Em uma era marcada pela urgência e pelo uso IA , a construção de credibilidade junto à imprensa continua dependendo de relacionamento, consistência e visão de longo prazo
“As duas mais poderosas guerreiras são a paciência e o tempo”.
Não é coincidência que essa frase esteja em Guerra e Paz, um livro extenso, com diversos arcos narrativos e mais de 1.500 personagens, entre protagonistas e coadjuvantes.
Tolstói conhecia os desafios de sua obra e propôs uma experiência que se torna grandiosa quando nos dispomos a acompanhar situações e pessoas que ganham significado gradualmente. Nada acontece de forma abrupta. É o acúmulo de eventos, relações e perspectivas que transformam o livro em um clássico.
Com a assessoria de imprensa ocorre algo semelhante: os resultados mais consistentes costumam ser fruto de um trabalho contínuo, paciente e cumulativo, desenvolvido para consolidar reputações em longo prazo.
É claro, a urgência faz parte do espírito do nosso tempo, e, por isso, assessor de imprensa algum se espanta com a ânsia por resultados rápidos.
O problema surge quando a velocidade passa a ser confundida com efetividade.
Recentemente, por exemplo, um jornalista me disse “não aceito mais respostas de especialistas por escrito, pois tenho notado que elas são produzidas com inteligência artificial”.
O comentário revela que na busca por produtividade e retornos imediatos, muitas fontes passaram a recorrer a atalhos. O resultado é que o capital intelectual e a profundidade técnica que a imprensa valoriza vêm sendo substituídos por análises pasteurizadas e previsíveis.
É por isso que, em meio à cultura do ultraprocessamento, cabe a nós, assessores, conscientizar sobre a dinâmica desse trabalho, muito mais voltado à maturação do que à instantaneidade.
Autoridade não se constrói em uma matéria ou uma entrevista. Ela é resultado de um processo contínuo de posicionamento, expertise, credibilidade e confiança.
É comum na rotina de assessoria de imprensa que releases não tragam retornos imediatos. Afinal, são apenas instrumentos de memória de marca. A estratégia não é ansiar por uma oportunidade de entrevista já no primeiro contato, mas preparar o terreno para colher frutos na estação certa. É manter um contato proativo e constante com jornalistas e criar um reconhecimento perene.
Inclusive, durante esse processo de consolidação e de relacionamento, é frequente que fontes sejam acionadas não pela pauta inicialmente proposta, mas pelo desenvolvimento de uma percepção de valor que as torna referência em assuntos tangentes. Quando isso acontece, tivemos uma grande vitória: posicionamos um especialista como autoridade em sua área de atuação. Mais do que uma entrevista, criamos uma relação de fidelidade entre jornalista e porta-voz.
A maturação é um processo natural na busca por exposição midiática. É um conjunto de ações estratégicas que semeiam o campo.
Autoridade e reputação se assemelham mais ao trabalho de um agrimensor do que ao produto rápido e superficial que a IA está nos ensinando a desejar.
Resultados bem-sucedidos são consequência de vivência, repertório, consistência, confiança e relacionamento. Ativos que não surgem da noite para o dia, mas de uma atuação estratégica e contínua.
Ativos que se consolidam quando usamos o tempo e a paciência como nossos guerreiros.
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