
Em abril, a Chambers and Partners divulgou os resultados do ciclo Contentious 2025, incorporando subdivisões em categorias tradicionais e tornando o mapeamento das práticas contenciosas ainda mais detalhado – refletindo não apenas o amadurecimento dos rankings, mas também demandas reais das empresas, que cada vez mais utilizam essas tabelas como ferramentas para selecionar os parceiros jurídicos mais adequados para desafios específicos.
Esse movimento é respaldado por dados concretos: o Superior Tribunal de Justiça (STJ) demonstrou, em seu relatório de final de ano, um aumento exponencial na quantidade de litígios julgados em 2024. Segundo o balanço divulgado em dezembro, o tribunal proferiu 677.255 decisões ao longo do ano — o equivalente a quatro decisões a cada três minutos.
Fonte: STJ
O volume crescente de litígios também se reflete nas contratações do setor privado. A pesquisa “Who Represents the Biggest Companies”, conduzida pela LACCA, revelou que 63% dos diretores jurídicos terceirizaram demandas contenciosas em 2024 — um salto de 11 pontos percentuais em relação a 2023.
Fonte: LACCA 2024
Esse cenário de crescimento revela insights valiosos sobre o desenvolvimento do mercado e mostra como os escritórios vêm se adaptando para atender a uma demanda contenciosa mais intensa, estratégica e especializada.
O novo ciclo da Chambers Brazil Contentious 2025 evidencia um movimento consistente de expansão e sofisticação nas categorias contenciosas. Foram 475 rankings departamentais, 903 rankings individuais e 1.049 submissões, com 175 departamentos identificados como potenciais para ranqueamento — um aumento expressivo em relação ao ciclo anterior.
Entre os destaques, observa-se:
A reconfiguração da tabela de Dispute Resolution em três subdivisões — Elite, Highly Regarded e Mid-Market — representa um avanço na leitura do mercado. Embora a Elite tenha se mantido estável numericamente, o crescimento das demais categorias sugere um ecossistema competitivo mais amplo, abrindo espaço para novos perfis e posicionamentos.
A movimentação nas tabelas contenciosas da Chambers aponta para transformações mais amplas na forma como o mercado jurídico está se organizando diante de um cenário de aumento da judicialização e maior complexidade regulatória.
Uma das principais tendências observadas é a terceirização estratégica por parte das empresas, que passaram a buscar escritórios com capacidade de atuação sofisticada, leitura de contexto negocial e entrega orientada a resultados. Não se trata apenas de terceirizar volume — trata-se de confiar litígios sensíveis a estruturas jurídicas que consigam combinar profundidade técnica e alinhamento com os objetivos do negócio.
Também se destaca a valorização de abordagens híbridas de resolução de conflitos. Escritórios que se destacam na articulação entre contencioso tradicional, negociação, mediação e arbitragem vêm ganhando espaço nas faixas intermediárias e superiores dos rankings. Essa capacidade de oferecer soluções jurídicas inteligentes — que nem sempre envolvem o litígio como única via — se tornou um diferencial importante.
Mais do que resultados, rankings contenciosos são ferramentas estratégicas. Eles permitem que escritórios avaliem seu posicionamento, identifiquem setores em alta (como tributário, trabalhista e compliance) e ajustem sua comunicação para destacar sofisticação, impacto e client service. Para aproveitar ao máximo essas oportunidades, é essencial estruturar bem os departamentos, escolher casos representativos, preparar submissions inteligentes e investir em marketing jurídico que traduza reputação em posicionamento real.
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