ela é o carro-chefe do convite. 

Mas as credenciais são a cereja do bolo que divide escritórios de alta performance e escritórios em desenvolvimento. Saiba mais sobre rankings jurídicos. 

Divulgação de eventos jurídicos e o Código de Ética da OAB 

Ainda, poucos escritórios têm explorado as ferramentas de tráfego pago para divulgar eventos próprios e o motivo, na maioria das vezes, está na tradição. Principalmente no caso de escritórios grandes. 

Há advogados que ainda vivem uma realidade de marketing jurídico anterior ao provimento 205/2021, que regulamentou as diferenças entre ‘publicidade ativa’ e ‘publicidade passiva’ na advocacia. O primeiro conceito impõe regras para os escritórios alcançarem novos públicos por meio do ambiente digital. Não há impedimentos, portanto, para o uso ético de plataformas como Google Ads, LinkedIN Ads e Meta Ads. 

Há ainda os advogados que têm receio sobre o perfil de público que se inscreveria em um evento divulgado amplamente. Mas uma boa equipe de marketing deve ser capaz de mitigar esses riscos por meio curadoria de leads, validações, Recaptcha e entre esforços visando uma experiência de sucesso, sem penetras. 

Por fim, é indispensável reforçar que toda a divulgação de eventos jurídicos deve respeitar rigorosamente o Código de Ética e Disciplina da OAB. 

Isso envolve: 

  • Comunicação com caráter informativo e educativo. 
  • Ausência de promessas de resultado. 
  • Linguagem sóbria e compatível com a advocacia. 
  • Segmentação adequada, sem apelos comerciais indevidos. 

Por esse motivo, a estruturação e divulgação de eventos jurídicos deve ser feita por profissionais que compreendam tanto marketing quanto as particularidades éticas da advocacia. Essa combinação é o que garante segurança jurídica, credibilidade e resultados consistentes. 

Saiba mais sobre o provimento 205/2021 da OAB. 

* Juliano Trevisan é especialista em Performance e Inovação da LETS Marketing, bacharel em Direito e profissional com 13 anos de experiência em marketing digital e tráfego pago. 

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Se você não tem um mailing, está perdendo oportunidades

Mailing

O marketing jurídico amadureceu. Escritórios aprenderam a olhar para marca, conteúdo e performance com mais método e propósito. Mas há um pilar silencioso que ainda separa quem comunica bem de quem apenas publica: o mailing.

Por Rafael Gagliardi

Manter uma base de contatos atualizada, segmentada e nutrida é uma das ações mais subestimadas e, ao mesmo tempo, mais estratégicas para um escritório. O mailing é o centro de gravidade do relacionamento com clientes e potenciais clientes. Ele permite direcionar conteúdo relevante, cultivar autoridade e criar vínculos duradouros. Em um mercado saturado de postagens, o e-mail é o canal que corta o ruído e chega diretamente onde realmente importa: na caixa de entrada das pessoas.

A diferença entre falar com todos e conversar com quem importa

Publicar nas redes sociais é importante, mas elas são voláteis. O algoritmo decide quem vê, quando vê e se vê. Já o e-mail é direto, sem intermediação. É você falando com quem autorizou essa conversa. E quando essa base é construída de forma ética e bem segmentada, ela se transforma em uma fonte de oportunidades previsível e mensurável.

O e-mail não é apenas mais um canal. Ele é o elo entre o escritório e os públicos que já demonstraram algum nível de interesse ou relação. É o ponto de contato que permite atualizar clientes sobre mudanças legislativas, compartilhar análises exclusivas, divulgar eventos e manter a lembrança ativa do escritório.

O mailing é sobre estratégia, não sobre volume

Ter milhares de endereços não significa ter uma boa base. A força de um mailing está na qualidade e na atualização. Um banco de contatos envelhecido, repleto de e-mails inativos ou duplicados, distorce métricas e prejudica entregabilidade. É como falar para um auditório vazio.

O ideal é tratá-lo como um organismo vivo. Revisar periodicamente, eliminar contatos obsoletos, segmentar por perfil, área de atuação ou nível de relacionamento. Isso permite que o escritório fale com a pessoa certa, no momento certo e com o assunto certo.

Segmentar um mailing é como desenhar um mapa de afinidades. Um gestor jurídico de uma grande empresa não quer o mesmo tipo de conteúdo que um empreendedor do agronegócio. E um ex-cliente pode se interessar por temas diferentes de um lead novo. A personalização começa pela segmentação.

A diferença entre relevância e ruído

O maior risco do e-mail marketing jurídico é parecer spam. A fronteira entre o útil e o incômodo é fina. O segredo está em entregar valor. Um conteúdo genérico, que poderia ter sido enviado a qualquer pessoa, perde o poder de conexão.

A lógica é simples: se o e-mail não serve para ajudar, educar ou informar o destinatário, ele não deveria ser enviado. O público jurídico valoriza clareza, objetividade e credibilidade. Enviar um artigo técnico que resolve uma dúvida prática ou uma análise sobre uma decisão recente gera engajamento e posicionamento.

E há dados que comprovam isso. Pesquisas internacionais mostram que o e-mail segue como o canal de maior retorno em comunicação digital, com ROI médio de 40 dólares para cada 1 dólar investido (fonte: Campaigner, 2025). Mesmo em tempos de automações e inteligência artificial, o e-mail continua sendo a ferramenta mais eficaz para nutrir relacionamentos profissionais.

Como estruturar um mailing que gera resultado

A construção de um mailing eficiente passa por método. Primeiro, é preciso definir quais públicos são estratégicos. Depois, entender que tipo de informação cada um deles valoriza. Isso evita comunicações genéricas e reforça o posicionamento do escritório como fonte de conhecimento confiável.

Um exemplo prático: um escritório tributário pode dividir sua base entre diretores financeiros, gestores de contabilidade e empresários. Para cada grupo, o conteúdo deve ser adaptado. Relatórios e análises detalhadas para o primeiro público. Notícias sobre obrigações fiscais para o segundo. Artigos sobre planejamento e compliance tributário para o terceiro.

O segredo é pensar no mailing como um funil de relacionamento. No topo, estão os contatos que ainda não conhecem o escritório e precisam de informações introdutórias. No meio, estão os interessados, que já consomem conteúdo e participam de eventos. No fundo, estão os clientes e parceiros, com quem o escritório deve manter uma comunicação contínua e personalizada.

A importância da frequência e do tom certo

A pior prática é enviar um e-mail apenas quando há algo a divulgar. Mailing não é disparo, é relacionamento. O envio deve seguir uma cadência que equilibra presença e relevância.

Uma newsletter mensal com análises e atualizações pode funcionar para a maioria dos escritórios. Já comunicações sazonais ou temáticas podem ser usadas para campanhas específicas, como mudanças tributárias ou novas legislações. O importante é manter consistência e coerência.

O tom também conta. E-mails em linguagem excessivamente técnica afastam leitores. Já mensagens informais demais podem soar pouco profissionais. O ideal é um tom institucional, claro e humano, que mostre domínio técnico sem perder empatia.

Mailing e notoriedade: o impacto silencioso

A comunicação direta tem um efeito colateral positivo: constrói autoridade. Ao aparecer com constância na caixa de entrada de decisores, o escritório passa a ser lembrado como referência.

Quando um cliente pensa em determinado tema e associa o nome do seu escritório a ele, o mailing cumpriu seu papel. Essa lembrança é o que alimenta a confiança e a recorrência.

Além disso, e-mails bem planejados ajudam a medir o interesse do mercado. As taxas de abertura, cliques e respostas revelam quais temas despertam mais atenção. Isso orienta o planejamento de conteúdo e até o desenvolvimento de novas áreas de atuação.

Por que o mailing é mais eficiente que o algoritmo

Redes sociais são importantes, mas relativamente imprevisíveis. O alcance varia, a entrega depende de impulsionamento e as métricas são voláteis. O e-mail, por outro lado, é estável e controlável. Ele não precisa de intermediários para ser entregue.

E há outro ponto crucial: o mailing é um ativo do escritório. Diferente das redes, que pertencem a plataformas externas, a lista de contatos é propriedade da instituição. Isso significa autonomia, segurança e previsibilidade.

Manter essa base atualizada é como cuidar de um ativo financeiro. Ela cresce em valor com o tempo. Cada novo contato é uma porta aberta para diálogo, oportunidade ou recomendação.

Cuidados éticos e técnicos

O uso de mailing no setor jurídico deve seguir as regras do Provimento 205/2021 da OAB, que permite comunicações informativas, mas veda publicidade invasiva. A base precisa ser construída com consentimento e utilizada com responsabilidade.

Também é fundamental cuidar da infraestrutura técnica: configurar domínios, autenticar envios (SPF, DKIM, DMARC), garantir a proteção de dados e evitar práticas que prejudiquem a reputação do domínio. Um e-mail mal configurado pode cair em spam e comprometer toda a estratégia.

O mailing como inteligência de negócio

O mailing não serve apenas para comunicar, mas também para aprender. Ele mostra quais temas geram mais engajamento, quais públicos são mais responsivos e quais segmentos têm maior potencial de negócio.

Com um CRM integrado, é possível cruzar dados de abertura, conversão e relacionamento, construindo um retrato fiel da jornada do cliente. Essa inteligência ajuda o escritório a direcionar melhor seus esforços comerciais, priorizando contatos com maior probabilidade de retorno.

Um mailing bem gerido é um patrimônio estratégico. Ele reflete o histórico de relacionamentos do escritório e sustenta a previsibilidade comercial. Quem começa cedo colhe resultados consistentes.

Enquanto muitos escritórios apostam em campanhas de curto prazo, aqueles que mantêm um mailing sólido criam uma base de fidelidade. O cliente pode até não contratar imediatamente, mas continuará acompanhando, aprendendo e lembrando. Quando precisar, saberá quem procurar.

A pergunta que todo escritório deveria se fazer

Hoje, redes sociais podem desaparecer, algoritmos podem mudar e anúncios podem encarecer. Mas a sua base de contatos, se bem construída, permanece.

Você sabe exatamente quem está recebendo suas mensagens? Sabe se o conteúdo que envia está chegando a quem importa? Ou ainda depende da sorte dos algoritmos para ser visto?

O mailing é o antídoto contra a dispersão. Ele concentra, direciona e preserva relacionamentos. Mais do que uma ferramenta de marketing, é um mecanismo de confiança e reputação.

O escritório que compreende isso deixa de correr atrás de atenção e passa a cultivar presença.

Quem tem mailing tem relacionamento. E quem tem relacionamento, tem mercado.

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Programas de voluntariado corporativo como ferramenta de engajamento interno

Programas de voluntariado corporativo

Já se perguntou o que motiva cada colaborador da sua equipe? Um dos temas e desafios mais recorrentes da alta liderança das organizações na atualidade é entender o que motiva cada colaborador, indo além de recompensas financeiras e benefícios imediatos, o foco agora é compreender o que gera conexão e propósito.

Por Luana Pablos e Tamires Auad

Nesse contexto, as ações de responsabilidade social corporativa, têm ganhado muito espaço dentro das organizações que valorizam a coerência entre propósito e prática em sua cultura organizacional. Entre elas, os programas de voluntariado corporativo se destacam como uma poderosa ação de engajamento interno, pois unem valores organizacionais a práticas concretas, proporcionando aos colaboradores uma experiência real de construção coletiva.

Iniciativas que trazem isso, são capazes de gerar conexão e propósito pois, ao atuarem em prol de causas sociais e ambientais, colaboradores se unem por um objetivo em comum, fortalecem vínculos e desenvolvem competências essenciais como escuta ativa, empatia e trabalho em equipe. Esse movimento impacta diretamente a cultura organizacional, que se torna mais colaborativa, diversa voltada para o bem comum.

Quando incorporado ao planejamento cultural e na comunicação interna da empresa, ele também deixa de ser uma ação pontual para se tornar um instrumento de fortalecimento da identidade organizacional. Compartilhar histórias de impacto, envolver lideranças e reconhecer quem participa das iniciativas são formas de transformar o voluntariado em uma narrativa viva, que mobiliza e reforça a coerência entre discurso e prática.

Ao integrar engajamento, comunicação e cultura, o voluntariado corporativo se consolida como um elo estratégico entre o indivíduo e a empresa. Ele mostra que o verdadeiro pertencimento nasce quando as pessoas se sentem parte de algo maior e quando o impacto positivo ultrapassa as fronteiras do ambiente de trabalho para transformar também a sociedade.

O engajamento interno é resultado de conexões reais entre pessoas, propósito e cultura organizacional. Mais do que políticas, remuneração e benefícios, ele se sustenta em experiências significativas, capazes de gerar pertencimento e orgulho.

O que temos percebido nestes anos de voluntariado corporativo?

De acordo com uma  realizada em 2017 pela Organização das Nações Unidas em parceria com o Bank of America Merrill Lynch e uma consultoria, empresas participantes que estimularam seus colaboradores a serem voluntários em organizações parceiras ou projetos sociais desenvolvidos pelas próprias corporações tiveram um aumento de 16% de engajamento dos seus profissionais demonstrados em pesquisas internas. Além disso, a pesquisa evidenciou que aproximadamente 30% dos brasileiros nunca praticaram o voluntariado, embora demonstrassem a vontade de participar.

A incorporação de práticas de voluntariado corporativo no calendário institucional de empresas tem sido ferramenta essencial para conectar pessoas que praticam o voluntariado habitualmente e outras que gostariam de ser voluntárias, mas não encontraram tempo, causa, organização ou oportunidade de praticar o voluntariado, até isso se tornar parte da sua rotina. Além disso, após a pandemia de Covid 19, em 2020, parte das empresas optaram por seguir em modelo remoto ou híbrido, o que por vezes torna as interações do dia a dia de trabalho restritas às trocas estritamente profissionais, e encontrar maneiras de promover interações mais profundas e com propósito pode ser a ferramenta chave para vínculos mais duradouros.

Ainda, é importante destacar que o voluntariado corporativo pode acontecer por meio da doação de tempo, de conhecimento ou de recursos. Em qualquer um dos casos, duas coisas precisam ser levadas em consideração: (i) parte da magia do voluntariado corporativo está em fazer parte de algo maior e em grupo; (ii) o envolvimento de lideranças representa como a própria empresa avalia o voluntariado corporativo, por isso, é essencial para o desenvolvimento de ações de sucesso.

E então, por onde começar?

1. Escolha as suas causas

A primeira coisa que não podemos esquecer é o que nos torna humanos: empatia e compaixão.

Nesses últimos anos gerindo, organizando e participando de ações de voluntariado corporativo, o que percebemos é que é praticamente impossível não encontrar ao menos uma causa que não sensibilize a alguém. O desafio está em encontrar uma mesma causa que sensibilize a maioria das pessoas para promover maior participação e engajamento.

Além disso, é importante considerar  os valores, missão e propósito da sua empresa nesta tomada de decisão. Esse detalhe imprime identidade e coerência às ações, e facilita a transmissão de mensagens institucionais importantes para os colaboradores.

Para desenvolver o seu programa de voluntariado corporativo, comece realizando uma pesquisa para entender o formato de trabalho voluntário que seus colaboradores gostariam de realizar – como por exemplo, campanhas de arrecadação de recursos, ações Pro Bono, transferência de conhecimento e outras –, organizações que indicam para parceria e causas de interesse.

2. Quanto mais recursos, maior o engajamento

Como qualquer outro projeto da sua empresa, um programa de voluntariado corporativo demanda recursos, e não somente financeiros. É preciso contar com profissionais dedicados à criação, desenvolvimento e organização de ações, bem como, com embaixadores do programa para a promoção do engajamento dos demais. Ainda, é recomendado considerar consultorias especializadas que direcionarão o programa de forma assertiva.

Além disso, vale considerar que trabalho voluntário também demanda tempo – não somente dos voluntários, mas de líderes, equipe de marketing, RH e demais departamentos. Conte com esse recurso para garantir que seus colaboradores possam se engajar no programa de voluntariado da sua empresa.

3. A liderança precisa participar?

O ideal é que a liderança procure participar de algumas atividades dentro do programa de voluntariado corporativo. Isto porque o envolvimento da liderança no tema pode ressignificar alguns “tabus” do voluntariado corporativo, como por exemplo, a ideia de que realizar outras atividades mesmo que institucionais no horário de trabalho pode ser sinônimo de baixa produtividade. Afinal, se uma pessoa em cargo de liderança consegue destinar parte do seu tempo ao próximo, os demais também passam a enxergar o voluntariado corporativo como uma possibilidade.  Ainda, a presença da liderança nas ações reforça a conexão dos valores da empresa com a realidade.

Percebe-se desta forma que uma empresa tem muito a ganhar com a implementação de um programa de voluntariado, mas para que seja efetivo, é necessário alinhar um calendário factível e recursos disponíveis a experiência do colaborador.

 

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Orçamento de marketing jurídico

Quanto investir, onde colocar e como enxergar retorno

Fim do ano batendo na porta e é hora de pensar nos seus gastos com marketing. Nos últimos anos, acompanhando centenas de sociedades no Brasil, vi de perto a confusão mais comum nesta pauta: afinal, o que entra no orçamento de marketing de um escritório de advocacia e como decidir quanto investir sem cair em promessas rasas de crescimento rápido. Escrevo esse conteúdo porque vivi as discussões de planilha, os embates sobre centro de custo, os acertos e os erros no orçamento de marketing jurídico. A boa notícia é que existe método, número e governança para transformar marketing em ativo estratégico e não em linha volátil do financeiro.

Por Rafael Gagliardi, da LETS Marketing

O que realmente entra no orçamento

A pergunta que sempre volta: viagem de sócio para visitar clientes entra em marketing? E o CRM que a TI contratou? O almoço com um prospect? Minha recomendação é: consolide tudo que está relacionado a criar, fortalecer ou manter relacionamento com clientes e com a reputação do escritório em um único guarda-chuva de marketing. Isso inclui pessoas internas de marketing, consultorias, softwares, site e hospedagem, produção de conteúdo, SEO, anúncios, eventos, patrocínios, presentes institucionais, treinamentos, produção audiovisual, PR, pesquisas, CRM e automação, além de deslocamentos estratégicos de relacionamento. Por que centralizar? Porque só assim você enxerga o custo real de aquisição e retenção de clientes, e consegue priorizar o que gera valor.

Checklist rápido para classificar despesas: esta iniciativa influencia visibilidade qualificada, relacionamento, reputação ou inteligência comercial? Se a resposta for sim, ela deve estar no orçamento de marketing, mesmo que a execução passe por outras áreas.

Organize centros de custo antes de falar em percentuais

Muitos escritórios ainda não segmentaram receitas e despesas por centros de custo. Sem isso, o orçamento de marketing vira uma mistura. Sugiro abrir centros de custo por macro categoria: pessoas, tecnologia, conteúdo e design, mídia e distribuição, relacionamento e eventos, pesquisa e inteligência, treinamento. Em cada centro, defina rubricas, responsáveis e metas de resultado. Você enxerga onde está pesado, onde está subinvestido e, principalmente, consegue comparar um ano com o outro com lógica.

Pergunta incômoda para fazer agora: vocês conseguem dizer quanto custou, em 2025, gerar cada oportunidade qualificada nas suas três principais áreas de atuação? Se não, o primeiro projeto de 2026 é de apuração.

Quanto investir: percentuais, benchmarks e objetivos

Na faculdade, aprendi a regra de bolso de investir por volta de 5% da receita líquida. Hoje, vejo sociedades beirando 12% quando há ambição clara de crescimento. Em mercados gerais, o orçamento médio de marketing em 2023 ficou em 7,7% da receita, segundo o Gartner CMO Spend and Strategy Survey (2025). O que isso significa para o jurídico no Brasil? Que a régua entre 5% e 12% é plausível, mas depende de porte, maturidade, posicionamento e do espaço competitivo em cada prática.

Como decidir a sua faixa:

  1. Percentual da receita. Funciona bem para manter consistência e comparar ano a ano.

  2. Benchmark do setor. Use referências de serviços B2B intensivos em reputação e relacionamento para calibrar (consultorias empresariais como Deloitte, PwC e KPMG são bons exemplos). Escritórios que atuam com empresas, alta complexidade e vendas consultivas tendem a exigir percentuais maiores que práticas de alto volume com honorários baixos.

  3. Metas de negócio. Parta do que deseja conquistar e volte para o orçamento. Se a meta é abrir um novo nicho em licitações e aumentar em 25% o share dessa área, você precisa modelar funil, CAC estimado, tempo médio de venda e capacidade de entrega antes de dizer quanto investir.

Perguntas-guia: qual é a taxa de conversão por etapa do funil das três linhas de serviço prioritárias? qual é o ticket médio e o lifetime value por segmento? qual é a velocidade de venda típica de cada área? Sem responder isso, o percentual é um chute elegante (rs). Ao final, explico o que são esses conceitos.

Alocação por funil e por risco

Um bom ponto de partida é usar uma lógica de portfólio de risco (confie que vale a pena):

  • 70% em iniciativas comprovadas no seu contexto, com histórico de resultado: SEO institucional, artigos técnicos com distribuição segmentada, newsletters, webinars para bases conhecidas, PR jurídico com pautas qualificadas, patrocínios recorrentes que entregam relacionamento real.
  • 20% em apostas com tração parcial, escalando o que funcionou no ano anterior: vídeos curtos educativos, séries temáticas por prática, landing pages com diagnósticos, coprodução de conteúdo com parceiros.
  • 10% em experimentos controlados: formatos, canais ou eventos novos. Os experimentos devem ter hipótese, métrica e data de corte. O mercado jurídico pode e deve ser experimental!

No jurídico, esse modelo evita a armadilha do modismo e protege a reputação. Experimentos não podem violar o Provimento 205/2021. O objetivo é informar, educar e construir autoridade, não vender de forma agressiva.

O mapa de contas que funciona no jurídico

Pessoas. Salários, encargos, bônus por metas de marketing e conteúdo, trilhas de capacitação. Labor costuma ser um dos maiores blocos do orçamento. Se o time interno é pequeno, considere orçamento para especialistas externos em projetos pontuais ou atividades recorrentes. Essa tem sido uma tendência.

Tecnologia. CRM, automação de marketing, analytics, ferramentas de SEO, gestão de projetos, design e edição. Defina o que é custo fixo e o que é variável, quem usa e qual métrica a plataforma influencia. CRM é marketing? Sim, se estiver ligado à gestão do relacionamento e do pipeline.

Conteúdo e distribuição. Planejamento editorial por prática, produção de artigos, estudos, vídeos, podcasts, design, revisão, tradução, SEO on page e off page, distribuição orgânica e paga. Sem distribuição, conteúdo vira estoque parado.

Mídia. Search, social, display, impulsionamento de conteúdos institucionais e educacionais. No jurídico empresarial, mídia deve priorizar reputação e descoberta qualificada, não captação imediatista.

Relacionamento e eventos. Patrocínios cirúrgicos, mesas redondas com clientes, cafés com temas de negócio, participação em conferências estratégicas, roadshows de relacionamento. Mensure presença de decisores, reuniões geradas e negócios influenciados. Eventos são canais muito importantes de captação de clientes para advogados.

Pesquisa e inteligência. Pesquisas com clientes, mapeamento de mercados e contas alvo. Esse bloco alimenta narrativas e diferenciação e ajuda na formulação de planos com base em dados.

Treinamento e posicionamento. Media training, escrita clara, social selling ético, palestras internas de prática e negócios. Escritório que treina comunica melhor e erra menos.

O que evitar: promessas fáceis e atalhos caros

É tentador acreditar em soluções de receita rápida. Isso raramente funciona no Direito Empresarial. Um diretor jurídico não troca um escritório por causa de um post. Ele observa consistência, profundidade técnica, experiência setorial, referências e como o time se comunica. Para demandas de alto volume com pessoa física e honorários reduzidos, campanhas diretas podem até gerar leads. No empresarial, o caminho é reputação, relacionamento e provas públicas de competência.

Pergunte agora: que evidências o seu escritório oferece para sustentar o discurso? Casos públicos, estudos, artigos com dados, participação em entidades, palestras técnicas, pesquisas proprietárias, relatórios temáticos. Se a resposta for fraca, alinhe orçamento para construir esses ativos.

Como ligar orçamento a metas reais

Defina 3 a 5 resultados de negócio para 2026, não atividades. Exemplos: crescer 20% em oportunidades qualificadas em tributário consultivo, abrir 15 contas novas em infraestrutura, aumentar em 25% a retenção de clientes de compliance. Desdobre cada resultado em métricas de marketing: alcance qualificado, assinaturas de newsletter por persona, reuniões geradas, taxa de resposta em abordagens, SQLs por prática, pipeline influenciado, share de voz em temas estratégicos.

Construa a cadência: planejamento anual, revisão trimestral, S&OP de marketing mensal, rituais quinzenais com práticas e um dashboard único. O orçamento não pode ser um PDF esquecido.

Como estimar CAC e ROI de forma pragmática

No jurídico, atribuição perfeita não existe. Dá para chegar a uma boa aproximação:

  • CAC por prática. Some custos proporcionais de pessoas, tecnologia, conteúdo, mídia e relacionamento utilizados para gerar oportunidades naquela área e divida pelo número de novos clientes fechados no período.
  • ROI por iniciativa. Some a receita influenciada ou atribuída em 6 a 24 meses, subtraia o custo da iniciativa e divida pelo custo. Use janelas diferentes por tipo de serviço, já que vendas complexas têm ciclos mais longos.
  • Payback. Quanto tempo leva para a receita recorrente média se igualar ao CAC. Se o payback ultrapassa 18 a 24 meses em áreas com alta previsibilidade, reveja a alocação.

Atenção às premissas: no empresarial, um artigo técnico pode influenciar uma venda meses depois. Por isso, além do last click, monitore engajamento profundidade, repetição de contatos, tempo em página e caminhos de conteúdo que antecedem reuniões. Um CRM ajuda muito nisso.

Três cenários de orçamento por maturidade

Essencial. Escritório de pequeno porte com marketing incipiente. Orçamento entre 4% e 6% da receita. Foco em base digital sólida, site com SEO técnico, pauta editorial enxuta, newsletter mensal, CRM básico bem implementado, um evento por trimestre e PR seletivo.

Acelerado. Escritório médio com metas de crescimento. Orçamento entre 7% e 10% da receita. Foco em séries de conteúdo por prática, webinars bimestrais, estudos anuais, funis por persona, automação, matriz de contas alvo, plano de eventos com metas de reuniões geradas, reforço de equipe e governança.

Expansão. Escritório de médio para grande porte abrindo novas linhas ou geografias. Orçamento entre 10% e 12% da receita. Foco em pesquisas de referência, hubs de conteúdo temático, presença nacional e internacional em eventos estratégicos, programas de relacionamento com CFOs e diretores jurídicos e projetos de marca empregadora.

Essas faixas são guias. Há exceções quando o escritório está reposicionando marca, fazendo M&A, entrando em um nicho regulatório com janela clara ou estruturando operação em outra praça do País.

Governança que protege o investimento

Quem decide e quem executa. Crie um comitê de orçamento ou um comitê de marketing com um sócio sponsor, marketing, financeiro e líderes de prática. Defina responsabilidades, critérios de priorização e políticas. O comitê não aprova post; ele aprova alocação, metas e cortes.

Regra de ouro para cortar. Toda linha deve ter dono, hipótese de valor e métrica. Sem dono e sem métrica, corte. Se a métrica não evolui em dois ciclos de revisão, substitua a iniciativa ou ajuste o desenho.

Transparência. Publique um dashboard simples para o managing partner com as cinco métricas que movem o negócio. E faça pós-evento e pós-campanha com lições e próximos passos.

Exemplo prático de montagem de orçamento

Imagine um escritório empresarial com foco em tributário, contratual e trabalhista consultivo. Receita anual de 30 milhões. Meta de crescer 15% em 2026. Decide investir 8,5% da receita, com revisão trimestral. A alocação inicial poderia ficar assim:

  • Pessoas de marketing ou agência terceirizada: 40%
  • Tecnologia e dados: 10%
  • Conteúdo e SEO: 10%
  • Mídia e distribuição: 10%
  • Relacionamento e eventos: 20%
  • Pesquisa e inteligência: 5%
  • Treinamento e marca empregadora: 5%

A partir daí, é mapear as atividades específicas dentro desses temas, colocar em uma linha do tempo, especificar os custos (mesmo que estimados) e acompanhar religiosamente a evolução, os ganhos, os responsáveis, etc.

Onde times escorregam

Não contar horas internas. Pessoas são custo. Se o time jurídico investe 40 horas por mês em conteúdo e relacionamento, isso tem valor que precisa ser registrado para medir custo real.

Empilhar ferramentas. Sem governança, você soma licenças e ninguém usa. Eleja plataformas core, desative o que não gera métricas e estabeleça onboarding e responsáveis.

Ignorar restrições éticas. Toda comunicação deve ser informativa, sóbria e alinhada ao Provimento 205/2021 da OAB. O investimento precisa privilegiar autoridade e relacionamento, não publicidade direta.

Comparar laranjas com maçãs. Métricas de awareness não se comparam a métricas de fechamento. Crie trilhas de indicadores por etapa do funil para não punir uma iniciativa que cumpre bem seu papel de topo.

Para finalizar

Orçamento bom conversa com a estratégia do escritório, dá visibilidade aos sócios e protege a reputação. Ele responde a perguntas que importam: o que priorizar, quanto custa crescer 20% nesta área, que competências internas faltam, que canais sustentam nosso posicionamento, que narrativas nos diferenciam de fato e que apostas fazem sentido agora.

Se eu pudesse deixar um roteiro para começar hoje, seria este:

  1. Centralize despesas de marketing em um único plano com centros de custo claros.

  2. Escolha uma faixa de investimento coerente com a ambição do próximo ano. Use 5% a 12% como régua inicial e ajuste por maturidade e metas.

  3. Amarre orçamento a três resultados de negócio mensuráveis e defina métricas por etapa.

  4. Monte governança com comitê, dono por linha e cadência de revisão trimestral.
  5. Invista em ativos de reputação que ficam: estudos, hubs de conteúdo, programas de relacionamento, formação do time.

  6. Dê ao marketing a posição que merece: parte da estratégia, não apêndice operacional.

Marketing bem orçado é escolha disciplinada por crescimento, não uma vaquinha para pagar posts. Os escritórios que separarem desejo de realidade, aceitarem medir, tiverem coragem de priorizar e souberem dizer não para atalhos vão colher relacionamento forte, pipeline previsível e marca preferida.

A planilha não resolve tudo, mas organiza a ambição e mostra o caminho. Assumo, por experiência, que esta é a diferença entre gastar e investir.


Glossário

Analytics
Ferramentas e métodos de coleta e interpretação de dados de tráfego, conversão e engajamento que embasam decisões de marketing.

Brand awareness
Nível de reconhecimento da marca. No jurídico, impacta lembrança em convites, cotações e indicações.

Brand safety
Práticas para preservar reputação em canais e formatos. Essencial para escritórios que atuam em temas sensíveis.

CAC
Custo de aquisição de cliente. Soma de gastos proporcionais para gerar novos contratos dividido pelo número de clientes adquiridos no período.

Ciclo de venda
Tempo médio entre primeiro contato e fechamento de contrato. Define janelas de atribuição e expectativas de ROI no jurídico empresarial.

Conteúdo evergreen
Materiais de longa vida útil que mantêm relevância e tráfego ao longo do tempo. Exemplo: guias, FAQs técnicos e white papers.

CRM
Sistema de gestão de relacionamento que organiza contatos, histórico e pipeline. No jurídico, integra marketing, sócios e business development.

Funil de marketing
Modelo que organiza etapas de jornada. No jurídico, costuma incluir atrair, nutrir, converter e encantar, com métricas específicas por fase.

Indicadores de topo, meio e fundo
Métricas por etapa do funil. Topo mede alcance qualificado e consumo de conteúdo. Meio mede assinaturas, trilhas e reuniões. Fundo mede propostas e fechamentos.

KPI
Indicador chave de performance que conecta atividade a objetivo de negócio.

LTV
Valor do ciclo de vida do cliente. No jurídico empresarial, considera recorrência e expansão do relacionamento.

Matriz de priorização
Ferramenta para hierarquizar iniciativas por impacto e esforço, apoiando escolhas orçamentárias.

Nutrição
Sequência de contatos úteis que amadurece o relacionamento até a reunião ou proposta.

OKR
Metodologia de objetivos e resultados chave que pode alinhar práticas, marketing e financeiro.

Payback
Tempo necessário para que a margem gerada por um cliente cubra o CAC. Em serviços complexos, costuma ser mais longo.

Pipeline
Conjunto de oportunidades ativas por estágio. É base para metas e previsibilidade.

PR jurídico
Relações com a imprensa especializada e participação em pautas de negócios para reforçar autoridade.

Roadshow
Sequência de encontros planejados com contas-alvo em uma praça ou período determinado.

ROI
Retorno sobre o investimento. No jurídico, avalia influência do marketing sobre receita nova e recorrência.

S&OP de marketing
Ritual mensal de planejamento e operação que alinha produção, distribuição e metas com práticas e financeiro.

SEO
Conjunto de práticas técnicas e de conteúdo para melhorar a presença orgânica do escritório em buscadores.

SERP
Página de resultados do buscador onde o conteúdo do escritório disputa atenção com portais e concorrentes.

Share of voice
Participação do escritório na conversa pública sobre temas relevantes em comparação com pares.

SQL
Lead qualificado por vendas que atende critérios para abordagem do sócio responsável.

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Por Rafael Gagliardi

Durante muitos anos, o marketing jurídico foi tratado como algo secundário. Um adereço, uma ferramenta de suporte, um custo a ser controlado. Em grande parte dos escritórios, ele ainda entra apenas no final do processo: depois da estratégia, da operação e da gestão. Quando sobra tempo e orçamento, pensa-se em “fazer marketing”. Esse modelo já não faz sentido. Hoje, o marketing é parte essencial da estratégia de negócios. Ele define como o escritório é percebido, quais oportunidades surgem, quem se interessa pela marca e até quem quer fazer parte dela.

Mas essa mudança não é apenas técnica. É cultural. É uma transformação de mentalidade que exige dos escritórios algo que sempre foi difícil: parar de olhar o marketing como vitrine e começar a vê-lo como inteligência de crescimento.

O marketing jurídico precisa amadurecer. E isso passa por repensar sete pontos centrais, além de abandonar de uma vez por todas as promessas de crescimento rápido que continuam seduzindo escritórios desavisados.

De divulgação para posicionamento

Ainda há quem confunda visibilidade com relevância. Publicar nas redes, participar de eventos ou aparecer em matérias não constrói autoridade se o discurso não tiver coerência. O mercado jurídico é extremamente sensível à consistência: o que sustenta a reputação é a entrega, e não o discurso.

Em vez de frases genéricas como “atendimento personalizado” ou “somos referência”, é preciso construir narrativas com base em provas concretas, como cases, resultados, publicações consistentes e reconhecimento legítimo.

Reputação é construída no tempo, com base em credibilidade e clareza de posicionamento. É o que faz um escritório ser lembrado e procurado, mesmo quando não está falando de si.

De serviço para experiência

O cliente jurídico contemporâneo não busca apenas competência técnica. Ele quer previsibilidade, clareza e uma relação transparente. Observa o modo como o escritório se comunica, o tempo de resposta, a postura nas reuniões e o cuidado com os detalhes.

A experiência é o novo diferencial. Escritórios que oferecem jornadas fluidas e empáticas criam vínculos mais fortes e duradouros. E essa percepção não nasce apenas do jurídico, mas também da forma como o marketing traduz o valor do serviço.

Muitos escritórios acreditam que “experiência” é um luxo restrito a grandes bancas, mas é o contrário: a experiência começa no básico, como uma linguagem acessível, um contato humanizado e a capacidade de fazer o cliente entender o que está sendo feito por ele. Acredite: É mais difícil fazer isso em uma grande estrutura do que em uma pequena.

De conteúdo informativo para conteúdo estratégico

Publicar por publicar não é estratégia. Muitos escritórios ainda acreditam que a frequência é o suficiente, mas o que gera resultado é a intenção por trás de cada conteúdo.

Um post jurídico pode informar, mas dificilmente vai gerar valor se não estiver conectado à jornada do cliente. O ideal é que cada material tenha um propósito claro: atrair, nutrir, converter ou encantar. Isso exige planejamento, personas bem definidas e domínio dos canais.

Divulgar decisões ou notícias jurídicas pode ser útil, mas o que realmente diferencia é a análise. A opinião técnica, o olhar crítico, a tradução do impacto prático. Isso é o que o cliente quer ler: o que muda para ele. Na minha opinião, essa é a chave.

De intuição para dados

Marketing sem dados é palpite. E o jurídico, por tradição, ainda é resistente à mensuração. Mas o futuro dos escritórios será definido pela capacidade de interpretar informação.

Ferramentas de CRM, automação e análise de performance permitem entender quem acessa o conteúdo, de onde vem o tráfego, quais temas atraem atenção e quais canais geram retorno real.

Essas informações tornam o marketing mais inteligente e estratégico. Permitem cruzar dados de comportamento, receita, fluxo de caixa e penetração de mercado. E o mais importante: ajudam a decidir onde vale a pena investir tempo e energia.

O resultado é previsibilidade. E previsibilidade é o que transforma o marketing de custo em ativo estratégico.

De conservadorismo para autenticidade

O medo de se posicionar ainda é uma barreira enorme no mercado jurídico. Muitos escritórios preferem não opinar, não aparecer, não se arriscar. O resultado é a padronização: todos se parecem, falam igual e evitam qualquer traço de personalidade.

Mas o cliente não escolhe apenas por técnica. Ele busca identificação. E isso exige autenticidade.

Autenticidade não é informalidade. É coerência. É saber expressar propósito, valores e visão de mundo de forma ética, mas verdadeira. É entender que mostrar a cultura do escritório, as pessoas e a forma de pensar é o que cria conexão genuína. O marketing pode ajudar nisso, não inventando histórias, mas traduzindo o que já existe de maneira estratégica e humana.

De hierarquia para colaboração

Em muitos escritórios, o marketing ainda é subordinado à gestão financeira, encarado como despesa controlável e não como parte da liderança estratégica. Isso bloqueia a inovação.

O ideal é que marketing e sócios caminhem juntos. O planejamento precisa ser integrado, com metas compartilhadas e visão de longo prazo. Em escritórios mais maduros, o marketing participa de reuniões de estratégia, auxilia na precificação de serviços, contribui com a comunicação interna e apoia o desenvolvimento de novos negócios.

Alguns já adotam um percentual fixo da receita destinado a marketing, o que indica uma mudança importante: o marketing deixa de ser gasto e passa a ser investimento.

De curto prazo para construção de marca

Muitos escritórios ainda caem na armadilha do imediatismo. Querem resultados rápidos, mais reuniões, mais clientes, mais faturamento e acabam se frustrando. Marketing jurídico não é sobre velocidade, é sobre constância.

Construir marca é um processo. Exige coerência, frequência e paciência. Os resultados mais consistentes aparecem quando há continuidade entre discurso e prática, e quando o escritório se torna reconhecido por entregar o que promete.

Parar de cair em promessas de crescimento rápido

Essa talvez seja a mudança mais urgente. A promessa de “crescimento rápido”, “funil milagroso” ou “faturamento em 30 dias” tem se espalhado pelo setor, e muitos escritórios caem nessa armadilha.

Funciona, em parte, para quem busca clientes de pessoa física ou honorários de ticket baixo, mas definitivamente não serve para o mercado empresarial. Nenhum diretor jurídico vai trocar de escritório porque viu um post no Instagram.

A advocacia corporativa se baseia em reputação, confiança e relacionamento. O processo de decisão é longo, envolve múltiplos interlocutores e depende de referências sólidas. A comunicação digital pode abrir portas, mas o que define a conversão é o histórico, a credibilidade e a capacidade de entrega.

As soluções rápidas alimentam expectativas irreais. Escritórios gastam tempo e recursos em estratégias que não dialogam com o perfil de seus clientes e, no fim, culpam o marketing por não gerar resultados. O problema não está no marketing, mas na falta de alinhamento entre estratégia e objetivo.

O crescimento sustentável nasce da soma entre posicionamento claro, conteúdo relevante, consistência e relacionamento.

O verdadeiro papel do marketing jurídico

O marketing jurídico deve ser o centro da estratégia de negócios, não a sua periferia. Ele não serve apenas para gerar demanda, mas para traduzir o valor do escritório de forma compreensível para o mercado.

Quando o marketing se integra à gestão, ele ajuda a definir quais áreas merecem investimento, quais públicos são mais promissores e quais canais realmente fazem sentido.

Mais do que comunicar, ele orienta decisões. E é isso que diferencia escritórios que crescem de forma estruturada daqueles que vivem em ciclos de tentativa e erro.

O futuro: do discurso à escuta

A prática do futuro será mais sobre ouvir do que sobre falar. Sobre entender o que o cliente precisa, o que o mercado valoriza e o que o escritório tem de singular para oferecer.

Menos autopromoção e mais autoridade. Menos urgência e mais consistência. Menos promessa e mais propósito.

Os escritórios que compreenderem isso terão um ativo que não se compra: relevância. E relevância é o que garante a perenidade.

No fim das contas, o marketing jurídico que mais gera resultado é aquele que o cliente nem percebe como marketing, porque ele enxerga valor antes mesmo de contratar.

“O marketing jurídico do futuro não será aquele que fala mais alto, mas o que é mais escutado.”

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Advogados precisam aprender sobre comunicação não violenta?

Comunicação não violenta no jurídico

Durante décadas, o Direito foi construído sobre a lógica da disputa. A retórica combativa, o embate de argumentos e a defesa intransigente de posições formaram a base da identidade profissional de gerações de advogados. Essa mentalidade moldou tribunais, salas de reunião e até a forma como os profissionais do setor se comunicam entre si e com seus clientes. Mas o mundo mudou, e os clientes mudaram junto. Em um contexto de negócios que valoriza colaboração, empatia e escuta ativa, a comunicação não violenta surge como uma competência essencial para o advogado moderno. Não se trata de ser menos firme ou menos técnico, mas de ser mais humano e estratégico na maneira de se relacionar.

Por Rafael Gagliardi, sócio da LETS Marketing

A comunicação não violenta (CNV) é uma metodologia criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg na década de 1960, inspirada pelos movimentos de direitos civis e pela filosofia da não violência de Gandhi. A proposta é simples, mas poderosa: transformar a maneira como nos expressamos e ouvimos os outros, substituindo o impulso de reagir pela intenção de compreender.

Na prática, a CNV parte de quatro pilares: observar sem julgar, identificar sentimentos, reconhecer necessidades e formular pedidos claros. Essa estrutura ajuda a reduzir conflitos, fortalecer relacionamentos e criar ambientes de confiança, algo que, no ecossistema jurídico, pode redefinir a cultura de diálogo entre colegas, clientes e até partes adversas.

A essência da CNV é o reconhecimento de que todo comportamento é uma tentativa de atender a uma necessidade. Por trás de uma fala agressiva, há frustração. Por trás de uma reação ríspida, há medo. Entender isso muda completamente o modo como um advogado conduz negociações, lidera equipes e se posiciona diante de situações de tensão.

Por que isso faz sentido para advogados

O exercício do Direito é, antes de tudo, uma atividade humana. O advogado atua em contextos de conflito, vulnerabilidade e tomada de decisão sob pressão. Nesses cenários, a qualidade da comunicação define não apenas o resultado do caso, mas também a experiência das pessoas envolvidas.

A CNV é útil para quem precisa equilibrar firmeza com sensibilidade. O advogado que domina essa habilidade consegue manter a assertividade sem escalar o conflito, defender interesses sem desumanizar o interlocutor e conduzir negociações de forma ética e eficaz.

Pesquisas da American Bar Association mostram que 68% das reclamações de clientes contra escritórios de advocacia nos Estados Unidos estão ligadas à comunicação, e não à técnica jurídica. Isso inclui falta de retorno, tom inadequado em e-mails, posturas defensivas e ausência de empatia em situações delicadas. No Brasil, a realidade não é diferente. Cada vez mais, clientes esperam de seus advogados não apenas competência jurídica, mas clareza, escuta e cuidado.

A CNV oferece ferramentas para isso. Ela ensina a substituir respostas automáticas por perguntas genuínas: o que exatamente essa pessoa está tentando me dizer? O que eu realmente preciso expressar aqui, sem mascarar por meio de acusações ou ironia? Ao mudar o foco da defesa para o entendimento, o profissional ganha influência.

Um mercado que valoriza combatividade pode se beneficiar da empatia?

A advocacia brasileira ainda carrega uma herança de competitividade exacerbada. A formação jurídica incentiva o debate e a argumentação, mas pouco prepara os profissionais para o diálogo. É comum que advogados confundam empatia com fragilidade, o que, na prática, limita o alcance de sua comunicação.

A CNV não propõe abrir mão da técnica ou da firmeza. Ela propõe mudar o meio, não o fim. Um advogado pode ser extremamente persuasivo e, ao mesmo tempo, respeitoso. Pode defender seus clientes com veemência, sem gerar animosidade desnecessária.

Essa mudança de mentalidade tem impacto direto nas relações de trabalho e na imagem institucional. Escritórios que cultivam uma cultura de escuta tendem a reter talentos, resolver conflitos internos mais rapidamente e fortalecer a confiança de seus clientes. Em tempos de alta rotatividade e pressão por bem-estar, isso se torna um diferencial competitivo.

Adotar a comunicação não violenta não significa transformar o escritório em um espaço terapêutico, mas reconhecer que resultados jurídicos e relacionamentos saudáveis não são opostos. Eles coexistem. Escritórios que adotam práticas mais empáticas têm clientes mais leais e equipes mais engajadas.

O papel da CNV na conquista de novos clientes

O processo de encantamento de um cliente começa muito antes da assinatura do contrato. Ele começa na forma como o escritório se comunica. O tom de voz do site, a linguagem dos e-mails, o modo de conduzir reuniões e até a maneira como os advogados explicam temas complexos refletem a cultura da marca.

Em um mercado de serviços intelectuais, o cliente não compra apenas conhecimento técnico. Ele compra segurança, clareza e relação. A comunicação não violenta permite que o advogado traduza complexidade sem arrogância, ouça dúvidas sem impaciência e construa um vínculo de confiança genuíno.

No contexto de prospecção, isso faz toda diferença. Enquanto abordagens frias e impessoais tendem a afastar, uma conversa empática aproxima. Um exemplo prático: em vez de “podemos marcar uma reunião para apresentar nosso escritório”, o advogado poderia dizer “entendo que sua empresa está passando por um momento de reestruturação; posso compartilhar alguns aprendizados de casos semelhantes que talvez ajudem?”. O conteúdo é o mesmo, mas a intenção muda.

Essa sutil diferença gera valor. E valor, no Direito, é o que separa uma proposta rejeitada de uma parceria duradoura.

Como aplicar no cotidiano jurídico

A CNV pode ser integrada à rotina de um escritório de forma gradual e prática. Alguns caminhos possíveis:

1. Treinamentos e dinâmicas internas. Promover oficinas sobre escuta ativa e comunicação empática, especialmente com lideranças, estimula a reflexão sobre padrões de fala e comportamento.

2. Protocolos de diálogo. Criar diretrizes de comunicação interna que privilegiem feedbacks construtivos, evitem interrupções e incentivem perguntas antes de julgamentos.

3. Atendimento ao cliente humanizado. Incorporar linguagem clara em relatórios, evitar jargões excessivos e reforçar a escuta antes de apresentar soluções jurídicas.

4. Cultura de reconhecimento. Estimular agradecimentos públicos, reconhecer conquistas individuais e valorizar esforços que promovam colaboração.

Essas práticas, somadas, geram uma mudança cultural profunda: a substituição do medo da falha pelo aprendizado contínuo.

Combatividade e empatia podem coexistir

Há um equívoco recorrente no meio jurídico: acreditar que comunicação empática significa ceder. Na verdade, é o oposto. A CNV aumenta a assertividade porque remove o ruído emocional que distorce o raciocínio. O advogado que comunica com empatia não foge do conflito, ele o administra de forma estratégica.

Em uma negociação judicial, por exemplo, reconhecer o sentimento da parte contrária, sem concordar com ela, reduz resistências e acelera acordos. Em reuniões internas, validar preocupações da equipe cria engajamento e previne sabotagens silenciosas.

A CNV é uma ferramenta de poder, não de passividade. O advogado que aprende a aplicá-la domina o diálogo. Ele passa a controlar o ambiente de comunicação com clareza, empatia e precisão, três atributos cada vez mais raros e valiosos.

O desafio de desaprender

O maior obstáculo para a comunicação não violenta no Direito é o próprio modelo de formação jurídica. Desde a graduação, o advogado é treinado para vencer, convencer e rebater. Pouco se fala sobre compreender, acolher ou conectar. Esse padrão, repetido por décadas, cria resistência à vulnerabilidade e à escuta.

Mas o mercado jurídico atual exige novas competências. Escritórios com culturas mais humanas estão sendo valorizados por clientes e prêmios institucionais. Departamentos jurídicos corporativos priorizam fornecedores que comunicam de forma colaborativa. E lideranças capazes de dialogar com empatia tendem a inspirar equipes mais estáveis e produtivas.

Desaprender é difícil, mas necessário. Substituir o impulso de responder pelo hábito de escutar é um exercício diário, especialmente em ambientes de alta pressão.

Comunicação não violenta é estratégia

No fim, a CNV não é apenas uma ferramenta de relacionamento. É uma estratégia de posicionamento. O advogado que domina essa habilidade comunica com mais clareza, evita ruídos, fortalece sua imagem profissional e gera diferenciação no mercado.

Em um mundo saturado de opiniões, o profissional que sabe ouvir é o que mais se destaca. A CNV cria pontes onde antes havia muros, entre departamentos, entre sócios, entre o jurídico e o cliente.

Para a advocacia do futuro, o sucesso não virá apenas de quem fala bem, mas de quem escuta melhor.

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Saiba como usar o Inbound Marketing

Encantar é a chave para advogados

Em um mercado jurídico em que 1,5 milhão de advogados disputam a atenção de um público saturado de informações, o diferencial deixou de ser apenas técnico. Hoje, a questão central é: como criar uma relação de confiança, relevância e encantamento com potenciais clientes antes mesmo de uma reunião acontecer? O Inbound Marketing oferece essa resposta. Mais do que uma metodologia de atração, ele é uma estratégia de conexão — e, quando aplicada ao universo jurídico, pode transformar completamente a forma como escritórios geram oportunidades e fortalecem suas marcas.

Por Rafael Gagliardi

A nova lógica da atração

O Inbound Marketing parte de um princípio simples: em vez de interromper pessoas com mensagens publicitárias, você as atrai oferecendo conteúdo útil, relevante e consistente. Essa lógica é especialmente valiosa no Direito, onde a credibilidade é o ativo mais importante. Ao produzir artigos, guias, vídeos, podcasts ou newsletters que resolvem dúvidas reais, o advogado se posiciona como autoridade, gera confiança e cria uma comunidade ao redor de seu conhecimento.

A base do Inbound está em quatro pilares: atrair, converter, fechar e encantar. São etapas que, quando bem estruturadas, transformam desconhecidos em clientes fiéis e, mais do que isso, em defensores da sua marca. A grande diferença é que, em vez de focar apenas na venda do serviço jurídico, o escritório passa a construir uma experiência de valor contínua.

O primeiro passo: atrair com propósito

Atrair não é sinônimo de aparecer. Muitos escritórios investem em publicações regulares nas redes sociais sem uma estratégia clara, acreditando que frequência é o suficiente. Não é. É preciso alinhar cada conteúdo ao perfil ideal de cliente — aquele que você realmente deseja atender e que valoriza seu diferencial.

A definição de personas jurídicas é essencial. Um escritório tributário, por exemplo, pode identificar três perfis principais: o diretor financeiro de uma empresa média, o investidor pessoa física e o empreendedor do agronegócio. Cada um deles tem dores, linguagens e momentos diferentes na jornada de decisão. Entender essas nuances é o que torna o conteúdo relevante e direcionado.

O SEO também tem papel fundamental. Pesquisar palavras-chave específicas, usar termos jurídicos corretamente e criar textos que respondam às buscas reais das pessoas aumentam o alcance orgânico e reforçam o posicionamento do escritório como referência digital.

Converter com inteligência e empatia

Depois de atrair o visitante certo, é hora de transformar interesse em oportunidade. No Inbound, isso se chama conversão — e ela acontece quando o usuário realiza uma ação de engajamento, como baixar um material, se inscrever em uma newsletter ou preencher um formulário para receber atualizações.

No setor jurídico, conversão deve ser tratada com cuidado. As restrições éticas do Provimento 205/2021 da OAB exigem que o marketing jurídico preserve a sobriedade e o propósito informativo. Por isso, é importante que as chamadas para ação sejam discretas, educativas e ofereçam valor real, sem promessas ou apelos comerciais. Um bom exemplo é oferecer um e-book gratuito sobre planejamento sucessório, um infográfico explicando as fases de uma licitação ou um diagnóstico gratuito de maturidade em compliance.

Esses formatos permitem que o escritório capte contatos de forma ética e, ao mesmo tempo, crie um funil de relacionamento baseado em troca de valor.

Fechar com estratégia e timing

Nem todo lead está pronto para contratar um serviço jurídico imediatamente. Muitos estão em fase de aprendizado, buscando entender o problema ou comparando opções. O papel do escritório é acompanhar esse processo com consistência, nutrindo o relacionamento com informações relevantes até o momento da decisão.

Ferramentas de CRM ajudam a organizar esse fluxo. É possível registrar interações, identificar o estágio de cada contato e programar comunicações personalizadas — por exemplo, um e-mail sobre a nova legislação de proteção de dados enviado apenas a leads que demonstraram interesse prévio no tema.

A jornada do cliente jurídico é longa. Fechar um contrato é resultado de confiança acumulada. E isso não acontece com insistência, mas com relevância.

Encantar: o ativo invisível que gera negócios

Encantar é o estágio mais subestimado do Inbound Marketing, mas também o mais poderoso. No mercado jurídico, o encantamento é o que transforma clientes satisfeitos em promotores da marca.

Como escritórios podem encantar? A resposta está em pequenos gestos: comunicações claras, relatórios bem estruturados, entregas dentro do prazo, contato pós-serviço e feedbacks ativos. Quando o cliente se sente ouvido e valorizado, ele não apenas volta a contratar, mas indica o escritório a outros.

O encantamento também passa pela produção de conteúdo para quem já é cliente. Boletins personalizados, workshops exclusivos, lives sobre jurisprudências recentes ou tendências regulatórias são exemplos práticos de como continuar agregando valor mesmo após a entrega do serviço.

Em um cenário em que a advocacia consultiva cresce e a retenção é tão estratégica quanto a prospecção, encantar é a métrica que mais importa.

O papel do Inbound Marketing na advocacia moderna

O Inbound Marketing é, em essência, uma metodologia de construção de autoridade. E autoridade no Direito é sinônimo de reputação. Escritórios que investem em estratégias de conteúdo, automação e relacionamento estão fortalecendo um ativo que nenhuma campanha paga consegue replicar: confiança.

Segundo pesquisa da HubSpot (2024), empresas que adotam Inbound Marketing geram 54% mais leads qualificados e reduzem em até 60% o custo de aquisição de clientes. No setor jurídico, esses números são ainda mais expressivos, porque a maioria dos escritórios ainda depende fortemente de indicações. O Inbound permite escalar essa lógica — mantendo o toque humano, mas ampliando o alcance.

Escritórios de diferentes portes já perceberam que o Inbound não substitui o networking tradicional, ele o potencializa. O que antes era uma conversa de café agora pode começar com um artigo no LinkedIn, um vídeo educativo ou uma newsletter semanal. A autoridade que nasce do conteúdo gera interesse genuíno e atrai o tipo certo de cliente: aquele que chega já convencido de que você é a melhor opção.

Aplicações práticas no dia a dia do escritório

Implementar o Inbound em um escritório de advocacia exige método. Comece com um diagnóstico: quais áreas de atuação geram mais oportunidades? Que tipo de cliente você quer atrair? Quais temas jurídicos despertam mais dúvidas?

Com base nisso, desenhe uma linha editorial que una especialização técnica e relevância pública. A área de Direito Tributário, por exemplo, pode produzir uma série de artigos sobre Reforma Tributária, enquanto um time de Direito Trabalhista pode criar conteúdos sobre o impacto da IA nas relações de trabalho.

Integre o marketing de conteúdo a ferramentas de automação e análise de dados. Plataformas como RD Station, HubSpot ou Mautic ajudam a rastrear o comportamento dos visitantes e a mensurar o que realmente gera conversão. Assim, o escritório deixa de atuar por intuição e passa a decidir com base em dados.

O ideal é que cada material tenha um objetivo claro dentro da jornada: atrair, nutrir, converter ou encantar. Esse mapa de relacionamento orienta o investimento de tempo e recursos de maneira mais estratégica.

Inbound jurídico: ética e diferenciação

Uma das maiores vantagens do Inbound para advogados é a aderência às normas éticas. Diferente de estratégias agressivas de publicidade, o Inbound é baseado em educação e informação. Ele não promove o profissional de forma direta, mas o posiciona como referência intelectual.

Além disso, o formato se alinha à tendência de consumerização do Direito — um movimento em que o cliente se comporta como consumidor de informações, buscando clareza, transparência e proximidade. O advogado que comunica bem e oferece conhecimento acessível conquista confiança antes mesmo do primeiro contato.

Ao adotar o Inbound, o escritório deixa de falar apenas de si e passa a falar com o cliente. Essa inversão de foco é o que gera diferenciação real.

Cultura de encantamento: o futuro do marketing jurídico

Encantar não é apenas uma etapa da metodologia; é uma filosofia. O escritório que internaliza esse conceito não trata o marketing como vitrine, mas como extensão de sua cultura. Cada interação — um e-mail, uma reunião, uma publicação — se torna uma oportunidade de gerar experiência positiva.

Clientes encantados são os melhores divulgadores de um escritório. Eles compartilham cases, recomendam profissionais e amplificam a reputação da marca de forma orgânica. Em um ambiente tão sensível à credibilidade quanto o jurídico, isso é ouro.

“Encantar é entender que o relacionamento com o cliente começa muito antes da contratação e continua muito depois da entrega.” Essa visão norteia a forma como os escritórios mais modernos estão repensando sua comunicação. O encantamento cria vínculo, e o vínculo gera negócios sustentáveis.

O ponto de virada: de serviço para experiência

O Inbound Marketing é mais do que uma técnica de geração de leads. É uma filosofia centrada no cliente. E no Direito, onde a confiança é o eixo de toda relação, essa filosofia ganha ainda mais força.

O advogado que entende o poder do encantamento transforma cada interação em um ponto de contato estratégico. Ele atrai pelo conteúdo, converte pela empatia, fecha pela autoridade e encanta pela experiência.

Essa é a essência do Inbound aplicado à advocacia: humanizar o jurídico, escalar relacionamentos e gerar resultados sustentáveis. E, acima de tudo, encantar — porque, no fim das contas, é isso que faz o cliente lembrar, confiar e recomendar.

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10 previsões: o departamento jurídico do futuro

Mas o amanhã já começou para quem está atento às transformações

O que você imagina quando pensa no departamento jurídico do futuro? Equipes repletas de advogados em empresas tradicionais, ou times multidisciplinares conectados à tecnologia, capazes de gerar valor estratégico em escala? A KPMG divulgou um artigo com 10 previsões para o futuro das áreas jurídicas (fonte: KPMG), e seus insights merecem atenção. Este conteúdo se inspira nessas projeções para refletir sobre como escritórios de advocacia e empresas no Brasil podem se preparar.

Por Rafael Gagliardi

Advogados não serão maioria nas equipes jurídicas

A ideia de que departamentos jurídicos são formados quase exclusivamente por advogados começa a perder força. O avanço da inteligência artificial, das automações e da demanda por eficiência coloca em cena novos perfis: cientistas de dados, engenheiros de prompts, especialistas em operações, profissionais de gestão de projetos e até analistas de risco que não têm formação em Direito.

Isso significa que você, advogado, terá de aprender a colaborar em times verdadeiramente híbridos. Não se trata apenas de delegar tarefas repetitivas para máquinas ou para paralegais, mas de construir um ecossistema em que cada profissional tenha clareza de sua contribuição para o valor final entregue ao cliente ou à empresa.

Pergunte-se: você já está pronto para trabalhar lado a lado com especialistas de tecnologia e dados, assumindo o papel de estrategista?


CLM como tecnologia corporativa

Até 2030, os sistemas de gestão do ciclo de vida de contratos (CLM) não serão apenas softwares isolados. Eles estarão integrados a plataformas corporativas, servindo como fonte única da verdade para todas as contratações da organização.

Isso muda radicalmente o papel do departamento jurídico do futuro: ele passa a ser o guardião dos contratos, responsável por assegurar eficiência, reduzir custos, extrair valor de cada cláusula e antecipar riscos.

No Brasil, muitos escritórios ainda trabalham com contratos em pastas e planilhas. O futuro pede integração total, com alertas automatizados sobre prazos, métricas de desempenho contratual e relatórios em tempo real para os executivos.


Serviços jurídicos além da consultoria

Os clientes — internos ou externos — não querem apenas “opiniões jurídicas”. Eles buscam soluções completas, que combinem consultoria, tecnologia, gestão de riscos e até a implementação de ferramentas.

É por isso que os chamados “fornecedores alternativos de serviços jurídicos” deixam de ser “alternativos” e passam a ocupar espaço no centro do mercado. Firmas de tecnologia e consultorias de negócios já oferecem pacotes de soluções que incluem análise de dados, automação de contratos e operação de fluxos jurídicos inteiros.

Você vai continuar disputando clientes apenas no campo da argumentação jurídica, ou vai expandir sua atuação para entregar resultados mais palpáveis?


Dados são tão importantes quanto o Direito

Saber interpretar dados contratuais, de mercado e de desempenho será tão relevante quanto dominar a legislação. O jurídico do futuro não se limita a validar cláusulas, mas mede se contratos geraram valor, se prazos foram cumpridos e se fornecedores entregaram como prometido.

Isso exige desenvolver competências de análise e adotar ferramentas de BI (Business Intelligence) que conversem com o restante da empresa. A pergunta deixa de ser apenas “é legal ou não?” e passa a incluir “qual foi o retorno gerado?”.


O jurídico será medido pelo valor que cria

O sucesso de um departamento jurídico deixará de ser avaliado apenas por evitar riscos. A régua passará a incluir indicadores como aceleração de receitas, redução de custos e aumento da eficiência dos processos.

Com ferramentas de IA capazes de entregar insights em segundos, a liderança jurídica poderá comprovar, com dados, que suas decisões encurtam ciclos de vendas, evitam litígios caros e aumentam a margem de contratos.

Essa mudança traz um desafio: advogados precisarão justificar investimentos em tecnologia e pessoas com base em ROI (Retorno sobre Investimento). Você já está preparado para falar a linguagem financeira do negócio?


Experiência do cliente em primeiro lugar

O que pesa mais: a profundidade técnica de uma análise ou a experiência que o cliente tem ao lidar com você? A resposta está mudando. Empresas esperam interações fluidas, rápidas e personalizadas.

Com IA absorvendo parte do trabalho técnico, o diferencial humano passa a ser a qualidade da relação. O advogado do futuro será lembrado não apenas pela precisão jurídica, mas pela forma como guia o cliente, entende seus dilemas e entrega soluções acessíveis.


Trabalho padronizado será automatizado ou terceirizado

Atividades repetitivas, como petições padronizadas ou contratos simples, migrarão para sistemas de autoatendimento ou para fornecedores de custo variável. Isso libera os times jurídicos para trabalhos de maior valor estratégico.

O desafio será equilibrar eficiência com experiência. As soluções de autoatendimento precisam ser simples e confiáveis, de modo que clientes internos não sintam que estão sendo “abandonados” ao lidar com a tecnologia.


Contratações instantâneas

A negociação de contratos já está migrando para plataformas digitais. Em poucos anos, veremos sistemas capazes de redigir automaticamente termos contratuais com base em histórico, performance e tolerância a riscos da empresa.

A revisão manual dará lugar a fluxos padronizados com controles de versão, cláusulas pré-aprovadas e integrações com outras áreas do negócio. Isso exige confiança nos modelos de IA e clareza sobre os limites de automação.


Cultura e mudança de mentalidade

Nenhuma transformação acontece sem pessoas dispostas a mudar. O jurídico do futuro precisará de líderes capazes de convencer equipes sobre os benefícios da tecnologia e de investir tempo em gestão da mudança.

Resistências são naturais: muitos profissionais veem a IA como ameaça à sua relevância. O papel da liderança será mostrar que a tecnologia não substitui o advogado, mas redefine sua atuação para níveis mais estratégicos.


Liderança ampliada

O tradicional General Counsel já não será suficiente. O futuro pede estruturas de liderança mais amplas, com funções como Chief Legal Operating Officer (COO), Chief Legal Technology Officer (CTO) e Chief Legal Data Officer (CDO).

Esses papéis garantem que a área jurídica opere de forma eficiente, use tecnologia de ponta e extraia valor dos dados. Mais do que administrar processos, líderes jurídicos precisarão se posicionar como executivos que influenciam diretamente a estratégia da empresa.


O que isso significa para você

Essas dez previsões mostram que o departamento jurídico do futuro será multidisciplinar, integrado e orientado a dados. Mas também será humano, exigindo empatia e visão de negócios.

A questão não é se essas mudanças vão chegar ao Brasil, mas quando e como você vai reagir. Vai esperar que seu concorrente lidere essa transformação ou vai assumir o protagonismo dentro do seu escritório?

O futuro não elimina advogados, mas redefine o seu papel. E cabe a cada um decidir se será lembrado como quem resistiu ou como quem liderou essa nova era.

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